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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Estradas do Paraná.















































































































































Estradas.
Absolutamente necessária para a melhoria da qualidade de vida, para o escoamento da produção, para o fomento do comércio, para a livre circulação das pessoas, uma malha de estradas e ferrovias, além de hidrovias. O Paraná nesse sentido tem o que nos mostrar. Vejam algumas imagens de estradas paranaenses. O Brasil também é isso.
Em 1853 não havia no Paraná estradas transitáveis por rodas. E até o inicio do século XX somente a Graciosa era pavimentada no estado do Paraná. Reflita um pouco. O desenvolvimento foi estupendo.

O Brasil num mundo conturbado.

Todos os estados brasileiros estão apresentando índices de desenvolvimento, não apenas confirmados pelas estatísticas governamentais, mais a olhos vistos, evidente aos olhos de todos os cidadãos. O Paraná, no contexto brasileiro tem um pequeno território e uma população também considerada pequena. Nós representamos 10.000.000 de habitantes e apenas 2, 6% do território brasileiro. O desenvolvimento é flagrante, embora haja muito por fazer, principalmente no que diga respeito à questão da Justiça Social.


















































































































Todavia um olhada nas imagens de algumas de nossa cidades, já nos revela a qualidade da vida urbana ( não de todos os paranenses) mas de boa parte deles, o que no nosso entender, nos mostra, a nós brasileiros, que há esperança sim.














Vejam vocês Um pouco mais.




















Você não esta vendo um país de Primeiro Mundo, você esta vendo o Brasil, estado do Paraná com muito orgulho.


Wallace Requiâo de Mello e Silva.










Velhos Livros.

Velhos livros.
Talvez uma necessidade de mercado nos ensinou, erroneamente, que livros envelhecem, e pior, que se tornam inúteis. Isso não é verdade. Vou contar duas recentes experiências que, a meu ver, exemplificam como são importantes os velhos livros.
A grande vantagem dos velhos livros é fixar a memória e vencer o tempo. Essa é a base documental da História, e mesmo livros que nada tenham com a disciplina da história , fazem história, pois são um testemunho de como os homens pensam, escrevem, calculam, explicam o mundo, fazem poesia e romanceiam a vida em um dado momento. Só isso já justifica que se guarde e se cultue velhos livros. Ao arrumar minha biblioteca encontrei dois volumes de uma Geografia do professor Azevedo. Ao folhá-los me surpreendi com as mudanças que encontrei nos textos em relação aos dias de hoje. A Primeira impressão que se fica é a de quanto o Brasil evoluiu da década de sessenta para cá. Fotos mostradas naqueles livros, que nos mostravam, por exemplo, ferrovias, cidades, portos, monumentos confirmam a grande evolução que sofreu o país nesses últimos 48 anos. É incrível. Um homem muito bem informado como o professor Azevedo fazia parcas avaliações de algumas riquezas que hoje se tornaram volumosas e capitais para a economia brasileira, como por exemplo, a produção do petróleo. Sob o ponto de vista da geografia humana, novamente os dados ali apresentados mostram uma evolução surpreendente, capaz de aumentar as esperanças de qualquer brasileiro sobre a nossa terra, e o nosso povo. Essa simples comparação destrói num segundo todas as calunias que se faz do Brasil, pois ali esta o testemunho dos avanços que sofremos e que testemunhamos sem nos darmos conta. Telefonia, comunicação, estradas, agricultura, portos, jornais e revistas, livros, densidade populacional, numero de ofertas de vagas nas escolas, universidades etc. etc. e tal.
É sensacional.
O outro caso diz respeito à pesquisa sobre a palavra racismo. Quero dizer que em 1880, não existia na língua portuguesa a palavra racismo. E eu só pude descobrir isso, porque alguém guardou um dicionário de 1880. Para o Brasil império, o conceito de raça era vinculado aos mouros e judeus, porém o conceito de súdito fosse brasileiro, português, africano, enfim povo não tinha vínculo com a noção de raça, tratava-se pelo contrario de povos sob tutela do império ou de um rei, daí a palavra soberania. Sob proteção de um soberano.
Tudo isso é muito interessante, é o coração e a alma da história nacional.
Nesse sentido, é que eu proponho aos prefeitos e demais administradores que façam uma campanha para que livros velhos sejam doados para as bibliotecas publicas, de modo a preservá-los, ao invés de transformá-los em pasta mecânica e por conseqüência em papel higiênico.
A história é o registro das tendências de um povo, a direção da história vivida de um povo o que nos permite, em certa medida, prever os rumos futuros. Não destruam livros velhos. Doem para as Bibliotecas e escolas públicas.
Wallace Requião de Mello e Silva.

Velhos Livros.

Velhos livros.
Talvez uma necessidade de mercado nos ensinou, erroneamente, que livros envelhecem, e pior, que se tornam inúteis. Isso não é verdade. Vou contar duas recentes experiências que, a meu ver, exemplificam como são importantes os velhos livros.
A grande vantagem dos velhos livros é fixar a memória e vencer o tempo. Essa é a base documental da História, e mesmo livros que nada tenham com a disciplina da história , fazem história, pois são um testemunho de como os homens pensam, escrevem, calculam, explicam o mundo, fazem poesia e romanceiam a vida em um dado momento. Só isso já justifica que se guarde e se cultue velhos livros. Ao arrumar minha biblioteca encontrei dois volumes de uma Geografia do professor Azevedo. Ao folhá-los me surpreendi com as mudanças que encontrei nos textos em relação aos dias de hoje. A Primeira impressão que se fica é a de quanto o Brasil evoluiu da década de sessenta para cá. Fotos mostradas naqueles livros, que nos mostravam, por exemplo, ferrovias, cidades, portos, monumentos confirmam a grande evolução que sofreu o país nesses últimos 48 anos. É incrível. Um homem muito bem informado como o professor Azevedo fazia parcas avaliações de algumas riquezas que hoje se tornaram volumosas e capitais para a economia brasileira, como por exemplo, a produção do petróleo. Sob o ponto de vista da geografia humana, novamente os dados ali apresentados mostram uma evolução surpreendente, capaz de aumentar as esperanças de qualquer brasileiro sobre a nossa terra, e o nosso povo. Essa simples comparação destrói num segundo todas as calunias que se faz do Brasil, pois ali esta o testemunho dos avanços que sofremos e que testemunhamos sem nos darmos conta. Telefonia, comunicação, estradas, agricultura, portos, jornais e revistas, livros, densidade populacional, numero de ofertas de vagas nas escolas, universidades etc. etc. e tal.
É sensacional.
O outro caso diz respeito à pesquisa sobre a palavra racismo. Quero dizer que em 1880, não existia na língua portuguesa a palavra racismo. E eu só pude descobrir isso, porque alguém guardou um dicionário de 1880. Para o Brasil império, o conceito de raça era vinculado aos mouros e judeus, porém o conceito de súdito fosse brasileiro, português, africano, enfim povo não tinha vínculo com a noção de raça, tratava-se pelo contrario de povos sob tutela do império ou de um rei, daí a palavra soberania. Sob proteção de um soberano.
Tudo isso é muito interessante, é o coração e a alma da história nacional.
Nesse sentido, é que eu proponho aos prefeitos e demais administradores que façam uma campanha para que livros velhos sejam doados para as bibliotecas publicas, de modo a preservá-los, ao invés de transformá-los em pasta mecânica e por conseqüência em papel higiênico.
A história é o registro das tendências de um povo, a direção da história vivida de um povo o que nos permite, em certa medida, prever os rumos futuros. Não destruam livros velhos. Doem para as Bibliotecas e escolas públicas.
Wallace Requião de Mello e Silva.

Engajamento eletrônico.

Nesse novo Blog, que veio substitur o antigo G 23, nós pretendemos, provocar um engajamento político, via Internet que seja a um só tempo responsável e pró-ativo, escolhendo, ou optando, por um nome da politica nacional, e experiênciar, ou experimentar a força da Internet na construção de um modelo social, de um discurso, e de um nome, que seja capaz de nos representar junto à presidência da Republica, por exemplo. O Blog anterior, chegou a disponibilizar 309 textos, atingiu 133 cidades e dezessete países. Esse novo Blog, poderá sim, receber textos salvos do antigo Blog, embora a temática será nova, e temos ( ja temos) um " clone", um Blog reserva, simples, que procura ofertar textos de Segurança, ou memória de segurança. Estaremos inscritos no Google Analytics, como o anterior estava. Nosso objetivo, é fomentar temas que usualmente não aparecem na midia, ou pelo menos apresentar temas contrários ao discurso que vem sendo construido. Nós acreditamos nas pessoas simples, nas pessoas de boa índole, nas pessoas que ainda cultuam um pouquinho de bom senso. A segunda intenção de nosso Blog é despertar o povo do Paraná para si mesmo, e para o território em que habita, como seus defeitos e virtudes. Em terceiro objetivo, nós procuraremos defender a vida, não como território de dominio humano, mas como necessaria para os homens, como criaturas da vida. Mas não defenderemos a vida como uma "entidade" soberana, mas a apresentaremos como expressão de Deus, dependente de sua vontade soberana, e muito particularmente como expressão daquela mensagem cristâ: Eu sou, o Caminho, a Verdade e a Vida. Esse é o nosso novo Blog. Não entraremos em conflito, nem sustentaremos discussões de modo a não cairmos na tentação do redemoinho do debate. Quem discordar, faça uso de seus Blogs. Nós seguiremos o nosso Caminho, como a mesma liberdade que damos a quem quer que seja de expressar as suas opiniôes. Não nos damos ao trabalho de fazer de nosso Blog, campo de fofoca sobre os Blogs alheios. Não personalizamos pessoas nos seus aspéctos negativos, e tocamos em todos os assuntos com a responsabilidade que cada tema obrigue. O Grupog23 con-vida, você. Nos visitem , nós adoraremos.

Wallace Requiâo de Mello e Silva (Porta Voz)

Discurso de Requiâo ao tomar posse pela terceira vez no Governo do Paraná.

