Seja bem vindo.

O Grupo de Estudos 23 de Outubro mantém 11 Blogs, eles falam de moralidade, política, nacionalismo, sociedade e Fé. Se você gostar inscreva-se como seguidor, ou divulgue nosso Blog clicando sobre o envelope marcado com uma flecha ao fim de cada texto. Agradecemos seu comentário. Obrigado pela visita.
www.G23Presidente.blogspot.com




wallacereq@gmail.com.







quinta-feira, 16 de abril de 2015

Resumo do Seminário Crise, Rumos & Verdades, segundo a Agência de Noticias do Governo do Paraná.

Requião enaltece diversidade de opiniões ao abrir seminário sobre crise econômica - 07/12/2008 21:05:58 O governador Roberto Requião enalteceu a diversidade de opiniões e o debate sobre alternativas para as economias brasileira e mundial ao abrir neste domingo (7), em Curitiba, o seminário internacional "Crise — Rumos e Verdades". O evento reúne economistas, professores e administradores da Itália, Inglaterra, Alemanha, China, Argentina, Venezuela, México, Rússia, Equador e Estados Unidos para debater até a próxima quinta-feira (11) os efeitos da crise do capitalismo global.
"O Governo do Paraná chegou à conclusão de que deveria colocar sua televisão pública a serviço do aprofundamento do debate sobre a crise por que passa todo o mundo, hoje. Era preciso estabelecer a multiplicidade das opiniões e análises", disse Requião. "Teremos aqui várias correntes de pensamento, várias análises da crise que vivemos, da grande crise do capitalismo no mundo", falou o governador, na solenidade realizada no auditório principal do Canal da Música.
"O apoio para que realizássemos esse seminário surgiu de intelectuais como (os economistas) Carlos Lessa e Darc Costa. Conseguimos construir aqui um espaço magnífico de debates. Mas é preciso chamar a atenção para um ponto. Temos aqui correspondentes de jornais e agências de notícias chineses, italianos, dos países árabes, africanos, ingleses, uruguaios, peruanos e panamenhos. O mundo interessado no que acontece aqui. Mas vocês notaram que não tivemos a inscrição de nenhum dos grandes veículos, dos jornalões do Brasil, com exceção da revista CartaCapital, que irá publicar um encarte especial reunindo tudo o que será discutido aqui", falou Requião.
"A grande mídia é unilateral. Nas grandes redes de televisão, não temos um dado sobre o México, nada sobre a Rússia. Era preciso estabelecer a multiplicidade das opiniões e análises. Conversei outro dia com a ministra (chefe da Casa Civil) Dilma Roussef, que me disse: 'Requião, é preciso que discutamos essa crise à exaustão'. É o que faremos aqui", afirmou o governador.
"O governo federal liberou depósitos compulsórios para os bancos, que não liberam crédito para a economia — em vez disso, aplicam o dinheiro em letras do tesouro. Então, já temos uma crise de crédito, além de um problema brutal de saída de recursos. Pois, se os dólares e outras moedas continuam entrando, já acumulamos um prejuízo de 7 bilhões de dólares no balanço de entradas e saídas, segundo o governo federal", apontou Requião.
"O que está acontecendo com o Brasil? Estamos no caminho certo? Vamos nos tornar uma grande plantation de commodities agrícolas, como as que os ingleses administravam na África e na Ásia? A ruralização da economia brasileira é suficiente para o País que queremos, ou precisamos, como acredito, pensar e investir na industrialização brasileira?", questionou o governador.
"Este seminário se tornou possível graças à colaboração do governo federal e ao apoio de empresas públicas do Paraná e da União. No último dia do evento, iremos publicar as despesas que fizemos, o que gastamos, e o valor da contribuição de cada órgão que participou da viabilização desse encontro", acrescentou.
Também participam da solenidade de abertura o vice-governador Orlando Pessuti, os economistas Carlos Lessa e Darc Costa, os presidentes da Gradiente, Eugênio Staub, e do Grupo Positivo, Oriovisto Guimarães, o superintendente comercial para a Região Sul do Banco do Brasil, João Carlos de Nóbrega Pecego, o diretor-administrativo do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Airton Pisseti, o diretor-financeiro do BRDE, Renato de Mello Viana, os presidentes da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), Ardisson Akel, e do Sistema Fecomércio, Darci Piana.
Governo do Paraná vai elaborar documento com propostas do seminário internacional - 11/12/2008 17:59:04 O governador Roberto Requião disse nesta quinta-feira (11), no encerramento do seminário internacional "Crise – Rumos e verdades", em Curitiba, que será elaborado pelo Governo do Paraná um documento reunindo as idéias e propostas dos palestrantes brasileiros e estrangeiros durante os cinco dias do evento. Além disso, serão gravados CDs e enviados a governos estaduais, escolas de economia, conselhos regionais de economia e bibliotecas.
"A idéia era que, com as multiplicidades de perspectivas, com a observação de outros países, pudéssemos articular uma bateria de sugestões para o enfretamento do problema no Brasil", disse Requião. De acordo com o governador, o documento "será escrito com mais tempo porque as idéias dos cerca de 30 palestrantes, alemães, italianos, russos, americanos, argentinos, mexicanos, equatorianos e brasileiros não podem ser sintetizadas apenas em um fim de tarde".
Requião destacou ainda que o seminário foi financiado por órgãos federais, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e por empresas do Estado do Paraná. "Isso possibilitou concluir o processo de discussão e vai bancar a edição dos CDs", comentou.
"Na abertura do seminário, propus que ele não fosse gatopardiano, lampeduzziano, que não propusesse mudar alguma coisa para que tudo ficasse como está. As questões deveriam ser aprofundadas. Dediquei o seminário ao Brasil, ao Lula e às autoridades da República", salientou Requião.
EVENTO – Promovido pelo Governo do Paraná, o seminário começou no domingo (7), no Canal da Música, em Curitiba, e promoveu durante cinco dias, pela manhã e tarde, mesas com especialistas estrangeiros, que apresentaram suas perspectivas sobre a economia mundial. Foram debatidos temas como sistema monetário, organizações multilaterais, mudanças no setor financeiro, investimentos em programas sociais e integração de blocos.
De acordo com Requião, o seminário teve grande audiência – apenas na internet mais de 31 mil pessoas acessaram o evento, que também foi transmitido pela TV Paraná Educativa. "Na semana que vem, a Paraná Educativa deve entrar na SKY e poderá retransmitir as palestras", disse o governador. Nos cinco dias, 1,5 mil pessoas compareceram ao Canal da Música.
O encerramento teve a participação do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, e do de São Paulo, José Serra. Os especialistas estrangeiros que participaram do seminário foram Yury Gromyko (Rússia), Mario di Constanzo (México), Tom Palley (EUA), Mario Lettieri (Itália), Paolo Raimondi (Itália), Magnus Ryner, Lorenzo Carrasco (México), Alex Izurieta (ONU), Andrey Kobyakov (Rússia), Aldo Ferrer (Argentina), José Félix Rivas (Venezuela), Márco Naranjo Chiriboga (Equador).
Os palestrantes brasileiros foram Aloizio Mercadante, Maurílio Leopoldo Schimitt, José Carlos de Assis, Francisco de Assis Inocêncio, Márcio Henrique M. de Castro, Franklin Serrano, Carlos Medeiros, Ênio Verri, Wilson Cano, Márcio Pochman, Reinaldo Gonçalves, João Sicsú, Carlos Lessa, Darc Costa, Ricardo Carneiro, César Benjamin, Eugenio Staub, entre outros especialistas e autoridades.
Requião pede urgência em medidas para superar a crise - 11/12/2008 18:13:34 CRISE: RUMOS E VERDADES
O governador Roberto Requião reforçou a urgência de uma política nacional para a superação da crise econômica nesta quinta-feira (11), em Curitiba, ao encerrar o seminário internacional "Crise — Rumos e Verdades". O evento reuniu economistas, professores e administradores da Itália, Inglaterra, Alemanha, China, Argentina, Venezuela, México, Rússia, Equador e Estados Unidos para debater os efeitos da crise do capitalismo global. "Não podemos deixar a recessão ser iniciada", disse.
De acordo com Requião, a circulação do crédito, assim como a ampliação dos investimentos públicos são unanimidade entre os economistas no seminário. Como um alerta, o governador frisou que o país necessita também de uma política de juros diferente da praticada pelo Banco Central. "Hoje a Suíça e a Coréia do Sul anunciaram uma redução radical nas taxas de juros. Uma medida que se contrapõe radicalmente à estranha ciência do Banco Central do Brasil. Os governos do mundo baixam os juros para a manutenção do consumo. Todos os governos do mundo estão errados?", questionou Requião.