Data: 01/01/2007 - Íntegra do discurso de posse do governador Roberto Requião - 01/01/2007 12:56:48
“Por escolha dos paranaenses, assumo pela terceira vez o Governo do Estado. Na verdade, estou pouco interessado em marcas históricas, em recordes. O que importa não é o tempo em que estive e que ainda vou estar no Palácio Iguaçu. O que conta são as realizações, o que fizemos no primeiro e no segundo mandato. As obras, e também as palavras. Já que nunca dissociei a ação do discurso.De todas as disputas, desde que fui eleito deputado em 1982, esta foi a mais difícil de todas. Não acredito que, ao longo da nossa história republicana, tenha havido no Paraná um pleito renhido quanto este. Nunca se viu uma união de forças tão poderosa, tão obstinada, tão arrogante e, ao mesmo tempo, tão sem escrúpulos como a que enfrentamos. Nada os deteve. Passaram como uma horda de bárbaros sobre as mais comezinhas regras da convivência, da urbanidade. Possivelmente nem um outro governante paranaense tenha sido exposto de forma tão desumana, tão desapiedada.Não estou aqui lamentando fatos. São coisas da vida e eu as registro. Certamente, para desagrado de alguns companheiros que chegaram a pedir que fizesse um discurso de conciliação, de congraçamento, de paz.É a velha estória de sempre. O mito da cordialidade. O oportunismo da “união de todos”. Toda vez que se vêem em perigo ou depois de uma derrota, os interesses dominantes - a direita, sejamos claros - ressurge com a conversa mole da harmonia, da concórdia, somos todos amigos, somos todos irmãos e patranhas da espécie.No processo eleitoral, não demonstraram nenhuma cordialidade, fizeram de tudo para que fôssemos esmagados, liquidados. Discursavam com gosto de sangue na boca, com punhal entre dentes. Se vencedores, prometiam terríveis vinganças. O que muitos companheiros, Secretários de Estado, Diretores de Empresas, gente do primeiro, do segundo escalão, dirigentes do Partido não entendem é que dois lados muito claros e distintos opuseram-se nesta eleição. Provavelmente, nunca em uma eleição paranaense esse antagonismo deu-se tão evidente.Do lado de lá, reuniram-se todos os interesses contrariados. Vi-os todos no palanque do adversário. Os que quebraram e privatizaram o Banestado.Os que quebraram e tentaram privatizar a Copel, os que alienaram o controle da Sanepar, não investiram em saneamento e fizeram ressurgir até mesmo a cólera em nosso Estado. Os que privatizaram as estradas e criaram aqui a mais abusiva de todas as tarifas de pedágio. Os que destruíram a educação pública, acabaram com o ensino profissionalizante e fizeram o Paraná regredir aos piores índices de qualidade de ensino no país.Estavam todos lá. Os que deram toda sorte de vantagens e privilégios às multinacionais e esmagaram o empresário paranaense. Os que se acumpliciaram com as transnacionais na conspiração para submeter os produtores paranaenses ao domínio de suas sementes patenteadas. Os que transformaram o erário quase que em caixa privado e dilapidaram o Estado.Estavam todos lá. Os que viveram durante tanto tempo às expensas das verbas públicas e comercializaram suas opiniões. Os que fizeram da liberdade de imprensa um negócio muito próprio e muito próspero. Estavam todos lá. Os que viviam de fraudar concorrências, de superfaturar e de fazer das concorrências públicas uma ação entre amigos. Estavam todos lá. Aqueles que em oito anos de governo não produziram mais que 38 mil empregos com carteira assinada. Porque não cortaram impostos, desprezaram os pequenos, quebraram as empresas públicas, não investiram em infra-estrutura, não atraíram negócios que gerassem intensivamente novas vagas para os trabalhadores.Estavam lá os que não apenas não criaram qualquer programa social para minorar e atender emergencialmente os nossos irmãos mais pobres, como eliminaram os que existiam, aumentando a dor da exclusão, aprofundando a humilhação e a ofensa da miséria.Estava lá o Banco Itaú, contra quem o Estado do Paraná demanda na Justiça e que ganhou o Banestado de presente, de graça, num dos processos mais absurdos da privataria, do desbaratamento do patrimônio público. Estava lá o Banco Itaú que quer fazer valer contratos absolutamente insustentáveis contra o interesse paranaense. Estava lá o Banco Itaú financiando a candidatura de dois dos meus adversários. E estavam lá os meus adversários aceitando recursos de quem demanda contra o Paraná. Estavam lá também pessoas de boa índole, sinceras, honestas, corretas, empenhadas na batalha eleitoral, acreditando que aquela fosse a melhor alternativa. Certamente, uma minoria pouco influente porque o que predominava mesmo era a voz do dono.Este o lado de lá. E qual o nosso lado?O lado dos mais pobres, dos trabalhadores, dos pequenos, dos agricultores familiares, do fortalecimento das políticas públicas de saúde, educação e segurança, da recuperação das estradas, da construção de escolas e hospitais, da criação de empregos, da isenção de impostos, do microcrédito, do fundo de aval, do programa do leite, da tarifa social da água, da luz fraterna, da recuperação do Estado, da transparência, da austeridade. O lado do povo.Há quem se constranja, fique encabulado ou até mesmo sinta urticária quando se fala em povo. Os dominantes, essa gente do mercado, os do lado de lá, os que sempiternamente viveram do sangue, do suor, da miséria, da exploração do povo. Os que excluem, esmagam, discriminam, ofendem e humilham o povo. Os que enganam e manipulam o povo. Essa gente torce o nariz quando algum governo declara sua opção, seu amor, sua solidariedade para com o povo. É impressionante como os valores do mercado, sua boca torta de fumar o cachimbo da dominação transmite-se e são assimilados até mesmo por aqueles que estão entre nós. E lá vem essa conversa toda de populismo, do horror a um Hugo Chavez, a um Evo Morales, a um Rafael Correa, a qualquer um enfim, que se oponha ao consenso de Washington, aos ditames do FMI, às receitas do neoliberalismo, à ação sem freio do mercado.O nosso lado é o lado do povo.E como então aceitar a conciliação que alguns companheiros urdem? É interessante. Quando chega a vez, quando temos possibilidades concretas, reais de fazer alguma coisa por aqueles que mais precisam, por aqueles que a vida toda restaram à margem, insistem que sejamos equânimes, que pesemos os dois lados, que olhemos à esquerda e à direita, que não nos afastemos dos grandes, dos poderosos, dos manda-chuvas. Companheiros de Governo, paranaenses.Nesses quatro anos que passaram acredito que tenha ficado claro a todos para quem governamos. Ou não salta aos olhos a nossa opção? Será que há alguma dúvida? Pois bem, nos próximos quatro anos vamos radicalizar essa opção. Vamos ainda mais a fundo na tarefa de governar para o povo. E não é um governo de centro-esquerda, não. Não venham com esses centrismos, com esse equilibrismo. Somos sim um governo de esquerda. E que a má interpretação ou a distorção daquilo que disse o Presidente Lula não sirva de pretexto para que alguns neguem o lado em que nos posicionamos. Somos de esquerda, porque ser de esquerda é ser solidário, fraterno, humano. É ser gente. É ter os olhos, a alma e o coração voltados para as desigualdades e as misérias deste mundo. O fosso entre os que têm e o que não têm alargou-se de tal formas nos últimos anos, nesses malditos anos de expansão do neoliberalismo, que não seria catastrófico antecipar a possibilidade do colapso da civilização. Tenhamos olhos para ver. E vejam. Hoje a metade da população mundial, calculada em 6 bilhões e 800 milhões de almas, tem um patrimônio de tão somente 4.500 reais.A tragédia brasileira da desigualdade, da exclusão, da concentração de rendas segue o ritmo mundial. Por mais escandaloso e surpreendente que pareça quem ganha mais que 800 reais por mês em nosso país está entre aquela parcela de cinco por cento de brasileiros mais ricos.Escandalizem-se. Mas reajam, mas façam alguma coisa, mas desendureçam o coração e arejem o cérebro. Alinhem-se à esquerda, formem entre aqueles que ainda não perderam a capacidade de indignar-se e lutar. Perfilem entre os que não perverteram as características básicas de seres humanos, que não se transformaram em homens lobo dos homens. Enfim, recuperemos as nossas condições de seres humanos. Segundo Aristóteles, “animais políticos”; isto é gregários, solidários, civilizados, já que civilização pressupõe solidariedade, irmandade. É isso que nos distingue da barbárie, da irracionalidade. E o que é a globalização, a sanha do mercado por lucro, a dominação impiedosa dos países e povos periféricos? O que é a transformação do individualismo, da competição, da esperteza, da ascensão a qualquer preço a valores máximos dos nossos tempos? O que é tudo isso que não a volta à selvageria, ao embrutecimento, à incultura, à grosseria, à rudeza, à brutalidade, à desumanidade das hordas pré-civilização?Já próximo da morte, nas reflexões finais sobre a sua trajetória política, François Mitterrand disse que a direita julga que o poder é dela, por delegação natural, como se fosse a reprodução do direito divino dos reis. Assim, para a direita, a eventual ascensão da esquerda é usurpação, é antinatural. Isso é de tal forma difundido, está de tal forma entranhado em nossa cultura, que muitos, à esquerda ou ditos de esquerda, ou do centro, parecem constrangidos quando ganham uma eleição. Quase que pedem desculpas à direita por chegar ao governo, por ocupar um espaço naturalmente dela, naturalmente dos senhores, naturalmente dos dominantes. Talvez seja por isso que, segundo dizem, nada mais parecido com o conservador que a esquerda quando chega ao governo. Ou como se dizia no Império: “Nada mais parecido com um luzia do que um saquarema no Gabinete”.Não aqui no Paraná.Palavras e obras. Coerentemente. O que pensamos, o que discursamos, o que declaramos corresponde, sempre, ao que fazemos. Desmontaram o Estado, diminuíram-no, enfraqueceram-no. Afinal, para os neoliberais, a existência do Estado justifica-se à medida que sirva ao mercado. E todas as políticas públicas são desperdício de recursos. Recursos que eles querem para pagar as dívidas, o serviço da dívida. Superávites para acalmar o mercado e sinalizar as nossas condições de pagamento. O risco brasileiro é falta de dinheiro para saúde, educação, segurança, infra-estrutura, geração de empregos, má distribuição de renda. Mas o risco, que eles medem como se medissem a febre e o perigo de vida de um paciente, o risco para eles, é faltar recursos para pagar a dívida, já tantas vezes paga e ainda assim tornada impagável pela prestidigitação contábil dos credores, dos rentistas internos ou externos. Nós recuperamos o Estado e o Estado passou a ser um elemento essencial para a retomada do desenvolvimento paranaense.Nesses quatro anos, transformamos a Copel de uma empresa à beira da quebra, deficitária, na terceira melhor empresa de energia do mundo. E na principal empresa de energia das Américas. De longe, a melhor empresa de energia do Brasil. Para o lucro de quem? Dos paranaenses, que pagam hoje a menor tarifa de energia do país; dos nossos empresários que têm oferta de energia barata e abundante para o desenvolvimento de seus projetos; de um milhão de paranaense de famílias mais pobres, que recebem energia de graça em suas casas. Porque energia elétrica é saúde. A Sanepar voltou ao controle público e hoje desenvolve a mais ousada e abrangente política de saneamento do Brasil, transformando o Paraná em referência nacional em oferta de água e esgoto tratados. E a tarifa social da água atende mais de um milhão e quatrocentos mil paranaenses de menor renda. Porque saneamento é saúde.O Porto, livre da sanha dos privatistas, da especulação, recuperado, saneado, eficiente e lucrativo. Na Educação, uma transformação extraordinária. Não há quem no Brasil deixe de reconhecer os avanços da educação pública paranaense nesses quatro anos. A qualidade do ensino, o livro didático gratuito, o portal da educação, os 40 mil computadores, toda a rede escolar interligada por rede de fibra ótica, o plano de cargos e salários, a construção de novos colégios e salas de aula, a volta do ensino profissionalizante, os extraordinários índices de aprovação dos nossos alunos na Universidade Federal e nas Universidades Estaduais. Além dos grandes investimentos no ensino universitário público estadual.Na Saúde, os esforços extremos para recuperar as defasagens acumuladas nos oito anos que nos antecederam. Estão aí os 24 hospitais, em construção, reforma ou ampliação para dar, enfim, aos paranaenses a base física indispensável a uma política pública de saúde universal e eficiente.Pela primeira vez, em anos, reduzimos os índices de mortalidade infantil, com a colaboração imprescindível da Pastoral da Criança, e somos hoje um dos dois Estados brasileiros que mais avançou nesta área. Os 126 Centros da Saúde da Criança e da Mulher, que já estamos construindo, vão fazer com que esses índices sejam reduzidos ainda mais.Na Segurança Pública, a implantação de um novo conceito de segurança: a Polícia Comunitária, próxima das pessoas, integrada com elas e interagindo com elas.Daí o Projeto Povo, a Patrulha Escolar, os Bombeiros Comunitários, o Geoprocessamento do Crime, os Conselhos de Segurança. Reequipamos as Polícias Civil e Militar, aumentamos o efetivo, reajustamos os vencimentos. Avançamos, mas temos a consciência de que ainda há muito o que fazer.Para gerar mais empregos, para incentivar investimentos e aumentar a produção aplicamos a mais ousada política fiscal do país, que agora serve de inspiração ao governo federal ao editar a Lei Geral da Microempresa. Hoje, 172 mil micro e pequenas empresas paranaenses são beneficiadas pela isenção de ICMS ou pela redução do imposto.Os resultados espelham-se no alargamento da longevidade das empresas paranaenses, bem superior à média nacional, e, principalmente, na criação de novos empregos. Do início do nosso mandato, até novembro de 2006, foram criados no Paraná 365.623 empregos com carteira assinada, resultado da política do Paraná somada à política do presidente Luis Inácio Lula da Silva.Nos oito anos do governo que nos antecedeu não foram criados mais que 38 mil empregos formais. A diferença é notável. Pena que a nossa imprensa, tão rápida na crítica, não tenha se debruçado sobre esse espantoso confronto de números e não tenha feito uma das perguntas básicas da boa reportagem: Por quê?O programa do microcrédito, que tanto sucesso fez neste primeiro governo, alavancando milhares de pequenos negócios, terá dobrado os seus recursos. Vão ser agora 160 milhões de reais para financiar quem queira abrir um negócio ou ampliar o que já tem. Concluímos nesse dezembro o ingente esforço de recuperação da malha rodoviária estadual. Mais de cinco mil quilômetros devolvidos ao trânsito seguro dos paranaenses. Sem pedágio. Com isso, temos prontas as condições para a implantação de um novo projeto, Os Caminhos da Liberdade, oferecendo alternativas às estradas pedagiadas. Não descuramos a batalha contra o abuso do pedágio. As concessionárias fecham o ano com uma arrecadação estimada de 735 milhões de reais e nem 30 por cento disso foram aplicados em benefícios para os usuários. É por isso que temos mais de 40 ações na Justiça contra o abuso das tarifas e o descumprimento dos contratos.A luta contra os interesses dominantes do mercado se fez também com a implantação do software livre. Com isso, buscamos não apenas universalizar, democratizar o acesso à informática como também economizamos recursos financeiros para o Estado. Desde que o software livre foi implantado, em maio de 2003, até agora já economizamos 147 milhões de reais, dinheiro que desperdiçaríamos com as empresas que monopolizam o setor.Além dos programas sociais da água, do leite e da luz, dos avanços na educação, da política fiscal, da geração de novos empregos, da construção de estradas e hospitais, uma das ações que mais me empolga, mobiliza e emociona é o programa de construção de Bibliotecas Públicas em todo o Paraná. Breve, cada município paranaense, por menor e distante que seja, vai ter a sua Biblioteca, bem provida de livros, interligada à Internet. Vocês não imaginam o efeito transformador que uma Biblioteca tem sobre as nossas comunidades, especialmente nas cidades do interior. Elas são a porta para um mundo maravilhoso, para a criação, para a fantasia, para a formação. Criado em uma biblioteca, sei do que falo. O Fundo de Aval, para dar suporte aos nossos agricultores familiares, é também um outro programa vitorioso. Neste novo mandato, iremos além. Vamos investir um bilhão e trezentos milhões de reais para diversificar a agricultura, para industrializar a produção agropecuária, para incentivar a produção agroecológica. Para o programa Panela Cheia, reservamos 100 milhões de reais; para o Fundo de Aval, 200 milhões; para o programa do trator solidário, 40 milhões, para começar a ação. Intensificaremos a irrigação noturna como meio seguro de aumentar a produtividade e minorar os efeitos das estiagens que têm se tornado tão freqüentes.Para enfim dar às 320 mil pequenas propriedades agrícolas em nosso Estado o apoio necessário, a fim de que se consolidem e se desenvolvam.Tantos avanços em tão pouco espaço de tempo não seriam possíveis se não recuperássemos a capacidade do Estado de pensar, de planejar, de executar. E se não contássemos com um corpo de funcionários públicos, de profissionais, tão eficiente e capaz como o que temos.Paranaenses. As bases para um novo salto estão construídas, solidamente construídas. As prioridades definidas. Os rumos claramente delineados. Os objetivos, evidentes. É a Educação, é a Saúde, é a Segurança, é a geração de empregos, é o incentivo a novos investimentos e ao aumento da produção, é o combate aos desequilíbrios sociais e aos descompassos entre as regiões. Enfim, acima de tudo, sobretudo, o povo, as pessoas. O progresso das pessoas, sua promoção, seu desenvolvimento, sua inclusão neste admirável mundo novo, neste tão injusto mundo novo. Nestes próximos quatro anos vamos radicalizar a política de defesa do meio ambiente.Não é possível mais contemporizar com a destruição.Vejam, oitenta e dois por cento dos brasileiros moram em nosso litoral. E, segundo especialistas, a prosseguir neste rumo insano o aquecimento global todo o nosso litoral vê-se ameaçado de inundações. É uma perspectiva apocalíptica.Ainda assim, a irresponsabilidade de meus adversários transformaram em mote de campanha a licença para a devastação ambiental.Não consideremos, não cederemos a pressões. A vida está acima do lucro imediato.Por fim, não poderia faltar uma palavra sobre comunicação, imprensa, que vou dizê-la mesmo contra o conselho dos que querem “deixar disso”, e para desassossego dos pregadores da cordialidade. O debate sobre o papel da imprensa no processo eleitoral ganhou o país. Pela primeira vez, em tantas décadas, a mídia foi colocada sob suspeita. E criticada, coisa que ela detesta mais que o satanás dá água benta.A militância dos jornalões a favor de uma candidatura só não detectou quem não quis. Caso de má-fé cínica ou de ignorância córnea?Optaram sim por um lado, torceram e distorceram por ele e quando isso foi identificado e denunciado reagiram dizendo que se ameaçava a liberdade de imprensa.Não tiveram a coragem, o desassombro de assumir em editoriais a opção feita, mesmo que a não disfarçassem, mesmo que isso fosse refletido escandalosamente no tom reservado à cobertura de cada um dos candidatos. Fizemos um estudo criterioso, científico, estatisticamente responsável sobre o comportamento da mídia paranaense nas eleições estaduais. Os resultados todos conhecem, pois os divulgamos amplamente.Quando falamos em exclusão social e econômica, quando falamos sobre as desigualdades, os desequilíbrios, os privilégios nunca, ou quase nunca, fazemos referência ao monopólio da informação. Nunca mencionamos o domínio da mídia por determinados interesses e, por conseqüência, o afastamento de suas páginas, de seu vídeo e áudio dos interesses dos dominados, dos apartados, dos segregados, dos discriminados, dos trabalhadores, do povo, enfim. Que liberdade de imprensa é esta que acolhe sempre a voz dominante, a voz do mercado, dos poderosos? Que liberdade de imprensa é esta que restringe o acesso do povo e de suas manifestações? Que trata e maltrata os trabalhadores, quase sempre com desdém, com o corte da visão de classe senhorial? Que liberdade de imprensa é essa que, quando critica, quando acusa, mesmo que distorcendo os fatos, concede à parte ofendida, quando muito, uma misericordiosa meia linha, para que “o outro lado” se manifeste? É o acepipe cinicamente ofertado antes da execução.Não tenhamos ilusões, não sejamos ingênuos, não esperemos muito da grande mídia. Ela tem um lado, nós é que não aprendemos isso ainda e ficamos insistindo em um diálogo de surdos. Hoje, apenas seis redes privadas controlam 667 veículos – emissoras de TV, de rádio e jornais diários – atingindo 87 por cento dos domicílios, em 98 por cento dos municípios brasileiros. Há ainda quem ouse dizer que isso não é o monopólio da informação, que isso não é o controle da opinião pública, que isso não é uma verdadeira ditadura do pensamento dominante?É salutar que finalmente o poder da grande mídia comece a ser colocado em xeque e a sua credibilidade como agente formador da opinião pública seja questionada.Mas que comunicação queremos? Queremos uma comunicação de interesse público. Que estimule o debate. Que tenha compromisso com a formação, a educação e a construção da cidadania. Que democratize e produza instrumentos de socialização da informação. Que crie, utilize e valorize espaços de mídia alternativos, como as rádios comunitárias, a internet, os eventos públicos. Queremos uma comunicação que resista à hegemonia dos meios de comunicação de massa e crie referências críticas ao que eles veiculam, que não engulam tudo que os jornais nacionais, que as novelas buscam empurrar goela abaixo do povo. Queremos uma comunicação que busque o envolvimento da sociedade e estimule a sua participação. Queremos uma comunicação de mão dupla, que interaja, que comunique a diversidade de opiniões. Queremos uma comunicação que favoreça a inclusão do maior número de cidadãos no debate político. Nós queremos, enfim, uma comunicação popular, onde mil flores desabrochem e mil correntes de pensamento se rivalizem. Paranaenses, estes são os meus compromissos. E diante de minha mulher Maristela, dos meus filhos Maurício e Roberta, do Ricardo, renovo-os. Incluam-me em suas orações, peçam a Deus por mim, para que Ele me ilumine e me faça forte, firme e corajoso na defesa dos interesses do nosso povo. Ao trabalho, que temos mais quatro anos para consolidar as transformações que iniciamos e dizer ao Brasil que o caminho do Paraná é o caminho da libertação, da independência, da altivez, do compromisso com os interesses nacionais e populares.Afinal temos um lado. O lado da solidariedade, da generosidade. O lado do povo. O lado esquerdo do peito”.