Ao apresentar como alternativa à crise a retomada do Estado como indutor do desenvolvimento do País, o governador apontou como emergencial, os investimentos em infra-estrutura e em obras com grande uso de mão-de-obra, para garantia do emprego no Brasil. Segundo o governador, acabou a idéia de "Estado mínimo tão repetida pela mídia".
A crise econômica mundial também ampliou a contradição entre nação e mercado. "A nação é preocupada com o processo civilizatório e cultural, ao passo que o mercado visa apenas ao lucro e à ganância. A nação é preocupada com a solidariedade e é com ela que devemos seguir", disse Requião. Ele apresentou um conjunto de ações pontuais para superar as dificuldades: "Controle de câmbio, centralização e estatização do crédito e a aceleração de investimentos públicos".
Senador Álvaro Dias diz que as soluções para a crise econômica devem ser globais - 11/12/2008 16:34:32 O senador do Paraná Álvaro Dias afirmou nesta quinta-feira (11), durante o encerramento do seminário "Crise – Rumos e verdades", em Curitiba, que o debate é o caminho mais acertado para o enfrentamento da crise econômica. "Cumprimento ao Governo do Paraná pela iniciativa e a quem veio oferecer sua contribuição para que se eleja o debate como o caminho para o encontro de soluções mais inteligentes para o enfrentamento da crise no Brasil", afirmou.
De acordo com Álvaro Dias, as discussões sobre a crise estão apenas começando e em 2009 deve haver um grande debate em busca de soluções para a economia mundial. "Vejo em nosso País poucas propostas que visem alavancar programas de desenvolvimento para enfrentar a crise. Certamente, este debate, que reúne especialistas de vários pontos do mundo, é um estímulo para que o debate interno se estabeleça a partir de agora", disse.
Para o senador, as soluções devem ser pensadas em conjunto entre os países e devem ser globais, já que a crise é mundial. "Portanto, deve-se excluir eventuais egoísmos deste ou daquele país", disse. "Não bastam ações de administração do sistema financeiro, é preciso que haja administração com competência. Muito mais que isso, a crise exige propostas que possam alavancar programas de desenvolvimento que façam frente às ameaças visíveis de recessão da economia mundial e da nossa economia", frisou.
Dias também destacou as idéias do economista Carlos Lessa sobre os impactos da crise. "Me lembro de que foi Carlos Lessa o primeiro dos especialistas que vi fazer um diagnóstico de profundidade, com rigor, desenhando exatamente as conseqüências terríveis que poderiam ocorrer em razão dessa hecatombe que se abateu sobre a economia mundial. Este discurso contrastava com o da marola. Os dias se passaram e, certamente, hoje, ninguém tem mais dúvidas de que o discurso da correção e inteligência econômica, sem dúvida, era o de Carlos Lessa", comentou.
José Serra sugere investimentos públicos para combater a crise - 11/12/2008 18:28:22 O Brasil deve tomar medidas mais ágeis em curto prazo para enfrentar a crise da economia mundial. Entre elas a manutenção dos investimentos dos Estados e da União, a queda da taxa de juros e a revisão da política de câmbio. As afirmações foram feitas pelo governador de São Paulo, José Serra, no encerramento do seminário "Crise: Rumos e Verdades", organizado pelo Governo do Paraná e que reuniu, nos últimos cinco dias, 1,5 mil pessoas entre economistas, sociólogos e professores universitários.
"O que vai acontecer no futuro vai depender das ações que tomarmos aqui no Brasil. Nós podemos transformar fatores adversos em fatores positivos", afirmou Serra, sugerindo também a necessidade de um projeto nacionalista de longo prazo. "Temos que entender que somos uma Nação que precisamos de uma política nacionalista como os outros países estão fazendo. Nós não podemos ter vergonha de ter a nossa política", acrescentou.
Essas medidas de curto prazo, segundo Serra, elevariam a confiança da população. "A confiança é questão chave hoje em dia. Confiança para gastar, para emprestar, para consumir. É muito importante elevar expectativas menos pessimistas em relação à crise", afirmou.
Serra puxou a responsabilidade para os Estados e para a União ao afirmar que há necessidade de manter os investimentos públicos. "Não podemos deixar o investimento cair. Isso ajuda no emprego e ajuda a sinalizar expectativas mais estáveis no conjunto da economia", afirmou.
Entre os fatores adversos, está a alta taxa de juros, que segundo o governador paulista está na origem da chegada da crise no Brasil. Serra, que é economista, criticou a decisão tomada nesta quarta-feira (10) pelo Banco Central de manter as taxas de juros em 13,75% ao ano, a maior do mundo. "Isso é um absurdo. Nós temos a maior taxa de juros há muito tempo. Estamos com contração do crédito, perspectivas de desemprego, deflação de commodities e os juros permanecem. Por outro lado, o mundo inteiro derrubou suas taxas, que já eram mais baixas que as do Brasil. Aqui não derruba. O custo disso, do ponto de vista econômico, é muito alto. Realmente não baixar os juros significa enfraquecer a confiança na economia", salientou.
Serra também pediu modificações urgentes na política cambial do Governo Federal. "O câmbio estava mega valorizado a troco de nada. Representou um problema que pode ser revertido. Ao diminuir as importações estaremos estimulando uma maior atividade interna. Por exemplo, a mudança do câmbio tende a valorizar o turismo no País", disse. Para ele, deveria haver também uma forma de controle da volatilidade do câmbio, que cria dificuldades em negociações que refletem em toda a economia. "Não há certeza de como vai ser o câmbio amanhã ou depois de amanhã. Gera um momento de incerteza fatal para a atividade econômica. Sem mudar o regime de flutuação cambial, devia o Banco Central praticar uma política que pudesse conferir um pouco mais de estabilidade", disse.
Assim como outros palestrantes, Serra afirmou que a crise abre também possibilidades para o Brasil crescer e se desenvolver. Ele citou o exemplo do enfretamento da crise de 1929, quando em 1932 iniciou um ciclo de crescimento que se encerrou no final da década de 70. "Temos que achar um novo caminho. A crise foi produzida pela interdependência da globalização. A globalização não vai desaparecer, mas ela vai mudar. Precisamos de uma estratégia para as mudanças que devem ocorrer na política comercial, principalmente americana", acrescentou.
Governador de Santa Catarina propõe a redução da dívida dos Estados com a União - 11/12/2008 19:11:37 CRISE: RUMOS E VERDADES
O Governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, propôs nesta quinta-feira (11) durante o encerramento do seminário Crise – Rumos e Verdades, em Curitiba, a redução de 30% do valor que é cobrado pela União em dívidas dos Estados. Este é, segundo ele, um dos maiores entraves que o Brasil tem para o desenvolvimento pleno e a medida ajudaria a combater os efeitos da crise global no sistema financeiro.
Ele lembrou que os Estados brasileiros pagam 13% de suas receitas liquidas reais numa dívida consolidada com a União. "A proposta que fiz ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e vou fazer ao presidente Lula é que os Estados retenham 30% do pagamento da dívida e os transforme em investimentos na infra-estrutura, em um programa combinado com o Governo Federal", afirmou.
"Em dez anos o Governo Federal enxergaria quanto deixou de receber e tenho certeza de que o desenvolvimento dos Estados representaria muito mais para a União", afirmou, salientando que neste cenário a dívida presente poderia ser enxergada como crédito para mais investimentos.
De acordo com Luiz Henrique, a centralização é um dos maiores bloqueios ao crescimento do País. Ele considera a proposta que fez fundamental para o desenvolvimento baseado na infra-estrutura. "O Brasil concentra 60% da arrecadação tributária nas mãos da União, apenas 12% para os municípios e 22% para os Estados. E é nos municípios que nós vivemos e é lá que cresce a cidadania. Os prefeitos são os agentes que têm menos recursos para atender à demanda. Os Estados, como os maiores articuladores, perdem também a capacidade de suprir a necessidade e serem financiadores do desenvolvimento" explicou.
"Temos que tomar uma oportunidade nesta crise. O poder público é em todo mundo o grande indutor da geração de empregos, o grande acelerador da geração de riquezas. Em Santa Catarina toda a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Serviços (ICMS) tem destino certo, não sobra praticamente nada para investimento e essa é uma realidade muito mais forte no Norte e Nordeste", disse Luiz Henrique.
"A redução de 30% da dívida representaria um grande programa de aceleração do crescimento, porque não dependeria de repasses da União para os Estados. Eles teriam os recursos já disponíveis", disse. De acordo com o governador de Santa Catarina, a retenção de uma parte da dívida dos Estados com a União poderia ser usada para a elaboração de um programa de combate emergencial a fenômenos climáticos, como as enchentes, que já somaram um prejuízo de R$ 72 milhões no estado vizinho e causou 152 mortes. "Fenômenos semelhantes já ocorreram nas bacias dos rios Iguaçu e Paraná e o Jacuí, no Rio Grande do Sul. É preciso que façamos o que foi feito no Vale do Rio Tenessee, nos Estados Unidos, que se estabeleçam normas, ações e obras de engenharia que regularizem as vazões dos rios, impeçam inundações e viabilizem a fertilização de regiões e promovam o reflorestamento e o desenvolvimento", disse.