Discurso de Requiâo ao tomar posse pela terceira vez no Governo do Paraná.

Data: 01/01/2007 - Íntegra do discurso de posse do governador Roberto Requião - 01/01/2007 12:56:48
“Por escolha dos paranaenses, assumo pela terceira vez o Governo do Estado. Na verdade, estou pouco interessado em marcas históricas, em recordes. O que importa não é o tempo em que estive e que ainda vou estar no Palácio Iguaçu. O que conta são as realizações, o que fizemos no primeiro e no segundo mandato. As obras, e também as palavras. Já que nunca dissociei a ação do discurso.De todas as disputas, desde que fui eleito deputado em 1982, esta foi a mais difícil de todas. Não acredito que, ao longo da nossa história republicana, tenha havido no Paraná um pleito renhido quanto este. Nunca se viu uma união de forças tão poderosa, tão obstinada, tão arrogante e, ao mesmo tempo, tão sem escrúpulos como a que enfrentamos. Nada os deteve. Passaram como uma horda de bárbaros sobre as mais comezinhas regras da convivência, da urbanidade. Possivelmente nem um outro governante paranaense tenha sido exposto de forma tão desumana, tão desapiedada.Não estou aqui lamentando fatos. São coisas da vida e eu as registro. Certamente, para desagrado de alguns companheiros que chegaram a pedir que fizesse um discurso de conciliação, de congraçamento, de paz.É a velha estória de sempre. O mito da cordialidade. O oportunismo da “união de todos”. Toda vez que se vêem em perigo ou depois de uma derrota, os interesses dominantes - a direita, sejamos claros - ressurge com a conversa mole da harmonia, da concórdia, somos todos amigos, somos todos irmãos e patranhas da espécie.No processo eleitoral, não demonstraram nenhuma cordialidade, fizeram de tudo para que fôssemos esmagados, liquidados. Discursavam com gosto de sangue na boca, com punhal entre dentes. Se vencedores, prometiam terríveis vinganças. O que muitos companheiros, Secretários de Estado, Diretores de Empresas, gente do primeiro, do segundo escalão, dirigentes do Partido não entendem é que dois lados muito claros e distintos opuseram-se nesta eleição. Provavelmente, nunca em uma eleição paranaense esse antagonismo deu-se tão evidente.Do lado de lá, reuniram-se todos os interesses contrariados. Vi-os todos no palanque do adversário. Os que quebraram e privatizaram o Banestado.Os que quebraram e tentaram privatizar a Copel, os que alienaram o controle da Sanepar, não investiram em saneamento e fizeram ressurgir até mesmo a cólera em nosso Estado. Os que privatizaram as estradas e criaram aqui a mais abusiva de todas as tarifas de pedágio. Os que destruíram a educação pública, acabaram com o ensino profissionalizante e fizeram o Paraná regredir aos piores índices de qualidade de ensino no país.Estavam todos lá. Os que deram toda sorte de vantagens e privilégios às multinacionais e esmagaram o empresário paranaense. Os que se acumpliciaram com as transnacionais na conspiração para submeter os produtores paranaenses ao domínio de suas sementes patenteadas. Os que transformaram o erário quase que em caixa privado e dilapidaram o Estado.Estavam todos lá. Os que viveram durante tanto tempo às expensas das verbas públicas e comercializaram suas opiniões. Os que fizeram da liberdade de imprensa um negócio muito próprio e muito próspero. Estavam todos lá. Os que viviam de fraudar concorrências, de superfaturar e de fazer das concorrências públicas uma ação entre amigos. Estavam todos lá. Aqueles que em oito anos de governo não produziram mais que 38 mil empregos com carteira assinada. Porque não cortaram impostos, desprezaram os pequenos, quebraram as empresas públicas, não investiram em infra-estrutura, não atraíram negócios que gerassem intensivamente novas vagas para os trabalhadores.Estavam lá os que não apenas não criaram qualquer programa social para minorar e atender emergencialmente os nossos irmãos mais pobres, como eliminaram os que existiam, aumentando a dor da exclusão, aprofundando a humilhação e a ofensa da miséria.Estava lá o Banco Itaú, contra quem o Estado do Paraná demanda na Justiça e que ganhou o Banestado de presente, de graça, num dos processos mais absurdos da privataria, do desbaratamento do patrimônio público. Estava lá o Banco Itaú que quer fazer valer contratos absolutamente insustentáveis contra o interesse paranaense. Estava lá o Banco Itaú financiando a candidatura de dois dos meus adversários. E estavam lá os meus adversários aceitando recursos de quem demanda contra o Paraná. Estavam lá também pessoas de boa índole, sinceras, honestas, corretas, empenhadas na batalha eleitoral, acreditando que aquela fosse a melhor alternativa. Certamente, uma minoria pouco influente porque o que predominava mesmo era a voz do dono.Este o lado de lá. E qual o nosso lado?O lado dos mais pobres, dos trabalhadores, dos pequenos, dos agricultores familiares, do fortalecimento das políticas públicas de saúde, educação e segurança, da recuperação das estradas, da construção de escolas e hospitais, da criação de empregos, da isenção de impostos, do microcrédito, do fundo de aval, do programa do leite, da tarifa social da água, da luz fraterna, da recuperação do Estado, da transparência, da austeridade. O lado do povo.Há quem se constranja, fique encabulado ou até mesmo sinta urticária quando se fala em povo. Os dominantes, essa gente do mercado, os do lado de lá, os que sempiternamente viveram do sangue, do suor, da miséria, da exploração do povo. Os que excluem, esmagam, discriminam, ofendem e humilham o povo. Os que enganam e manipulam o povo. Essa gente torce o nariz quando algum governo declara sua opção, seu amor, sua solidariedade para com o povo. É impressionante como os valores do mercado, sua boca torta de fumar o cachimbo da dominação transmite-se e são assimilados até mesmo por aqueles que estão entre nós. E lá vem essa conversa toda de populismo, do horror a um Hugo Chavez, a um Evo Morales, a um Rafael Correa, a qualquer um enfim, que se oponha ao consenso de Washington, aos ditames do FMI, às receitas do neoliberalismo, à ação sem freio do mercado.O nosso lado é o lado do povo.E como então aceitar a conciliação que alguns companheiros urdem? É interessante. Quando chega a vez, quando temos possibilidades concretas, reais de fazer alguma coisa por aqueles que mais precisam, por aqueles que a vida toda restaram à margem, insistem que sejamos equânimes, que pesemos os dois lados, que olhemos à esquerda e à direita, que não nos afastemos dos grandes, dos poderosos, dos manda-chuvas. Companheiros de Governo, paranaenses.Nesses quatro anos que passaram acredito que tenha ficado claro a todos para quem governamos. Ou não salta aos olhos a nossa opção? Será que há alguma dúvida? Pois bem, nos próximos quatro anos vamos radicalizar essa opção. Vamos ainda mais a fundo na tarefa de governar para o povo. E não é um governo de centro-esquerda, não. Não venham com esses centrismos, com esse equilibrismo. Somos sim um governo de esquerda. E que a má interpretação ou a distorção daquilo que disse o Presidente Lula não sirva de pretexto para que alguns neguem o lado em que nos posicionamos. Somos de esquerda, porque ser de esquerda é ser solidário, fraterno, humano. É ser gente. É ter os olhos, a alma e o coração voltados para as desigualdades e as misérias deste mundo. O fosso entre os que têm e o que não têm alargou-se de tal formas nos últimos anos, nesses malditos anos de expansão do neoliberalismo, que não seria catastrófico antecipar a possibilidade do colapso da civilização. Tenhamos olhos para ver. E vejam. Hoje a metade da população mundial, calculada em 6 bilhões e 800 milhões de almas, tem um patrimônio de tão somente 4.500 reais.A tragédia brasileira da desigualdade, da exclusão, da concentração de rendas segue o ritmo mundial. Por mais escandaloso e surpreendente que pareça quem ganha mais que 800 reais por mês em nosso país está entre aquela parcela de cinco por cento de brasileiros mais ricos.Escandalizem-se. Mas reajam, mas façam alguma coisa, mas desendureçam o coração e arejem o cérebro. Alinhem-se à esquerda, formem entre aqueles que ainda não perderam a capacidade de indignar-se e lutar. Perfilem entre os que não perverteram as características básicas de seres humanos, que não se transformaram em homens lobo dos homens. Enfim, recuperemos as nossas condições de seres humanos. Segundo Aristóteles, “animais políticos”; isto é gregários, solidários, civilizados, já que civilização pressupõe solidariedade, irmandade. É isso que nos distingue da barbárie, da irracionalidade. E o que é a globalização, a sanha do mercado por lucro, a dominação impiedosa dos países e povos periféricos? O que é a transformação do individualismo, da competição, da esperteza, da ascensão a qualquer preço a valores máximos dos nossos tempos? O que é tudo isso que não a volta à selvageria, ao embrutecimento, à incultura, à grosseria, à rudeza, à brutalidade, à desumanidade das hordas pré-civilização?Já próximo da morte, nas reflexões finais sobre a sua trajetória política, François Mitterrand disse que a direita julga que o poder é dela, por delegação natural, como se fosse a reprodução do direito divino dos reis. Assim, para a direita, a eventual ascensão da esquerda é usurpação, é antinatural. Isso é de tal forma difundido, está de tal forma entranhado em nossa cultura, que muitos, à esquerda ou ditos de esquerda, ou do centro, parecem constrangidos quando ganham uma eleição. Quase que pedem desculpas à direita por chegar ao governo, por ocupar um espaço naturalmente dela, naturalmente dos senhores, naturalmente dos dominantes. Talvez seja por isso que, segundo dizem, nada mais parecido com o conservador que a esquerda quando chega ao governo. Ou como se dizia no Império: “Nada mais parecido com um luzia do que um saquarema no Gabinete”.Não aqui no Paraná.Palavras e obras. Coerentemente. O que pensamos, o que discursamos, o que declaramos corresponde, sempre, ao que fazemos. Desmontaram o Estado, diminuíram-no, enfraqueceram-no. Afinal, para os neoliberais, a existência do Estado justifica-se à medida que sirva ao mercado. E todas as políticas públicas são desperdício de recursos. Recursos que eles querem para pagar as dívidas, o serviço da dívida. Superávites para acalmar o mercado e sinalizar as nossas condições de pagamento. O risco brasileiro é falta de dinheiro para saúde, educação, segurança, infra-estrutura, geração de empregos, má distribuição de renda. Mas o risco, que eles medem como se medissem a febre e o perigo de vida de um paciente, o risco para eles, é faltar recursos para pagar a dívida, já tantas vezes paga e ainda assim tornada impagável pela prestidigitação contábil dos credores, dos rentistas internos ou externos. Nós recuperamos o Estado e o Estado passou a ser um elemento essencial para a retomada do desenvolvimento paranaense.Nesses quatro anos, transformamos a Copel de uma empresa à beira da quebra, deficitária, na terceira melhor empresa de energia do mundo. E na principal empresa de energia das Américas. De longe, a melhor empresa de energia do Brasil. Para o lucro de quem? Dos paranaenses, que pagam hoje a menor tarifa de energia do país; dos nossos empresários que têm oferta de energia barata e abundante para o desenvolvimento de seus projetos; de um milhão de paranaense de famílias mais pobres, que recebem energia de graça em suas casas. Porque energia elétrica é saúde. A Sanepar voltou ao controle público e hoje desenvolve a mais ousada e abrangente política de saneamento do Brasil, transformando o Paraná em referência nacional em oferta de água e esgoto tratados. E a tarifa social da água atende mais de um milhão e quatrocentos mil paranaenses de menor renda. Porque saneamento é saúde.O Porto, livre da sanha dos privatistas, da especulação, recuperado, saneado, eficiente e lucrativo. Na Educação, uma transformação extraordinária. Não há quem no Brasil deixe de reconhecer os avanços da educação pública paranaense nesses quatro anos. A qualidade do ensino, o livro didático gratuito, o portal da educação, os 40 mil computadores, toda a rede escolar interligada por rede de fibra ótica, o plano de cargos e salários, a construção de novos colégios e salas de aula, a volta do ensino profissionalizante, os extraordinários índices de aprovação dos nossos alunos na Universidade Federal e nas Universidades Estaduais. Além dos grandes investimentos no ensino universitário público estadual.Na Saúde, os esforços extremos para recuperar as defasagens acumuladas nos oito anos que nos antecederam. Estão aí os 24 hospitais, em construção, reforma ou ampliação para dar, enfim, aos paranaenses a base física indispensável a uma política pública de saúde universal e eficiente.Pela primeira vez, em anos, reduzimos os índices de mortalidade infantil, com a colaboração imprescindível da Pastoral da Criança, e somos hoje um dos dois Estados brasileiros que mais avançou nesta área. Os 126 Centros da Saúde da Criança e da Mulher, que já estamos construindo, vão fazer com que esses índices sejam reduzidos ainda mais.Na Segurança Pública, a implantação de um novo conceito de segurança: a Polícia Comunitária, próxima das pessoas, integrada com elas e interagindo com elas.Daí o Projeto Povo, a Patrulha Escolar, os Bombeiros Comunitários, o Geoprocessamento do Crime, os Conselhos de Segurança. Reequipamos as Polícias Civil e Militar, aumentamos o efetivo, reajustamos os vencimentos. Avançamos, mas temos a consciência de que ainda há muito o que fazer.Para gerar mais empregos, para incentivar investimentos e aumentar a produção aplicamos a mais ousada política fiscal do país, que agora serve de inspiração ao governo federal ao editar a Lei Geral da Microempresa. Hoje, 172 mil micro e pequenas empresas paranaenses são beneficiadas pela isenção de ICMS ou pela redução do imposto.Os resultados espelham-se no alargamento da longevidade das empresas paranaenses, bem superior à média nacional, e, principalmente, na criação de novos empregos. Do início do nosso mandato, até novembro de 2006, foram criados no Paraná 365.623 empregos com carteira assinada, resultado da política do Paraná somada à política do presidente Luis Inácio Lula da Silva.Nos oito anos do governo que nos antecedeu não foram criados mais que 38 mil empregos formais. A diferença é notável. Pena que a nossa imprensa, tão rápida na crítica, não tenha se debruçado sobre esse espantoso confronto de números e não tenha feito uma das perguntas básicas da boa reportagem: Por quê?O programa do microcrédito, que tanto sucesso fez neste primeiro governo, alavancando milhares de pequenos negócios, terá dobrado os seus recursos. Vão ser agora 160 milhões de reais para financiar quem queira abrir um negócio ou ampliar o que já tem. Concluímos nesse dezembro o ingente esforço de recuperação da malha rodoviária estadual. Mais de cinco mil quilômetros devolvidos ao trânsito seguro dos paranaenses. Sem pedágio. Com isso, temos prontas as condições para a implantação de um novo projeto, Os Caminhos da Liberdade, oferecendo alternativas às estradas pedagiadas. Não descuramos a batalha contra o abuso do pedágio. As concessionárias fecham o ano com uma arrecadação estimada de 735 milhões de reais e nem 30 por cento disso foram aplicados em benefícios para os usuários. É por isso que temos mais de 40 ações na Justiça contra o abuso das tarifas e o descumprimento dos contratos.A luta contra os interesses dominantes do mercado se fez também com a implantação do software livre. Com isso, buscamos não apenas universalizar, democratizar o acesso à informática como também economizamos recursos financeiros para o Estado. Desde que o software livre foi implantado, em maio de 2003, até agora já economizamos 147 milhões de reais, dinheiro que desperdiçaríamos com as empresas que monopolizam o setor.Além dos programas sociais da água, do leite e da luz, dos avanços na educação, da política fiscal, da geração de novos empregos, da construção de estradas e hospitais, uma das ações que mais me empolga, mobiliza e emociona é o programa de construção de Bibliotecas Públicas em todo o Paraná. Breve, cada município paranaense, por menor e distante que seja, vai ter a sua Biblioteca, bem provida de livros, interligada à Internet. Vocês não imaginam o efeito transformador que uma Biblioteca tem sobre as nossas comunidades, especialmente nas cidades do interior. Elas são a porta para um mundo maravilhoso, para a criação, para a fantasia, para a formação. Criado em uma biblioteca, sei do que falo. O Fundo de Aval, para dar suporte aos nossos agricultores familiares, é também um outro programa vitorioso. Neste novo mandato, iremos além. Vamos investir um bilhão e trezentos milhões de reais para diversificar a agricultura, para industrializar a produção agropecuária, para incentivar a produção agroecológica. Para o programa Panela Cheia, reservamos 100 milhões de reais; para o Fundo de Aval, 200 milhões; para o programa do trator solidário, 40 milhões, para começar a ação. Intensificaremos a irrigação noturna como meio seguro de aumentar a produtividade e minorar os efeitos das estiagens que têm se tornado tão freqüentes.Para enfim dar às 320 mil pequenas propriedades agrícolas em nosso Estado o apoio necessário, a fim de que se consolidem e se desenvolvam.Tantos avanços em tão pouco espaço de tempo não seriam possíveis se não recuperássemos a capacidade do Estado de pensar, de planejar, de executar. E se não contássemos com um corpo de funcionários públicos, de profissionais, tão eficiente e capaz como o que temos.Paranaenses. As bases para um novo salto estão construídas, solidamente construídas. As prioridades definidas. Os rumos claramente delineados. Os objetivos, evidentes. É a Educação, é a Saúde, é a Segurança, é a geração de empregos, é o incentivo a novos investimentos e ao aumento da produção, é o combate aos desequilíbrios sociais e aos descompassos entre as regiões. Enfim, acima de tudo, sobretudo, o povo, as pessoas. O progresso das pessoas, sua promoção, seu desenvolvimento, sua inclusão neste admirável mundo novo, neste tão injusto mundo novo. Nestes próximos quatro anos vamos radicalizar a política de defesa do meio ambiente.Não é possível mais contemporizar com a destruição.Vejam, oitenta e dois por cento dos brasileiros moram em nosso litoral. E, segundo especialistas, a prosseguir neste rumo insano o aquecimento global todo o nosso litoral vê-se ameaçado de inundações. É uma perspectiva apocalíptica.Ainda assim, a irresponsabilidade de meus adversários transformaram em mote de campanha a licença para a devastação ambiental.Não consideremos, não cederemos a pressões. A vida está acima do lucro imediato.Por fim, não poderia faltar uma palavra sobre comunicação, imprensa, que vou dizê-la mesmo contra o conselho dos que querem “deixar disso”, e para desassossego dos pregadores da cordialidade. O debate sobre o papel da imprensa no processo eleitoral ganhou o país. Pela primeira vez, em tantas décadas, a mídia foi colocada sob suspeita. E criticada, coisa que ela detesta mais que o satanás dá água benta.A militância dos jornalões a favor de uma candidatura só não detectou quem não quis. Caso de má-fé cínica ou de ignorância córnea?Optaram sim por um lado, torceram e distorceram por ele e quando isso foi identificado e denunciado reagiram dizendo que se ameaçava a liberdade de imprensa.Não tiveram a coragem, o desassombro de assumir em editoriais a opção feita, mesmo que a não disfarçassem, mesmo que isso fosse refletido escandalosamente no tom reservado à cobertura de cada um dos candidatos. Fizemos um estudo criterioso, científico, estatisticamente responsável sobre o comportamento da mídia paranaense nas eleições estaduais. Os resultados todos conhecem, pois os divulgamos amplamente.Quando falamos em exclusão social e econômica, quando falamos sobre as desigualdades, os desequilíbrios, os privilégios nunca, ou quase nunca, fazemos referência ao monopólio da informação. Nunca mencionamos o domínio da mídia por determinados interesses e, por conseqüência, o afastamento de suas páginas, de seu vídeo e áudio dos interesses dos dominados, dos apartados, dos segregados, dos discriminados, dos trabalhadores, do povo, enfim. Que liberdade de imprensa é esta que acolhe sempre a voz dominante, a voz do mercado, dos poderosos? Que liberdade de imprensa é esta que restringe o acesso do povo e de suas manifestações? Que trata e maltrata os trabalhadores, quase sempre com desdém, com o corte da visão de classe senhorial? Que liberdade de imprensa é essa que, quando critica, quando acusa, mesmo que distorcendo os fatos, concede à parte ofendida, quando muito, uma misericordiosa meia linha, para que “o outro lado” se manifeste? É o acepipe cinicamente ofertado antes da execução.Não tenhamos ilusões, não sejamos ingênuos, não esperemos muito da grande mídia. Ela tem um lado, nós é que não aprendemos isso ainda e ficamos insistindo em um diálogo de surdos. Hoje, apenas seis redes privadas controlam 667 veículos – emissoras de TV, de rádio e jornais diários – atingindo 87 por cento dos domicílios, em 98 por cento dos municípios brasileiros. Há ainda quem ouse dizer que isso não é o monopólio da informação, que isso não é o controle da opinião pública, que isso não é uma verdadeira ditadura do pensamento dominante?É salutar que finalmente o poder da grande mídia comece a ser colocado em xeque e a sua credibilidade como agente formador da opinião pública seja questionada.Mas que comunicação queremos? Queremos uma comunicação de interesse público. Que estimule o debate. Que tenha compromisso com a formação, a educação e a construção da cidadania. Que democratize e produza instrumentos de socialização da informação. Que crie, utilize e valorize espaços de mídia alternativos, como as rádios comunitárias, a internet, os eventos públicos. Queremos uma comunicação que resista à hegemonia dos meios de comunicação de massa e crie referências críticas ao que eles veiculam, que não engulam tudo que os jornais nacionais, que as novelas buscam empurrar goela abaixo do povo. Queremos uma comunicação que busque o envolvimento da sociedade e estimule a sua participação. Queremos uma comunicação de mão dupla, que interaja, que comunique a diversidade de opiniões. Queremos uma comunicação que favoreça a inclusão do maior número de cidadãos no debate político. Nós queremos, enfim, uma comunicação popular, onde mil flores desabrochem e mil correntes de pensamento se rivalizem. Paranaenses, estes são os meus compromissos. E diante de minha mulher Maristela, dos meus filhos Maurício e Roberta, do Ricardo, renovo-os. Incluam-me em suas orações, peçam a Deus por mim, para que Ele me ilumine e me faça forte, firme e corajoso na defesa dos interesses do nosso povo. Ao trabalho, que temos mais quatro anos para consolidar as transformações que iniciamos e dizer ao Brasil que o caminho do Paraná é o caminho da libertação, da independência, da altivez, do compromisso com os interesses nacionais e populares.Afinal temos um lado. O lado da solidariedade, da generosidade. O lado do povo. O lado esquerdo do peito”.