O governador Luiz Henrique vai receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (12), em Navegantes, para um sobrevôo às cidades de Ilhota, Luiz Alves e Gaspar. No programa ainda consta uma visita aos desabrigados de Blumenau e Itajaí.
Pochmann: "saídas para a crise, mais que econômicas, devem ser políticas" - 10/12/2008 19:01:43As saídas para deter os efeitos da crise no Brasil são políticas, mais que econômicas, disse nesta quarta-feira (10) o economista Marcio Pochman, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "O Brasil foi um dos primeiros países a sair da crise de 1929, porque reorientou seu projeto de nação. Washington Luis (último presidente da república velha) dizia que a crise do café seria superada com o plantio da laranja. O que seríamos, hoje, se tivéssemos seguido essa idéia?", comparou, em sua participação no seminário internacional "Crise — Rumos e Verdades", organizado pelo Governo do Paraná em Curitiba.
"Os impactos da crise podem ser a saída da oposição para enterrar o governo Lula, com o resgate de idéias do passado. É absolutamente fundamental que nos próximos dois anos tenhamos uma visão ampla sobre como enfrentar a crise", alertou o economista. "Me entusiasmei por estar aqui (no seminário), pois acredito que é fundamental a construção de uma convergência política que dê condições ao Brasil de sair da crise em condições superiores às atuais", falou Pochman.
Ele defendeu mudanças na estrutura tributária brasileira para contrabalançar os efeitos imediatos da crise. "O Brasil não pode seguir financiando suas políticas públicas assentado na regressividade dos tributos. Hoje, 56% da arrecadação brasileira vem do imposto sobre consumo. O imposto sobre propriedade são apenas 3% do total. A tributação sobre patrimônio é nula. O IPTU, que é responsabilidade dos prefeitos e vereadores, também é regressivo. A forma como ele é aplicado, hoje, faz com que o morador de uma favela pague mais IPTU que o morador de uma mansão", afirmou.
O presidente do Ipea também defendeu intervenções coordenadas entre países para fazer frente à crise. "No mundo atual, empresas são maiores que países. As três maiores corporações do mundo têm faturamento equivalente ao PIB do Brasil. As 500 maiores corporações do mundo faturam o equivalente a 50% do PIB mundial. Como fazer a governança nessas circunstâncias, em que o setor privado tem um poder nunca antes visto? Ações supranacionais são absolutamente necessárias; não podemos contar apenas com decisões de internas. Dificilmente seremos uma ilha de prosperidade num mar de dificuldades", alertou.
"Acho que uma ação do Estado será necessária, mas ela precisam ir além de medidas keynesianas de regulação, especialmente num mundo globalizado, em que já internacionalização do capital em larga escala. Assim, tais medidas, no plano nacional, não serão suficientes como foram em 29. Precisamos de ações para além do nacional, e nesse sentido Brasil poderia ser protagonista de políticas no âmbito da América Latina. Espera-se que o Brasil assuma esse papel, assim como outros presidentes tentam fazer noutras regiões do mundo", disse Pochman.
O presidente do Ipea não acredita que o Pai entrará em recessão em 2009, mesmo com a crise, e disse que as estatísticas projetam um crescimento do Produto Interno Bruto de 2,8% no ano que vem. "Se não houver uma hecatombe, o Brasil cresce 2.8% em 2009, como resultado do crescimento de 2008, segundo as estatísticas", falou. Ainda assim, trata-se de fato a lamentar. "Haverá efeitos sociais. Se crescermos abaixo de 4,5%, não geraremos empregos para todos que chegam ao mercado, tampouco teremos condições de ocupar os 8,5 milhões de trabalhadores que estão desempregados, segundo o IBGE", explicou.
"Não teremos condições de dar seguimento ao interessante movimento que se verificava nos últimos dois anos — a redução da desigualdade no interior da renda do trabalho, em 2005/06, segundo IBGE, a renda do trabalho começou a crescer mais que renda dos proprietários. Era um movimento muito interessante, que havia muito tempo não era percebido no Brasil. Ao crescermos menos, essa trajetória está em xeque", disse Pochman.
Leia os principais trechos da apresentação de Pochman no seminário internacional "Crise — Rumos e Verdades".
SAÍDAS PARA A CRISE SÃO POLÍTICAS
"Não há dúvidas de que a crise, originária da principal economia do mundo, os Estados Unidos, que ainda detêm um quinto da economia mundial, e que avançou rapidamente para os países desenvolvidos, que detêm 50% do PIB mundial, terá impactos nada desprezíveis em países como o nosso."
"O Brasil não vai sair da crise com medidas exclusivamente econômicas. As saídas são políticas. É esse elemento que está faltando agora no Brasil. Me entusiasmei por estar aqui (no seminário), pois acredito que é fundamental a construção de uma convergência política que dê condições ao Brasil de sair da crise em condições superiores às atuais. Isso é plenamente possível, a despeito das dificuldades que temos, considerando que em outros momentos — em 1873, 1929, 1973 — momentos o Brasil soube se posicionar muito bem."
"O Brasil foi um dos primeiros países a sair da crise de 1929, porque reorientou então seu projeto de nação. Somos frutos das decisões tomadas àquela época. De lá, se construiu uma nova maioria, um horizonte para o país para pelo menos cinco décadas. Washington Luis (último presidente da república velha) dizia que a crise do café seria superada com o plantio da laranja. O que seríamos hoje se seguíssemos essa idéia?"
"Em 1973, quando o dólar deixa de ser conversível ao ouro e se abandonam as taxas de juros fixas, o Brasil também tomou decisões importantes. Se não foram as mais acertadas, ao menos o País foi pró-ativo, constituiu um plano nacional de desenvolvimento, para completar a estrutura industrial brasileira, para construir grandes projetos que ainda hoje nos auxiliam nas exportações, e para aliviar a política de arrocho salarial da época,com recuperação do salário-mínimo, e a primeira política de transferência de renda, a renda mensal vitalícia, de 1974, para pessoas em extrema pobreza. São exemplos estimulantes da história para construirmos uma nova maioria política no Brasil como passo fundamental para que enfrentemos a melhores condições essa crise."
CRISE PODE SER SAÍDA DA OPOSIÇÃO PARA ENTERRAR O GOVERNO LULA
"O enfrentamento da crise não se dará exclusivamente pelas ações dos brasileiros. A crise atual é mais grave, sistêmica, não se interromperá apenas pelo lado financeiro. Os efeitos da crise, apenas no setor financeiro, já permitem dizer que o estrago é superior à 1929, em termos das bolsas. E ela contaminou o setor produtivo, e daí saem efeitos sociais, e finalmente políticos. Na crise de 1929, 16 países da América Latina passaram por mudanças de governo. Os impactos dessa crise, no Brasil, podem ser a saída da oposição para enterrar o governo Lula, com o resgate de idéias do passado. É absolutamente fundamental que nos próximos dois anos tenhamos uma visão ampla sobre como enfrentar a crise."
"A crise é um colapso da saída pelo mercado, tentada sistematicamente ao longo das últimas três décadas, quando imaginava-se possível sustentar um enriquecimento fraudado pela financeirização. Não é sustentável, vemos um enorme descolamento entre o tamanho da riqueza real e os direitos à riqueza dados pelos ativos financeiros. A redução dessa diferença demandará um impacto de longa duração. Falamos de um PIB mundial de 65 trilhões de dólares e de ativos dez vezes maiores. Como compatibilizar isso? Apenas com um acerto via mercado, ou precisaremos de ação mais efetiva por parte do Estado?"
"Acho que uma ação do Estado será necessária, mas ela precisam ir além de medidas keynesianas de regulação, especialmente num mundo globalizado, em que já internacionalização do capital em larga escala. Assim, tais medidas, no plano nacional, não serão suficientes como foram em 29. Precisamos de ações para além do nacional, e nesse sentido Brasil poderia ser protagonista de políticas no âmbito da América Latina. Espera-se que o Brasil assuma esse papel, assim como outros presidentes tentam fazer noutras regiões do mundo."
MUNDO PÓS-CRISE SERÁ MULTIPOLAR
"A crise não é só sistêmica, mas é também estrutural. O mundo que saíra dela será muito diferente do que temos hoje. Haverá um espaço inegável para a América Latina, pois ela e a África foram talvez os continentes que mais perderam nas últimas três décadas. Em 1980, a América Latina respondia por 9,5% do PIB mundial. Em 2006, responde só por 7,5%, do PIB mundial, voltou a ser o que era nos anos 1950. Ao contrário, os países asiáticos eram 14,5% do PIB mundial em 1980 e hoje já respondem por um terço do total. Há um espaço a ser ocupado."
"Nosso poder é pequeno, mas não é desprezível, haja vista que as nações menos afetadas pela crise serão as mais populosas, com grandes territórios, como o Brasil, a Rússia, a China, a Índia. Aqui, há duas grandes questões a serem avaliadas. A primeira é o deslocamento do centro dinâmico do mundo para fora dos EUA. O mundo pós-crise deverá ter vários centros, não mais apenas um. A segunda é o profundo esvaziamento do sistema ONU. Não há uma reunião da ONU para tratar da crise dessa dimensão. Ela está escondida do âmbito das agências multilaterais. Onde estão o Banco Mundial, o FMI? O espaço ocupado minimamente vai para o G-20, que é reduzido dadas as proporções da crise que enfrentamos."
"O sistema ONU precisa ser repensado, foi construído quando países eram maiores que empresas. No mundo atual, empresas são maiores que países. As três maiores corporações do mundo têm faturamento equivalente ao PIB do Brasil. As 500 maiores corporações do mundo faturam o equivalente a 50% do PIB mundial. Como fazer a governança nessas circunstâncias, em que o setor privado tem um poder nunca antes visto? Ações supranacionais são absolutamente necessárias; não podemos contar apenas com decisões de internas. Dificilmente seremos uma ilha de prosperidade num mar de dificuldades."
UMA GLOBALIZAÇÃO DIFERENTE
"Devemos entrar numa fase de redução do movimento de globalização, que ganhou magnitude nas últimas três décadas. Isso passa uma reavaliação do modelo. Para nós, que somos críticos do modelo atual, abre-se a possibilidade da construção de uma nova globalização. Qual o projeto de globalização que queremos, ou somos contra ela e ponto final? Acredito que é possível construir uma globalização em outras bases."
"A queda nos preços das commodities é um problema difícil para o Brasil, mas muito maior para outros países, principalmente latino-americanos, de economia assentada na produção de voltada ao mercado internacional. Qual a ação do Brasil em termos de solidariedade e de compromisso com a integração regional frente à queda profunda de atividade nos países vizinhos? O que será a crise na Bolívia, no Equador, mesmo na Argentina? Assistiremos calados, sem uma ação articulada? O comércio mundial foi uma válvula de expansão importante para vários países. Frente à redução do comércio, outros países terão, como o Brasil tem, a capacidade de compensá-la com o mercado interno?"
BRASIL NÃO VAI ENTRAR EM RECESSÃO, MAS VAI CRESCER MENOS
"Serão os países capazes de promover financiamento interno? O Brasil tem importantes decisões tomadas de 2007 para cá. O PAC é certamente um instrumento que pode fazer diferença, deve compensar parcialmente o consumo das famílias e até os investimentos do setor privado. Essa semana, conversei com secretários da Fazenda de vários estados e vejo que governos estaduais se prepararam para ações de grande porte nos próximos dois anos. No Ceará, a expectativa é investir 3 bilhões de reais. O Rio Grande do Sul, que estava em dificuldades, também deverá investir em 2009. Não temos só o PAC federal. Se somarmos decisões dos estados, podemos ter o PAC dos governadores. Não é suficiente, mas são ações que ajudam a compensar os efeitos do setor privado e das famílias."
"Não acredito que o Brasil irá entrar em recessão, em 2009, a recessão que já está em curso em vários países avançados. Mas acredito em desaceleração na expansão. Em primeiro lugar, pela elevação dos juros decidida em 2008. Já se sabia que iríamos crescer menos, e agora, com a crise, menos ainda. Ainda assim, se não houver uma hecatombe, o Brasil cresce 2.8% em 2009, como resultado do crescimento de 2008, segundo as estatísticas."
"A expansão menor terá efeitos sociais. Se crescermos abaixo de 4,5%, não geraremos empregos para todos que chegam ao mercado, tampouco teremos condições de ocupar os 8,5 milhões de trabalhadores que estão desempregados, segundo o IBGE. Não teremos condições de dar seguimento ao interessante movimento que se verificava nos últimos dois anos. Em primeiro lugar, a redução da desigualdade no interior da renda do trabalho. O Índice de Gini (que mede a desigualdade social; quanto maior for a concentração de renda, maior o Índice) caiu, e possivelmente esse ano teremos um Gini equivalente ao de 1960, de 0,5%. Ele mede a renda do trabalho, que hoje equivale a cerca de 42% do PIB. Em 2005/06, segundo IBGE, a renda do trabalho começou a crescer mais que renda dos proprietários. Era um movimento muito interessante, que havia muito tempo não era percebido no Brasil. Ao crescermos menos, essa trajetória está em xeque."
GOVERNO AINDA PODE FAZER MAIS PRA ENFRENTAR A CRISE
"Acredito que as medidas tomadas pelo governo federal, até agora, vão na direção correta. Ainda assim, estão longe das que outros países estão tomando. O Ipea montou um grupo de trabalho sobre a crise, que acompanha o que é feito noutros países. Enquanto no Brasil as decisões tomadas para aumento de liquidez, redução da tributação, entre outras, equivalem a 3% do PIB. Se olharmos para países como China, Índia e Rússia, vemos que as medidas variam de 7% a 15%. Então, ainda que estejam na direção correta, são medidas pouco ousadas. Temos mais espaço para avançar. Na Inglaterra, por exemplo, compraram-se ativos de bancos, reduziram-se impostos indiretos, e aumentaram-se os diretos. A alíquota máxima do imposto de renda na Inglaterra chegou a 45% da renda. O enfrentamento da crise se faz também mudando o perfil distributivo. O que o Brasil poderia fazer? Hoje, a divisão do trabalho, estabelecida a partir da grande corporação transnacional, é muito provável que haverá um deslocamento de empresas. É difícil imaginar que empresas automobilísticas, por exemplo, irão ficar esparsas como estão hoje. A globalização deve ser desinflada, e o Brasil tem a oportunidade de ocupar melhor a cena internacional, assim como China, como a Índia, que adotaram medidas muito agressivas, de atração de investimentos diretos e de terceirização. O Brasil poderia ter política agressiva de apoio à relocação de empresas que estão hoje em países avançados que vivem quadros de recessão."
É PRECISO REVER A COMPOSIÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA
"Há espaço, não só do governo federal, de rever a composição da arrecadação tributária no Brasil, para aliviar o peso da crise sobre os mais pobres. Uma série de medidas que reduziriam o peso dos impostos para os mais pobres. O IPTU, municipal, que é responsabilidade dos prefeitos e vereadores, poderia ser alterado, porque é regressivo. A forma como ele é aplicado, hoje, faz com que o morador de uma favela pague mais IPTU que o morador de uma mansão, segundo os dados a que temos acesso. São muito poucas as cidades que adotam o IPTU progressivo. Outro exemplo é o imposto de renda. Não há o que nos impeça de rever o imposto de renda, que começa com uma alíquota muito alta e termina com alíquota muito baixa. Por que não reduzir o peso dos impostos indiretos? Por que não constituir um fundo de compensação frente a impostos tão importantes como os impostos indiretos? Uma carga tributária menor para os mais pobres é instrumento de alívio da crise."
"São necessárias medidas de reforma na estrutura da propriedade, na mudança da estrutura dos tributos. O Brasil não pode continuar seguir financiando suas políticas públicas assentado na regressividade dos tributos. Hoje, 56% da arrecadação brasileira vem do imposto sobre consumo. O imposto sobre propriedade são apenas 3% do total. A tributação sobre patrimônio é nula."
"Há espaço para readequação das despesas públicas, pois a crise exige um papel mais ativo do Estado. Ele pode se dar pela mudança da composição do gasto brasileiro. O Brasil faz gastos desnecessários, improdutivos, que estimulam a desigualdade. Não há razão para o Brasil comprometer 7% de seu PIB com o pagamento do serviço da dívida. Gastamos sete vezes mais com o pagamento de juros que com educação, gastamos três vezes mais com juros que com saúde. Uma redução desses gastos seria não apenas uma medida importante para reduzir o peso da dívida interna sobre o PIB, mas também viabilizaria a ampliação dos investimentos e de gastos sociais. A recomposição dos gastos e do superávit primário daria capacidade ao Brasil de criar um programa que vai além do PAC, um programa de garantia de emprego, de defesa da produção nacional. São possibilidade técnicas, que demandam pressão política, demandam a construção de uma nova maioria. A medidas tomadas pelo presidente Lula, até agora, atendem aos de cima, porque eles se organizaram e pressionam. É hora dos de baixo mostrarem força. Um evento como esse seminário sinaliza a reorganização do Brasil em novas bases."
Ex-ministro da Fazenda argentino propõe criação de empresa nuclear sul-americana - 10/12/2008 12:36:36 O ex-ministro da Fazenda argentino Aldo Ferrer propôs a criação de uma empresa sul-americana de energia nuclear, para consolidar a integração dos países sul-americanos, com reflexos diretos no desenvolvimento do setor industrial do continente. Ferrer falou na abertura da programação da manhã desta quarta-feira (10), do seminário "Crise – Rumos e Verdades", promovido em Curitiba, pelo Governo do Paraná.