E a fome; pode esperar?

A fome pode esperar?

Parece que nós os brasileiros influentes não acreditamos que alguém passe fome no Brasil e no Paraná. Habituados com o alto nível de vida que desfrutam, os brasileiros influentes, perdem sensibilidade e não conseguem avaliar qual é o drama de um desempregado ou o de um assalariado de baixa renda em manter a vida e saciar a fome, sua e de seus filhos.
Parece também que nós brasileiros de classe media e rica, não acreditamos verdadeiramente que há uma relação entre fome e desespero, e deste, passando pela desesperança, estreitam o relacionando com a violência e o cinismo. É obvio que algumas pessoas de muito boa índole, mesmo assim, na fome, resistem na honradez. Todavia a violência e cinismo podem ser conseqüências imediatas dos primeiros, fome e desespero. É possível também que os políticos não acreditem no preceito cristão de atender primeiramente aos que mais necessidade tem. Jamais ficaram em uma fila de pronto socorro publico, para compreender a profunda solidariedade humana de deixar desenvolver-se, ou melhor, desenrolar-se, diante da própria dor, da própria necessidade, e do próprio testemunho, a prática médica de atender aqueles de maior risco, ou seja, aqueles que mais necessidade de socorro tem, enquanto, aguardam, noite adentro o socorro de si próprios que nunca vêm. É duro. É árduo. Haja paciência. Duro é ter que dividir o Leite das Crianças, com os adultos da casa, para servir deixar de servir uma suculenta sopa de pura água e sal.
Portanto, não critiquem os programas de socorro á Fome, por mais falhas que apresentem.
No nosso caso, no caso do Paraná, temos o Programa do Leite.
É obvio que o programa de distribuição de leite, talvez mais racional, ou mais fácil de realizar que uma bolsa cesta básica, vem atendendo a população infantil, e para mim esta claro que haverá um resultado altamente positivo, tanto na saúde geral de nossas crianças carentes, como no futuro próximo, darão reflexo positivo no desempenho escolar, na saúde, no custo publico com os programas de saúde, como muito bem afirmava e provava o meu velho professor médico, Dr. Azor Cruz, na UFPR. Mas as pessoas não vivem só de leite.
Recentemente mandei projeto ao governo do estado numa tentativa e sugestão para somar-se às outras muitas alternativas de combate à fome.
A primeira proposição era a criação de lei do dizimo, onde produtores de quilate dispensassem o dizimo ao governo do Estado, em espécie, que seriam armazenados com o fim único de combate á fome. A segunda proposta demonstra abaixo.
A proposta, que nasceu num jantar com empresários, donos de restaurantes, era das mais simples e objetiva. Um deles, o maior restaurante representado naquela mesa, chega a produzir perto de dois mil quilos de sobra de comida. Sobra: é aquele comida que volta da mesa sem ser tocada pelo consumidor e são acrescidas, ainda, daquelas comidas que ficam na cozinha sem serem servidas e que são de difícil conservação. Sendo assim, podemos imaginar o volume de sobras de comidas lançadas fora, que serão posteriormente catadas nos lixões (aí sim totalmente contaminadas), ou, pelo contrario, serão doadas aos criadores de animais, e que poderiam servir, se tratadas, higienizadas, adequadamente acondicionadas ao programa “Fome Zero”. Convenhamos, dará algum trabalho, mas os resultados colherão com certeza.
Segundo os Secretários de Governo, dar sobra, restos de comida, não seria uma estratégia política adequada, não seria politicamente correto, além do que, é perigoso. Alias , concordo, é perigoso sim, mas o que é mais perigoso?... A fome e suas conseqüências sociais ou a tentativa de socorrer os nossos carentes que não tem outra opção digna?
“Vão dizer que estamos servindo lixo aos pobres”; alguém comentou.

Comemos muitas vezes e essa é a verdade, sobras de industrialização: do comércio, e ou manuseio e não sabemos. Usamos talvez as palavras erradas, ou, eu me pergunto, será que alimentar carentes dá é muito trabalho? Sobras de mesa e cozinha nada têm com excedentes de industrialização? São coisas diferentes? Comer nas Latas de Lixo é mais dignificante? Menos perigoso? Enfim não haverá quem se interesse pelo nosso projeto?
No programa do leite os produtores se interessaram. E o programa alçou vôo. E o programa esta ai, com ótimo desempenho política, regulando o setor e com clara e insofismável finalidade social.
Todavia não atendemos toda a gama de carentes, toda a necessidade alimentar, e o desperdício de comida ficam, em minha mente, como um crime social. Posso estar exagerando, mas insisto, é um crime social, tão grave como bater uma carteira para comer.
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Passados os anos aquele que tinha fome já se danou a criança anêmica já adquiriu seqüelas irreversíveis, ou sobreviveu, e se sobreviveu, parecem dizer os políticos, os ricos, os que só acreditam no Trabalho: para que a pressa?
Todavia eles não ficam um dia sequer sem farta mesa.
Vejamos o que queremos:
Uns poucos caminhões coletores (em alguns depósitos do governo há dezenas deles esperando leilão). Vasilhames adequados, higienizados, distribuídos antecipadamente aos restaurantes, uma esteira de raios ultravioleta esterilizantes, ou tecnologia de pasteurização ou desidratação, e teríamos seguramente, oriundas das sobras, muitos milhares de refeições para serem distribuídas em refeitórios comunitários nas vilas e favelas, nas creches, nas igrejas, nas instituições de assistência, nas associações de bairro, em acampamentos, em todo o território do estado etc. e tal.
No Porto Publico de Paranaguá, por exemplo, a varredura da soja, e o “excedente de comercialização” e o “excedente da armazenagem” podem virar farelo, ou leite de soja, suficiente para alimentar Paranaguá inteira. (e isso já esta acontecendo) Sem contar as possibilidades do milho e outros grãos. E as safras, isto é, as perdas de transporte, ou de coleta, que ficam no chão ( perdas) por falta de tecnologia representa 10% da safra. E os frutos que apodrecem nas árvores por falta de preço? É preciso uma solução solidária. Uma infra-estrutura de produção de sucos. Como o Estado existe para zelar pelo bem comum, e suprir, subsidiar, e ou executar aquilo, que para a iniciativa privada, sempre ávida de lucro, não interessa; o Estado pelo contrario, têm obrigação de recuperar. Aos famintos, resta apenas esperar indefinidamente o socorro do Estado ( prefeituras, estados e União), e sofrer as conseqüências, enquanto não há melhor redistribuição das riquezas. Apelo, aos deputados e governo que reavaliem, e se possível executem, com parceria das prefeituras e com a sociedade do Programa do Leite, o projeto “A fome não pode esperar”. Certo que pessoas alimentadas, ainda que com algum custo público, redundará em testemunho de solidariedade, e em economia nas áreas de atendimento à saúde num futuro bem próximo.