"As tecnologias que se aplicam na energia nuclear são para todo o conjunto da atividade produtiva. Precisamos de iniciativas fortes para avançar na integração da infra-estrutura, da ciência e da tecnologia", afirmou. Ferrer é economista, diretor da cadeira de Estratégia Econômica Internacional da Universidade de Buenos Aires e diretor da Enarsa, estatal de energia da Argentina.
O economista reforçou que este é o momento de os países sul-americanos aproveitarem as experiências argentinas e brasileiras e pensarem na consolidação de uma grande empresa de geração de energia nuclear. "Uma grande política nuclear no Mercosul seria um grande avanço." Ele disse que os países sul-americanos devem construir os seus próprios caminhos para sair da crise por meio de políticas desenvolvimentistas, para fortalecer o Estado com o foco em investimentos na industrialização, em ciência e em tecnologia.
"Não há desenvolvimento sem transformação produtiva, sem ciência e tecnologia. Não é possível realizar esse processo de transformação se estamos presos à especialização e produção de produtos primários", salientou.
IDÉIAS – Além da criação da política nuclear na América do Sul, Ferrer apresentou sugestões para o fortalecimento das economias. "O que vai acontecer nos nossos países no futuro próximo, vai depender mais do que nós fizermos que das ações dos outros", .
O economista, que foi um dos conselheiros do governo Néstor Kirchner, defende a organização de Estados transparentes, sociais e democráticos, que sejam capazes de ordenar a economia, gerar e distribuir riquezas. "Temos que ter políticas de câmbio que privilegiem a produção nacional aos produtos que vêm de fora e mobilizar recursos próprios para serem aplicados no território nacional".
De acordo com Ferrer, apesar de os países da América do Sul não possuírem poder decisivo para mudar a realidade internacional, podem ajudar com boas idéias e orientações. Ferrer diz que cada país tem que assumir a sua responsabilidade. "Não podemos delegar ao mundo decisões de caráter nacional como a reforma do Estado, investimentos em educação, coesão social e a criação de condições de rentabilidade adequada.".
"Cada um dos nossos países, e todos juntos, tem a capacidade fundamental para estar no mundo de uma maneira diferente. Não no modelo subordinado centro-periferia, mas como nações transformadas, industriais, justas e capazes de ter uma relação simétrica e intensa e profunda com o resto do mundo", declarou.
Diretor do Banco Central da Venezuela defende integração e soberania sobre recursos naturais - 10/12/2008 14:21:22 O diretor do Banco Central da Venezuela, José Félix Rivas, identificou na crise econômica uma oportunidade para os países da América Latina redirecionarem e aprofundarem o conceito de integração que inclua seus povos. Rivas alertou contra os mecanismos da crise econômico-financeira, que pode ser um ajuste para iniciar um novo ciclo na economia global. Ele sugeriu iniciativas de integração para que os países do continente sul-americano não percam a oportunidade de criar uma nova arquitetura financeira.
Rivas é um dos palestrantes do seminário Crise – Rumos e Verdades e participou do painel "Crise e a Integração Sul-Americana", na manhã desta quarta-feira (10). Ele defendeu a união dos governos e também dos povos organizados na integração sul-americana. É preciso incluir o povo nesse processo, o que representa a oportunidade de uma integração de fato e não aquela que beneficia os mesmos de sempre, ou seja "uma integração que desintegra".
O diretor do Banco Central venezuelano sugeriu agilidade em algumas medidas já em curso, como a criação do Banco do Sul e fundos de desenvolvimentos para fortalecer a capacidade produtiva e os projetos sociais. Esses fundos, na visão dele, devem estar desconectados do dólar como moeda e da visão neoliberal, como forma de manter uma América Latina independente e soberana.
Rivas disse que a crise, além de financeira, é estrutural, na medida em que vem possibilitando a manipulação de preços das commodities e do petróleo. Para ele, essa crise pode ser uma oportunidade de fortalecimento da complementaridade em prol do desenvolvimento no continente sul-americano. Se essa integração avançar no plano econômico e político, "teremos mais capacidade de negociação com o mercado externo". Rivas alertou para a possibilidade de estabelecimento de barreiras comerciais.
Defendeu ainda o resgate da política petroleira e a soberania sobre os recursos naturais dos países latino-americanos, como mecanismos de suporte de políticas sociais, a exemplo do que está acontecendo na Bolívia. Outra medida sugerida por Rivas é a nacionalização de atividades estratégicas para o desenvolvimento, que permite aos países atuarem de forma soberana sobre elementos como a água, o subsolo, a vida em geral.
Numa critica radical às instituições financeiras, Rivas defendeu a revisão do papel das empresas transnacionais que atingem nossa soberania. Em contraponto, defendeu o fortalecimento da complementaridade entre os países da América Latina, como oportunidade para avançar na constituição de um bloco regional com capacidade de negociação.
Rivas chamou a atenção para o predomínio do capital financeiro-especulativo e parasitário, que controla, domina e se sobrepõe ao mundo real da economia. Para ele, essa situação demonstra o predomínio do capital fictício sobre o capital produtivo. Rivas citou como exemplo de manipulação a alavancagem do mercado do petróleo, onde em 2007 um barril chegou a valer 18 barris nos mercados futuros. "Evidentemente a lógica é que o sistema se quebre", afirmou.
Economista recomenda medidas de redução do impacto social da crise - 10/12/2008 18:25:41 O governo Lula está subestimando a crise e deixando de tomar medidas que deveria para reduzir os efeitos da crise mundial na economia brasileira. A avaliação é do professor de Economia Internacional do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-doutor em Economia pela University of Reading (Inglaterra), Reinaldo Gonçalves. Ele participou nesta quarta-feira (10), em Curitiba, do seminário internacional "Crise – Rumos e verdades", promovido pelo Governo do Paraná, em Curitiba.
De acordo com Gonçalves, há medidas de contenção de crises que foram formadas ao longo de 200 anos por especialistas e economistas, e que, em geral, não têm sido levadas em conta pelo Governo Federal. O economista destacou que esses "remédios" envolvem intervenção do Estado no aumento da liquidez do mercado, garantia de saneamento financeiro e das aplicações financeiras, estatização do sistema financeiro, controle cambial, indução do consumo e dos investimentos e redução do impacto social da crise.
Em relação ao controle cambial, Gonçalves disse que o Governo Federal está fazendo intervenções leves. "Basicamente, vendeu alguns bilhões de dólares, tem explorado linhas de leilão de crédito. O nosso dinheiro está bancando o risco cambial do setor privado, ou seja, é a degradação dos fundamentos da economia via finanças públicas. Nenhuma intervenção mais robusta no mercado de câmbio. Bilhões e bilhões de dólares têm saído na forma de especulação", afirmou.
Ele disse ainda que o Brasil tem hoje um passivo externo de US$ 1 trilhão. Descontando as reservas e os investimentos produtivos, o passivo de curto prazo chega a US$ 500 bilhõess. "O Brasil tem uma absoluta desproteção em termos de passivo. Além do passivo externo, o Brasil tem um problema que é a deterioração nos fluxos externos aceleradamente", salientou.
NÚMEROS – O economista afirmou que o mundo passa por duas crises. A financeira, de natureza sistêmica, que afeta diferentes agentes, como empresas de seguros e bancos de investimentos; e a crise real, global, que é a recessão, a desaceleração do crescimento e o aumento do desemprego em vários lugares. De acordo com Gonçalves, no Brasil, todos os números e levantamentos feitos apontam que a economia brasileira vai desacelerar significativamente e ser uma das mais prejudicadas em todo mo mundo.
Entre os sinais, destacou, está o que ele classificou como "desempenho medíocre" entre 2003 e 2006, quando o crescimento brasileiro foi em média 3,3%. No mesmo período, a taxa de investimento foi uma das mais baixas do mundo, 16,1%, e a de crescimento do investimento foi de 3,5% ao ano. "Desde 2006, houve aumento de investimento, que teve origem no aumento do crédito do consumo. E o investimento se expande de forma significativa. Esta expansão não é a taxa de investimento, que continua como a mais baixa do mundo", disse.
O economista explicou que esse aumento da taxa de crescimento se deve ao chamado acelerador – o capitalista investe em função do desempenho do ano anterior. "Esse acelerador faz com que, em um ano, a taxa de investimento possa crescer 20% e, em outro, caia 20%. No terceiro trimestre deste ano, essa taxa de crescimento de investimento pode ser de 20% negativo. Isso é o que vai acontecer também em todo o ano de 2009", disse.
"De 2003 para cá, a taxa de investimento do Brasil é uma das mais baixas do mundo, e é compatível com o desempenho medíocre da economia brasileira. Em 2002, a renda per capita representava 80% da mundial. Em 2006, caiu para 75%. O Brasil andou para trás. Em 2007 e 2008 houve recuperação", analisou Gonçalves.
MEDIDAS DE CONTENÇÃO – Para Gonçalves, se o sistema monetário está travado, o Estado tem que aumentar a liquidez, tem que prover créditos para o sistema, o que pode ser feito de diversas formas, como a partir da redução de depósitos compulsórios, da ampliação dos créditos públicos e das linhas de financiamento.
Sobre o saneamento financeiro, o economista destacou que o Estado deve fazer a intervenção antes do "efeito dominó". "Mas é preciso ser ágil, ter um marco regulatório jurídico eficaz. Evitar as concordadas, as falências, as condições de que os agentes possam transferir para a sociedade o ônus das práticas oportunistas é fundamental", disse. "Se o efeito dominó estiver muito avançado, é fundamental a estatização parcial ou total do sistema financeiro, que pode ser temporária ou permanente", salientou.
Outra intervenção que o Estado deve fazer, segundo Gonçalves, é no controle cambial. "Quando tem um país frágil, como o Brasil, e há uma crise cambial, tem que ser feita a intervenção. E há dois tipos. A soft, que é quando se vende dólar no mercado, e a hard, que é através da centralização do mercado de câmbio, racionando a mercadoria escassa, que é o dólar", afirmou.
Além disso, disse, o Estado precisa dar garantias aos cidadãos sobre suas aplicações, depósitos e empréstimos. "É comum em tempos de crise que o cidadão que tem o depósito fique preocupado que o banco quebre e a riqueza acumulada em um trabalho árduo de anos desapareça de um dia para o outro. O Estado tem que dar a maior garantia possível, como fez o Governo da Alemanha, que garantiu 100% do depósito das pessoas", comentou.
Nessa mesma linha, Gonçalves destacou que o Governo Federal precisa criar políticas de expansão, como o desenvolvimento de gastos públicos e políticas monetárias que envolvam redução de juros, expansão de créditos e depósito compulsório, por exemplo. "Quando a crise transborda e tem dimensão real, cai renda, emprego e investimento. Essas são formas de puxar a economia via gastos públicos e induzir o consumo e os investimentos. São políticas salariais, monetárias, de créditos, comerciais e fiscais expansionistas", disse.
O economista afirmou ainda que o Governo Federal precisa desenvolver políticas focadas na redução do impacto social da crise, principalmente para os trabalhadores e os empresários. "São políticas como a ampliação do seguro-desemprego e de políticas assistencialistas ou refinanciamento imobiliário", citou Gonçalves.
Reinaldo Gonçalves participou da mesa "O Brasil e a Crise", no seminário internacional "Crise – Rumos e verdades", promovido pelo Governo do Paraná, no Canal da Música, em Curitiba. Pós-doutor em Economia pela University of Reading (Inglaterra, 1986), Gonçalves é professor titular de Economia Internacional do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1993. É livre docente em Economia Internacional também pela UFRJ (1991). Gonçalves tem mestrado em Economia pela EPGE-Fundação Getulio Vargas (FGV, 1976) e em Engenharia da Produção pela Coppe (1974), além de ser bacharel em Economia pela UFRJ (1973).
Economista recomenda medidas de redução do impacto social da crise - 10/12/2008 18:25:41 O governo Lula está subestimando a crise e deixando de tomar medidas que deveria para reduzir os efeitos da crise mundial na economia brasileira. A avaliação é do professor de Economia Internacional do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-doutor em Economia pela University of Reading (Inglaterra), Reinaldo Gonçalves. Ele participou nesta quarta-feira (10), em Curitiba, do seminário internacional "Crise – Rumos e verdades", promovido pelo Governo do Paraná, em Curitiba.
De acordo com Gonçalves, há medidas de contenção de crises que foram formadas ao longo de 200 anos por especialistas e economistas, e que, em geral, não têm sido levadas em conta pelo Governo Federal. O economista destacou que esses "remédios" envolvem intervenção do Estado no aumento da liquidez do mercado, garantia de saneamento financeiro e das aplicações financeiras, estatização do sistema financeiro, controle cambial, indução do consumo e dos investimentos e redução do impacto social da crise.
Em relação ao controle cambial, Gonçalves disse que o Governo Federal está fazendo intervenções leves. "Basicamente, vendeu alguns bilhões de dólares, tem explorado linhas de leilão de crédito. O nosso dinheiro está bancando o risco cambial do setor privado, ou seja, é a degradação dos fundamentos da economia via finanças públicas. Nenhuma intervenção mais robusta no mercado de câmbio. Bilhões e bilhões de dólares têm saído na forma de especulação", afirmou.
Ele disse ainda que o Brasil tem hoje um passivo externo de US$ 1 trilhão. Descontando as reservas e os investimentos produtivos, o passivo de curto prazo chega a US$ 500 bilhõess. "O Brasil tem uma absoluta desproteção em termos de passivo. Além do passivo externo, o Brasil tem um problema que é a deterioração nos fluxos externos aceleradamente", salientou.
NÚMEROS – O economista afirmou que o mundo passa por duas crises. A financeira, de natureza sistêmica, que afeta diferentes agentes, como empresas de seguros e bancos de investimentos; e a crise real, global, que é a recessão, a desaceleração do crescimento e o aumento do desemprego em vários lugares. De acordo com Gonçalves, no Brasil, todos os números e levantamentos feitos apontam que a economia brasileira vai desacelerar significativamente e ser uma das mais prejudicadas em todo mo mundo.
Entre os sinais, destacou, está o que ele classificou como "desempenho medíocre" entre 2003 e 2006, quando o crescimento brasileiro foi em média 3,3%. No mesmo período, a taxa de investimento foi uma das mais baixas do mundo, 16,1%, e a de crescimento do investimento foi de 3,5% ao ano. "Desde 2006, houve aumento de investimento, que teve origem no aumento do crédito do consumo. E o investimento se expande de forma significativa. Esta expansão não é a taxa de investimento, que continua como a mais baixa do mundo", disse.
O economista explicou que esse aumento da taxa de crescimento se deve ao chamado acelerador – o capitalista investe em função do desempenho do ano anterior. "Esse acelerador faz com que, em um ano, a taxa de investimento possa crescer 20% e, em outro, caia 20%. No terceiro trimestre deste ano, essa taxa de crescimento de investimento pode ser de 20% negativo. Isso é o que vai acontecer também em todo o ano de 2009", disse.
"De 2003 para cá, a taxa de investimento do Brasil é uma das mais baixas do mundo, e é compatível com o desempenho medíocre da economia brasileira. Em 2002, a renda per capita representava 80% da mundial. Em 2006, caiu para 75%. O Brasil andou para trás. Em 2007 e 2008 houve recuperação", analisou Gonçalves.
MEDIDAS DE CONTENÇÃO – Para Gonçalves, se o sistema monetário está travado, o Estado tem que aumentar a liquidez, tem que prover créditos para o sistema, o que pode ser feito de diversas formas, como a partir da redução de depósitos compulsórios, da ampliação dos créditos públicos e das linhas de financiamento.
Sobre o saneamento financeiro, o economista destacou que o Estado deve fazer a intervenção antes do "efeito dominó". "Mas é preciso ser ágil, ter um marco regulatório jurídico eficaz. Evitar as concordadas, as falências, as condições de que os agentes possam transferir para a sociedade o ônus das práticas oportunistas é fundamental", disse. "Se o efeito dominó estiver muito avançado, é fundamental a estatização parcial ou total do sistema financeiro, que pode ser temporária ou permanente", salientou.
Outra intervenção que o Estado deve fazer, segundo Gonçalves, é no controle cambial. "Quando tem um país frágil, como o Brasil, e há uma crise cambial, tem que ser feita a intervenção. E há dois tipos. A soft, que é quando se vende dólar no mercado, e a hard, que é através da centralização do mercado de câmbio, racionando a mercadoria escassa, que é o dólar", afirmou.
Além disso, disse, o Estado precisa dar garantias aos cidadãos sobre suas aplicações, depósitos e empréstimos. "É comum em tempos de crise que o cidadão que tem o depósito fique preocupado que o banco quebre e a riqueza acumulada em um trabalho árduo de anos desapareça de um dia para o outro. O Estado tem que dar a maior garantia possível, como fez o Governo da Alemanha, que garantiu 100% do depósito das pessoas", comentou.
Nessa mesma linha, Gonçalves destacou que o Governo Federal precisa criar políticas de expansão, como o desenvolvimento de gastos públicos e políticas monetárias que envolvam redução de juros, expansão de créditos e depósito compulsório, por exemplo. "Quando a crise transborda e tem dimensão real, cai renda, emprego e investimento. Essas são formas de puxar a economia via gastos públicos e induzir o consumo e os investimentos. São políticas salariais, monetárias, de créditos, comerciais e fiscais expansionistas", disse.