Wallace Requião de Mello e Silva.

E a fome; pode esperar?

A fome pode esperar?

Parece que nós os brasileiros influentes não acreditamos que alguém passe fome no Brasil e no Paraná. Habituados com o alto nível de vida que desfrutam, os brasileiros influentes, perdem sensibilidade e não conseguem avaliar qual é o drama de um desempregado ou o de um assalariado de baixa renda em manter a vida e saciar a fome, sua e de seus filhos.
Parece também que nós brasileiros de classe media e rica, não acreditamos verdadeiramente que há uma relação entre fome e desespero, e deste, passando pela desesperança, estreitam o relacionando com a violência e o cinismo. É obvio que algumas pessoas de muito boa índole, mesmo assim, na fome, resistem na honradez. Todavia a violência e cinismo podem ser conseqüências imediatas dos primeiros, fome e desespero. É possível também que os políticos não acreditem no preceito cristão de atender primeiramente aos que mais necessidade tem. Jamais ficaram em uma fila de pronto socorro publico, para compreender a profunda solidariedade humana de deixar desenvolver-se, ou melhor, desenrolar-se, diante da própria dor, da própria necessidade, e do próprio testemunho, a prática médica de atender aqueles de maior risco, ou seja, aqueles que mais necessidade de socorro tem, enquanto, aguardam, noite adentro o socorro de si próprios que nunca vêm. É duro. É árduo. Haja paciência. Duro é ter que dividir o Leite das Crianças, com os adultos da casa, para servir deixar de servir uma suculenta sopa de pura água e sal.
Portanto, não critiquem os programas de socorro á Fome, por mais falhas que apresentem.
No nosso caso, no caso do Paraná, temos o Programa do Leite.
É obvio que o programa de distribuição de leite, talvez mais racional, ou mais fácil de realizar que uma bolsa cesta básica, vem atendendo a população infantil, e para mim esta claro que haverá um resultado altamente positivo, tanto na saúde geral de nossas crianças carentes, como no futuro próximo, darão reflexo positivo no desempenho escolar, na saúde, no custo publico com os programas de saúde, como muito bem afirmava e provava o meu velho professor médico, Dr. Azor Cruz, na UFPR. Mas as pessoas não vivem só de leite.
Recentemente mandei projeto ao governo do estado numa tentativa e sugestão para somar-se às outras muitas alternativas de combate à fome.
A primeira proposição era a criação de lei do dizimo, onde produtores de quilate dispensassem o dizimo ao governo do Estado, em espécie, que seriam armazenados com o fim único de combate á fome. A segunda proposta demonstra abaixo.
A proposta, que nasceu num jantar com empresários, donos de restaurantes, era das mais simples e objetiva. Um deles, o maior restaurante representado naquela mesa, chega a produzir perto de dois mil quilos de sobra de comida. Sobra: é aquele comida que volta da mesa sem ser tocada pelo consumidor e são acrescidas, ainda, daquelas comidas que ficam na cozinha sem serem servidas e que são de difícil conservação. Sendo assim, podemos imaginar o volume de sobras de comidas lançadas fora, que serão posteriormente catadas nos lixões (aí sim totalmente contaminadas), ou, pelo contrario, serão doadas aos criadores de animais, e que poderiam servir, se tratadas, higienizadas, adequadamente acondicionadas ao programa “Fome Zero”. Convenhamos, dará algum trabalho, mas os resultados colherão com certeza.
Segundo os Secretários de Governo, dar sobra, restos de comida, não seria uma estratégia política adequada, não seria politicamente correto, além do que, é perigoso. Alias , concordo, é perigoso sim, mas o que é mais perigoso?... A fome e suas conseqüências sociais ou a tentativa de socorrer os nossos carentes que não tem outra opção digna?
“Vão dizer que estamos servindo lixo aos pobres”; alguém comentou.

Comemos muitas vezes e essa é a verdade, sobras de industrialização: do comércio, e ou manuseio e não sabemos. Usamos talvez as palavras erradas, ou, eu me pergunto, será que alimentar carentes dá é muito trabalho? Sobras de mesa e cozinha nada têm com excedentes de industrialização? São coisas diferentes? Comer nas Latas de Lixo é mais dignificante? Menos perigoso? Enfim não haverá quem se interesse pelo nosso projeto?
No programa do leite os produtores se interessaram. E o programa alçou vôo. E o programa esta ai, com ótimo desempenho política, regulando o setor e com clara e insofismável finalidade social.
Todavia não atendemos toda a gama de carentes, toda a necessidade alimentar, e o desperdício de comida ficam, em minha mente, como um crime social. Posso estar exagerando, mas insisto, é um crime social, tão grave como bater uma carteira para comer.
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Passados os anos aquele que tinha fome já se danou a criança anêmica já adquiriu seqüelas irreversíveis, ou sobreviveu, e se sobreviveu, parecem dizer os políticos, os ricos, os que só acreditam no Trabalho: para que a pressa?
Todavia eles não ficam um dia sequer sem farta mesa.
Vejamos o que queremos:
Uns poucos caminhões coletores (em alguns depósitos do governo há dezenas deles esperando leilão). Vasilhames adequados, higienizados, distribuídos antecipadamente aos restaurantes, uma esteira de raios ultravioleta esterilizantes, ou tecnologia de pasteurização ou desidratação, e teríamos seguramente, oriundas das sobras, muitos milhares de refeições para serem distribuídas em refeitórios comunitários nas vilas e favelas, nas creches, nas igrejas, nas instituições de assistência, nas associações de bairro, em acampamentos, em todo o território do estado etc. e tal.
No Porto Publico de Paranaguá, por exemplo, a varredura da soja, e o “excedente de comercialização” e o “excedente da armazenagem” podem virar farelo, ou leite de soja, suficiente para alimentar Paranaguá inteira. (e isso já esta acontecendo) Sem contar as possibilidades do milho e outros grãos. E as safras, isto é, as perdas de transporte, ou de coleta, que ficam no chão ( perdas) por falta de tecnologia representa 10% da safra. E os frutos que apodrecem nas árvores por falta de preço? É preciso uma solução solidária. Uma infra-estrutura de produção de sucos. Como o Estado existe para zelar pelo bem comum, e suprir, subsidiar, e ou executar aquilo, que para a iniciativa privada, sempre ávida de lucro, não interessa; o Estado pelo contrario, têm obrigação de recuperar. Aos famintos, resta apenas esperar indefinidamente o socorro do Estado ( prefeituras, estados e União), e sofrer as conseqüências, enquanto não há melhor redistribuição das riquezas. Apelo, aos deputados e governo que reavaliem, e se possível executem, com parceria das prefeituras e com a sociedade do Programa do Leite, o projeto “A fome não pode esperar”. Certo que pessoas alimentadas, ainda que com algum custo público, redundará em testemunho de solidariedade, e em economia nas áreas de atendimento à saúde num futuro bem próximo.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Nossas pequenas cidades careciam de equipamentos culturais.

A maioria das pequenas cidades do Paraná não possuem cinema ,teatro ou livrarias.

Acabo de descobrir a América. A maioria das cidades paranaenses não tem cinema. Pode-se dizer mais, a maioria das prefeituras não tem como meta, ou projetos, essas áreas culturais que põe em cheque o nível cultural dos paranaenses. Eu penso em cinemas municipais, como incentivo a reunião de pessoas, fomento á arte cinematográfica, forma de divulgar projetos municipais estaduais e federais através de áudio visuais, e proporcionar aquele lazer agradável, que só as reuniões em cinemas despertam.
A primeira coisa que me vêm à mente é porque a Gazeta é a Escola Publica de Cinema e TV do Paraná? Se vamos produzir cinema, é preciso possuir salas para mostrá-los. Em segundo lugar, me vem à mente, o seguinte: TVs Comunitárias regionais. Ora se o governo do Estado esta formando técnicos e produtores de TV, é preciso ofertar campo de trabalho.
Os críticos da área Cultural, quase todos privatistas, não querem correr riscos, investir capitais em áreas de retorno duvidoso, e esperam ou induzem que o governo faça por eles o que eles não querem fazer.
Eles que defendem tanto a privatização, porque insistem que o poder público deve dar cinemas, teatros e livrarias? Ora o Estado para essa gente só serve para criar negócios para editoras, distribuidores de filmes, e artistas profissionais. Acontece que o governo do estado, já percebeu isso desde muito e esta agindo. Como?
Criou um meio termo, formação e criação de hábitos, mais do que criação de mercados com dinheiro publico ou com necessidades publicas. Como?
Primeiro criando bibliotecas publicas. Sim porque livrarias, são negócios privados de venda de livros, coisa de empreendedores, que não correm o risco de se instalar em cidades pequenas.
O mesmo se diga de cinemas e teatros.
Quando Aníbal Requião fundou o Cine Smart em Curitiba, seis anos antes do cinema de Francisco Serrador, sendo o Cine Smart o primeiro cinema do Paraná (perguntem ao Cid Destefani) ele investiu do próprio bolso em uma cidade minúscula que era a Curitiba daqueles anos. Por paixão, pois suas sessões eram gratuitas. O governo foi além, pensou que o habito da leitura começa em casa, mas, na falta desse habito familiar o começo pode ser e deve ser na escola. Então, ao invés de servir as grandes editoras comprando nove livros para cada um dos quase três milhões de estudantes, editou, a baixo custo, uma serie de livros públicos. E abriu, para não excluir as Editoras, pois ao Estado não cabe a edição de certos temas e assuntos, e nos ofertou e aos cidadãos das pequenas cidades, um conjunto de livros comprados no mercado, criando Bibliotecas Públicas; Biblioteca Cidadãs com um acervo básico. Ou seja, plantou a semente do habito da leitura, e deu os meios. Ora, fez mais do que isso, em cada Biblioteca, colocou um centro de informática, onde o cidadão pode no computador baixar o filme que quiser e assisti-lo, navegar pelo mundo, informar-se do que queira, seja informação técnica, seja entretenimento. O governo do estado luta para criar a mentalidade de pesquisa e leitura nas nossas crianças. A mentalidade da descoberta. Quando as crianças tiverem criado essa autonomia, sim, aí então as editoras poderão bater nas casas delas para vender livro, abrir livrarias, vender equipamentos de informática. Os cinemas poderão recriar a alegria coletiva do assistir em comunidade as emoções da tela, e o teatro ressurgirá.
Falando em teatro, “A Fera”, programa em andamento da Secretaria de Educação, corre no mesmo sentido, e tem realizado um trabalho esplendido, dando oportunidade aos jovens alunos do Paraná para realizarem peças e apresentações, sentindo a realidade do teatro, e criando o ambiente futuro. Pois se hoje, os paranaenses, não têm vontade de escrever, como escrever peças, roteiros, ou por elas se interessar há um por quê? É preciso experimentar o palco. E para isso haveria de existir um cine teatro municipal. Por outro lado até ontem, tínhamos meio milhão de analfabetos. Não se podia esperar deles textos. O fenômeno também traduz o quão pouco a nossa sociedade exige da leitura. Logo, logo eles estarão lendo, e criando uma nova necessidade a leitura. E quem lê e gosta, compra livros. Sim, compra jornais, compram volumes da Bíblia, histórias, romance, ciência, poesia, num crescendo ótimo que cada alma haverá de impor o ritmo e o interesse particular de cada um, embora já não se possa acusar o Governo do Estado de Omissão. O Governo do Estado faz a sua parte, só não sei como não vê.
Se você leu este texto até aqui, e pensou um pouquinho, e tem alguma influencia política em seu município, já sabe que há algo por fazer. Obter uma concessão de TV Comunitária, construir o Cine Teatro Municipal, fazer com que os professores exijam dos alunos consultas nas Bibliotecas Comunitárias e a utilizarem os centros de Informática para os seus trabalhos escolares.
Uma das coisas que mais me impressionaram numa viagem que fiz, foi ler na entrada das pequenas cidades, placas com a seguinte inscrição: Sejam bem vindos, temos X numero de habitantes, conheça a nossa biblioteca.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Nossas pequenas cidades careciam de equipamentos culturais.