O economista afirmou ainda que o Governo Federal precisa desenvolver políticas focadas na redução do impacto social da crise, principalmente para os trabalhadores e os empresários. "São políticas como a ampliação do seguro-desemprego e de políticas assistencialistas ou refinanciamento imobiliário", citou Gonçalves.
Reinaldo Gonçalves participou da mesa "O Brasil e a Crise", no seminário internacional "Crise – Rumos e verdades", promovido pelo Governo do Paraná, no Canal da Música, em Curitiba. Pós-doutor em Economia pela University of Reading (Inglaterra, 1986), Gonçalves é professor titular de Economia Internacional do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1993. É livre docente em Economia Internacional também pela UFRJ (1991). Gonçalves tem mestrado em Economia pela EPGE-Fundação Getulio Vargas (FGV, 1976) e em Engenharia da Produção pela Coppe (1974), além de ser bacharel em Economia pela UFRJ (1973).
Brasil precisa de um projeto de desenvolvimento para enfrentar a crise - 10/12/2008 18:26:05 Para enfrentar a crise o Brasil necessita de um projeto de desenvolvimento, um plano de soberania nacional com fortes investimentos de longo prazo feitos pelo Estado em habitação, saneamento, transporte, saúde e educação. A idéia foi apresentada pelo economista e professor da Universidade de Campinas, Wilson Cano, na rodada de debates da tarde desta quarta-feira (10), no seminário "Crises: Rumos e Verdades" promovido pelo Governo do Paraná.
"Nenhum país desenvolvido conseguiu avançar sem uma inequívoca presença intervencionista do Estado Nacional. Tanto em termos internos – seja como produtor, indutor ou estimulador – seja no plano externo por meio de sua diplomacia, de sua moeda ou de sua força armada", disse. "É uma ilusão pensar que é possível crescer e se desenvolver sem a presença decisiva do Estado", acrescentou.
O economista, que foi um dos criadores da escola de economia da Unicamp, lembrou que esse processo já ocorreu entre as décadas de 30 e 80 quando o país soube aproveitar o espaço deixado pelas economias centrais depois da Crise de 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York, e da Segunda Guerra Mundial.
"Nós soubemos aproveitar, inteligentemente, as oportunidades. O grau de soberania nacional aumentou consideravelmente nos permitiu avançar e construir um processo de industrialização com êxito em termos de América Latina".
Contudo, alertou Cano, esse projeto passa por uma série de desafios internos e externos que devem ser estudados, aprofundados e abordados. "Desenvolvimento econômico não é restrito ao campo da economia, pertence em grande parte ao campo da política".
DESAFIOS – A retomada do crescimento e desenvolvimento do Brasil como um Estado soberano passa pela eliminação do déficit habitacional (estimado hoje em 8 milhões de domicílios), por mais investimentos em saneamento básico, em saúde, educação e transporte urbano. De acordo com Cano, o cálculo das demandas mostra que não há dinheiro para investir em todos os setores ao mesmo tempo.
"São demandas históricas e não há dinheiro para tudo. Portanto é necessário priorizar, selecionar e escalonar os investimentos no tempo e no espaço", reiterou.
Já nos desafios externos está a necessidade do reposicionamento do Brasil frente às políticas comerciais na América do Sul. "Tem que deixar de pensar apenas em saldos comerciais. Todo mundo quer ter saldo. Mas se quer realmente fazer o processo de integração sul-americana deve ampliar a cooperação entre os países".
Outro problema apontado, inclusive como urgente, é a necessidade da revisão da política comercial com o governo chinês. Cano alerta que a China já se estabeleceu na África com o objetivo de garantir novos mercados para compra de matéria-prima e alimentos.
"Os negócios com a China já terminaram. A China se preparou para a crise e desbravou novos mercados. Avançou sobre o continente africano e ali encontrou uma nova fonte de fornecimento de matéria-prima e alimentos que vai concorrer com a América Latina e pressionar os preços para baixo", completou.
Economistas sugerem intervenção do Estado brasileiro contra a crise - 10/12/2008 18:51:00 O debate desta quarta-feira (10) do seminário internacional Crise – Rumos e Verdades demonstrou a certeza, inerente aos quatro participantes do painel "O Brasil e a Crise", que a turbulência que afeta o sistema financeiro do mundo todo não é passageira e vai refletir no país ainda por muito tempo. O mediador do encontro, o jornalista César Benjamim, comparou a posição do Governo Federal em relação à crise a um "navio que ainda não ganhou velocidade de cruzeiro".
Segundo ele, este seminário deveria servir de alerta de que o tempo não é indiferente. Ele disse que a crise não vai esperar o tempo que se queira e neste cenário o comportamento errático é o pior que se pode ter. "Podemos ir para o pior cenário eventualmente sem ter capacidade de evitar o pior" disse. Benjamim sugeriu que o combate seja feito com mais agressividade, baseado em coerência e rapidez em todas as frentes. "É melhor estar preparado pelos piores cenários do que ser surpreendido por eles", completou.
João Sicsú, diretor de estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Governo Federal, classificou tímida o conjunto de ações tomadas pelo Brasil até agora, mas justificou que essa timidez é histórica, principalmente em relação a países como a Rússia e a Índia. "Toda a política macroeconômica e microeconômica adotada por esses países sempre foi muito mais sofisticada do ponto de vista da busca do crescimento", afirmou.
O diretor disse acreditar que o crescimento do Brasil nos últimos dois anos não tem relação com uma onda mundial, já que a maioria dos países registrou uma desaceleração neste período. "A economia brasileira depende muito pouco de suas exportações para explicar seu crescimento. Ela é uma economia fechada. O que explica o crescimento no país é o consumo interno e os investimentos", explicou.
Sicsú listou o aumento do salário-mínimo e o crescimento de concessão de crédito e uma política fiscal expansionista, expressa pelo Plano de Aceleração de Crescimento (PAC) aplicado pelo Governo Federal em setores estratégicos, mudança na arrecadação tributária e a formação de volume de reservas. "Associado a isto uma redução da taxa de juros que se encontra a um patamar mais baixo que em um passado recente", disse. "O número de pessoas empregadas, com seguro-desemprego, garante os gastos no que pode ser o período crítico da crise", explicou. "Nós temos que conjugar medidas monetárias, fiscais e sociais, que tem velocidades muito diferentes. Por enquanto todas elas foram tímidas, mas os efeitos sobre o Brasil foram muito menores do que na Rússia e na Índia", finalizou.
O professor Wilson Cano, doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas, cobrou aumento de gastos públicos nas áreas de ciência e tecnologia, aliadas a novas políticas industriais específicas de exportação para o desenvolvimento. Ele criticou o modelo neoliberal e sugeriu que se rompa com a forma como é feita a distribuição de crédito no país. "O crédito deve voltar a ser dirigido. A crise oferece oportunidades, janelas que criam graus de liberdades. Sair da crise significa sair do neoliberalismo e reassumir os controles sobre os mecanismos da política econômica. O modelo é incapaz de proporcionar média de crescimento médio e alto em longo prazo", explicou.
"Na questão habitacional, eu não daria dinheiro para construtoras, daria para as Cohabs que constroem casas para os pobres. O déficit habitacional brasileiro é formado por famílias que não ganham três salários-mínimos", disse, para exemplificar a necessidade de créditos dirigidos. Para Cano, ao contrário do que acredita João Sicsú, a economia brasileira é extremamente aberta e dependente do dólar, o que justifica as elevadas taxas de juros. "Ousadia de política o Brasil teve entre 1930 e 1960, quando se controlou o câmbio e onze taxas de câmbio ao mesmo tempo. Eu hoje não vejo ousadia, vejo timidez", afirmou.
O professor Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que o Governo Federal não está enfrentando a crise apenas com timidez. Ele criticou as medidas que vem sendo tomadas em relação à política financeira, como as taxas muito altas de juros. Para o professor, o Brasil está se posicionando no cenário de crise com covardia. "A taxa de juros baixou no mundo todo e aumentou na fonte no Brasil. O Spread foi de 300 para quase 600 pontos. Além da covardia e incompetência, há políticas contrárias ao que um protocolo internacional de enfrentamento de crises recomenda", afirmou.
Gonçalves comparou a segurança do Brasil em cenários de crise a uma "blindagem de papel crepom". "Temos uma economia altamente dependente do resto do mundo. As exportações correspondem a 45,3% do PIB brasileiro. Nossas reservas são pequenas. O problema é que as exportações afetam o número de renda na economia. Neste trimestre é que as exportações deram contribuição zero para o crescimento do PIB. SE as exportações caírem para 20% o PIB cai", explicou lembrando que o país não tem rede de proteção como grandes economias iguais a Alemã, que podem garantir seguros aos trabalhadores. "Dependemos mais dos americanos hoje do que dependíamos antes, por estarmos são atrelada ao México e a China", disse.