A maioria das pequenas cidades do Paraná não possuem cinema ,teatro ou livrarias.

Acabo de descobrir a América. A maioria das cidades paranaenses não tem cinema. Pode-se dizer mais, a maioria das prefeituras não tem como meta, ou projetos, essas áreas culturais que põe em cheque o nível cultural dos paranaenses. Eu penso em cinemas municipais, como incentivo a reunião de pessoas, fomento á arte cinematográfica, forma de divulgar projetos municipais estaduais e federais através de áudio visuais, e proporcionar aquele lazer agradável, que só as reuniões em cinemas despertam.
A primeira coisa que me vêm à mente é porque a Gazeta é a Escola Publica de Cinema e TV do Paraná? Se vamos produzir cinema, é preciso possuir salas para mostrá-los. Em segundo lugar, me vem à mente, o seguinte: TVs Comunitárias regionais. Ora se o governo do Estado esta formando técnicos e produtores de TV, é preciso ofertar campo de trabalho.
Os críticos da área Cultural, quase todos privatistas, não querem correr riscos, investir capitais em áreas de retorno duvidoso, e esperam ou induzem que o governo faça por eles o que eles não querem fazer.
Eles que defendem tanto a privatização, porque insistem que o poder público deve dar cinemas, teatros e livrarias? Ora o Estado para essa gente só serve para criar negócios para editoras, distribuidores de filmes, e artistas profissionais. Acontece que o governo do estado, já percebeu isso desde muito e esta agindo. Como?
Criou um meio termo, formação e criação de hábitos, mais do que criação de mercados com dinheiro publico ou com necessidades publicas. Como?
Primeiro criando bibliotecas publicas. Sim porque livrarias, são negócios privados de venda de livros, coisa de empreendedores, que não correm o risco de se instalar em cidades pequenas.
O mesmo se diga de cinemas e teatros.
Quando Aníbal Requião fundou o Cine Smart em Curitiba, seis anos antes do cinema de Francisco Serrador, sendo o Cine Smart o primeiro cinema do Paraná (perguntem ao Cid Destefani) ele investiu do próprio bolso em uma cidade minúscula que era a Curitiba daqueles anos. Por paixão, pois suas sessões eram gratuitas. O governo foi além, pensou que o habito da leitura começa em casa, mas, na falta desse habito familiar o começo pode ser e deve ser na escola. Então, ao invés de servir as grandes editoras comprando nove livros para cada um dos quase três milhões de estudantes, editou, a baixo custo, uma serie de livros públicos. E abriu, para não excluir as Editoras, pois ao Estado não cabe a edição de certos temas e assuntos, e nos ofertou e aos cidadãos das pequenas cidades, um conjunto de livros comprados no mercado, criando Bibliotecas Públicas; Biblioteca Cidadãs com um acervo básico. Ou seja, plantou a semente do habito da leitura, e deu os meios. Ora, fez mais do que isso, em cada Biblioteca, colocou um centro de informática, onde o cidadão pode no computador baixar o filme que quiser e assisti-lo, navegar pelo mundo, informar-se do que queira, seja informação técnica, seja entretenimento. O governo do estado luta para criar a mentalidade de pesquisa e leitura nas nossas crianças. A mentalidade da descoberta. Quando as crianças tiverem criado essa autonomia, sim, aí então as editoras poderão bater nas casas delas para vender livro, abrir livrarias, vender equipamentos de informática. Os cinemas poderão recriar a alegria coletiva do assistir em comunidade as emoções da tela, e o teatro ressurgirá.
Falando em teatro, “A Fera”, programa em andamento da Secretaria de Educação, corre no mesmo sentido, e tem realizado um trabalho esplendido, dando oportunidade aos jovens alunos do Paraná para realizarem peças e apresentações, sentindo a realidade do teatro, e criando o ambiente futuro. Pois se hoje, os paranaenses, não têm vontade de escrever, como escrever peças, roteiros, ou por elas se interessar há um por quê? É preciso experimentar o palco. E para isso haveria de existir um cine teatro municipal. Por outro lado até ontem, tínhamos meio milhão de analfabetos. Não se podia esperar deles textos. O fenômeno também traduz o quão pouco a nossa sociedade exige da leitura. Logo, logo eles estarão lendo, e criando uma nova necessidade a leitura. E quem lê e gosta, compra livros. Sim, compra jornais, compram volumes da Bíblia, histórias, romance, ciência, poesia, num crescendo ótimo que cada alma haverá de impor o ritmo e o interesse particular de cada um, embora já não se possa acusar o Governo do Estado de Omissão. O Governo do Estado faz a sua parte, só não sei como não vê.
Se você leu este texto até aqui, e pensou um pouquinho, e tem alguma influencia política em seu município, já sabe que há algo por fazer. Obter uma concessão de TV Comunitária, construir o Cine Teatro Municipal, fazer com que os professores exijam dos alunos consultas nas Bibliotecas Comunitárias e a utilizarem os centros de Informática para os seus trabalhos escolares.
Uma das coisas que mais me impressionaram numa viagem que fiz, foi ler na entrada das pequenas cidades, placas com a seguinte inscrição: Sejam bem vindos, temos X numero de habitantes, conheça a nossa biblioteca.

Wallace Requião de Mello e Silva.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Segurança e Beleza para nossas cidades.

Emprego, segurança e beleza para as pequenas, mediam e grandes cidades paranaenses.

Wallace Requião de Mello e Silva.

Quem lê esse titulo acima deve pensar em milagre. Bruxaria talvez. Uma receita magica para resolver três itens problemáticos capazes de garantir qualidade de vida dos nossos cidadãos. Mas não é nada disso.
Quando eu nasci, há pouco mais de cinqüenta anos, existia, em Curitiba, a figura simpática da Guarda Urbana. Acabou. Ela cumpria uma função de segurança patrimonial. Em Cuba, por exemplo, existe o Inspetor de Quarteirão, mas esse é uma espécie de guarda ideológico, um policia de fofocas contrarias ao governo. O que vou propor aqui é algo bem diferente. Trata-se de um Zelador de Quarteirão. Algo como um zelador de condomínio. Um caseiro de chácara. Um homem amadurecido, de preferencia aposentado, que cuida, literalmente, do quarteirão, fazendo subsidiariamente aquilo que é esquecido pelo pode publico. Consertos nas calçadas, ajardinamento, vigilância patrimonial, alerta de incêndios, anotando serviços omitidos pelos órgãos públicos e informando as autoridades, tudo custeado pelo salário recebido dos proprietários e moradores dos imóveis ali existentes, como se fosse um condomínio de Quarteirão, livre, econômico, sem sindico e voluntário na contribuição de melhorias.
Imagino que esse Zelador pudesse viver em uma estrutura adequada no próprio quarteirão, e dispusesse de um telefone publico, para chamar a policia, os bombeiros, os serviços públicos, como coleta de lixo, Sanepar ou Copel; e até o Siate, por exemplo. Um homem que amasse seu quarteirão como os antigos jardineiros amavam os jardins que cuidavam. Um ininterrupto processo de valoração do quarteirão melhor cuidado em cada área da cidade resultaria em prêmio em dinheiro para o Zelador. Como ele, em contato com os outros quatro Zeladores dos quatro quarteirões vizinhos se comunica, isso estabelece uma rede de informação, que pode se assim se desejar, coibir até mesmo o tráfico local de drogas, ou outras situações de risco social. Como Curitiba, pelo cálculo que fiz, possui cerca de dezesseis mil quarteirões na sua zona urbana, uma adequação necessária das leis municipais e trabalhista permitiria, e empregariam preferencialmente na terceira idade dezesseis mil Zeladores, que se bem conduzidos e orientados pelos prefeitos, fariam das nossas cidades verdadeiros jardins.
A idéia não é má, e pode ser realizada como um pouquinho de boa vontade. No litoral, por exemplo, esse trabalho, modificaria completamente o quadro urbano em um espaço de seis meses.
Alguém quer tentar? Há algum prefeito ousado em uma pequena cidade capaz de implantar um modelo que venha a ser o ideal para o Paraná?

Wallace Requião de Mello e Silva.