O presidente do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), Márcio Pochman, credita a crise a um projeto neoliberal, originada pela falta de uma regulamentação, principalmente nos Estados Unidos. Por isso, explica, não acredita que o Brasil vá sofrer os efeitos tão fortes como devem ser nos países desenvolvidos. "Se o Brasil tivesse um governo que desse vazão a esse modelo de forma mais evidente, nós estaríamos muito pior do que estamos hoje", disse.
Segundo Márcio, a experiência brasileira demonstra gastos altos do Governo Federal com o social, direcionado principalmente para os mais pobres. Ele usou o Bolsa Família para exemplificar um maior contingente da população beneficiada. "Gastamos somas fantásticas com pagamentos de juros para pouquíssimas famílias. O Governo Lula é um governo de programas, não um governo de reformas", disse. "Ao meu modo de ver a crise não vai permitir remendos. Vamos ter que fazer opções, medidas mais drásticas e mais ousadas", finalizou.
Ampliação de programas sociais do governo minimizaria efeitos da crise - 10/12/2008 15:32:56 10/12/2008Quarta-feira
Com fotos
CRISE: RUMOS E VERDADESA solução imediata para a crise no Brasil está nos programas sociais. Esta foi a avaliação feita pelo diretor de estudos macroeconômicos do Instituto Brasileiro de Economia Aplicada (Ipea) e professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, João Sicsú, na tarde desta quarta-feira (10) durante o seminário Crises: Rumos e Verdades, promovido pelo Governo do Paraná, em Curitiba.
"O que nós temos de negativo pode se transformar em positivo. Nós temos uma sociedade extremamente carente, uma sociedade onde ainda existem milhões de miseráveis e pobres. Portanto, a saída para manter a economia brasileira em ritmo de crescimento no próximo ano é ampliar o valor e a cobertura dos programas sociais. Isso é dinheiro colocado na mão de quem tem alta propensão a gastar", afirmou.
Segundo Sicsú, o aumento na renda das famílias é essencial para gerar consumo interno e, assim, fazer crescer a produção e diminuir a dependência do mercado externo. Para ele, neste momento o Governo deve fazer tudo o que pode ser feito para manter a saúde do sistema financeiro e evitar que o setor produtivo quebre.
O economista defende que, apesar de estarem aparentemente sadias, as instituições financeiras brasileiras estão paralisadas. Ele atribui ao Governo o papel de adotar medidas de socorro e precaução, para fazer com que elas voltem a funcionar e façam a economia se movimentar.
Sicsú sugere que, Estado e mercado atuem de forma complementar. Assim, quando o setor privado retrai seus gastos, o setor público avança."Na crise caem o consumo, os investimentos e as exportações. Nesse momento, é o Governo que deve aumentar seus gastos. Apertar os cintos é suicídio", alertou. De acordo com ele, o Estado deve conjugar atuações de resultado imediatos com medidas de médio e longo prazo, como os investimentos em obras públicas, que teriam impacto em dois ou três anos e complementariam as ações de combate aos efeitos da crise.
"É através de programas sociais que nós vamos resolver o problema em curto prazo. Em longo e médio prazo nós temos que associar a isto projetos de investimento. Digo mais: só um ou outro não é suficiente. Nós temos que seguir os dois caminhos. E nesse caso nós temos espaço e orçamento", afirmou.
O economista acredita que nos últimos anos o Brasil atingiu boas condições para enfrentar a crise. Ele citou como exemplo disto o crescimento do Produto Interno Bruto, das taxas de investimentos, do número de empregos com carteira assinada, do valor do salário mínimo e da produção. "A economia brasileira está numa situação em que nós podemos sofrer um grande impacto dessa crise, mas também podemos sofrer um pequeno impacto. Nós ganhamos, nestes três anos, graus de liberdade para decidir nosso futuro. O Brasil vai escolher a sua trajetória nesta crise", disse.
Economista da Universidade de Oxford critica postura da União Européia frente à crise - 09/12/2008 12:47:45 A falta de uma ação conjunta e mais forte da União Européia – bloco econômico, político e social que reúne 27 países – para conter os efeitos da crise foi criticada por Magnus Ryner, economista sueco, radicado na Inglaterra, e PhD em relações internacionais pela Universidade de Oxford, que abriu a programação da manhã desta terça-feira (9) do seminário "Crise – Rumos e Verdades", promovido em Curitiba, pelo Governo do Paraná.
Conforme explicou o economista, mesmo com a crise sendo a mais séria dos últimos 30 anos, os países da UE não conseguem superar a divisão interna, o que acarreta em estratégias políticas, econômicas e industriais diferentes e por conseqüência aceleram a dependência aos Estados Unidos.
Ryner contestou as afirmações que a União Européia poderia ser um contra-peso ao domínio econômico-financeiro norte-americano. Segundo ele, a UE é muito mais dependente da economia americana do que é divulgado. "Hoje, a estrutura européia favorece a economia norte-americana. Aqueles que previram um contra peso europeu à hegemonia americana subestimam a fraqueza estrutural da Europa", analisou.
Segundo Ryner, a Europa, antes da crise financeira, já vinha de um período de estagnação econômica, com desenvolvimento desigual e uma tendência à desunião das sociedades e dos países. "Além disso, os negócios europeus foram diretamente implicados com a crise", salientou.
Na avaliação do professor sueco, uma das alternativas é uma ampla cooperação internacional que poderia ser liderada pelo G-20 (grupo formado pelas 19 maiores potências mais a própria UE). "Ou ainda pelo fortalecimento das economias do Bric - Brasil, Rússia, Índia e China", acrescentou.
CENÁRIOS - Ryner desenhou ainda três possíveis cenários que podem surgir na União Européia como conseqüência da crise que atingiu as economias mundiais. No primeiro, a Europa se mantém parceira-júnior dos Estados Unidos, na tentativa de reconstituir crescimento global liderado pelas finanças. No segundo, a UE retomaria fortes medidas protecionistas, no que o professor define de "Fortaleza Europa". Já no terceiro cenário, os países europeus poderiam caminhar pra uma democracia social global.
Economista paranaense recomenda a redução do endividamento das famílias - 09/12/2008 14:29:57 Como a crise atingirá as famílias brasileiras? O que fazer para recuperar a economia real, aquela do dia-a-dia? Estas foram algumas questões levantadas pelo economista paranaense Francisco de Assis Inocêncio, nesta terça-feira (9), no seminário internacional "Crise: Rumos e Verdades", promovido pelo Governo do Estado. Segundo ele, estas perguntas ainda não foram exploradas nos diversos debates sobre o tema e devem ser respondidas e pensadas com enfoque nas pessoas mais simples.
"Não basta, em um fluxo real, você recuperar a capacidade das empresas. É fundamental nós resgatarmos e diminuirmos o grau de endividamento das famílias. As pessoas têm que consumir, mas não basta dar capacidade para elas consumirem, se elas estão endividadas. Nós temos que criar meios para que os recursos cheguem de forma direta às famílias, possibilitando a elas fôlego e nova capacidade de consumo", disse.
Inocêncio defendeu que para impulsionar o consumo e frear o endividamento é preciso adotar novas práticas tributárias, mais justas e eficientes. O economista considera que o sistema capitalista e neo-liberal colocou o mercado financeiro na posição de sujeito ativo e, agora com a crise, é preciso fortalecer os Estados e municípios. Ele sugere ações locais de enfrentamento dos problemas financeiros mundiais, com investimentos em infra-estrutura, adoção de políticas de fortalecimento do mercado interno e promoção de ajustes na geração de renda. Ele sugere que a União renegocie com os Estados novos arranjos fiscais, principalmente quanto à exigência dos resultados primários. O que, segundo ele, estaria sufocando o desenvolvimento regional.
MISSÃO: Inocêncio atribuiu ao Brasil a missão de servir de modelo e se colocar no papel de novo agente regulador do fluxo financeiro internacional. Para ele, a experiência do País com a crise de 1929 provou a capacidade brasileira de aproveitar momentos críticos, permitindo a evolução da indústria nacional, da produção de petróleo, minério, ferro e aço e da construção de ferrovias, rodovias e portos.
Dos países emergentes, ele cobrou cooperação com o Mercosul e também com países da União Européia. De acordo com o economista, este é o momento das economias emergentes garantirem posição de destaque e diminuírem a redução da dependência em relação aos Estados Unidos e Europa.
Aos empresários cabe, de acordo com o economista, a missão de participar em câmaras setoriais e ajudar na elaboração de alternativas de combate ao desemprego. Ele agradeceu o empenho dos empresários paranaenses com esta visão e os chamou de "heróis da resistência".
Inocêncio solicitou que o Governo do Paraná organize e realize um fórum nacional e multilateral, para a discussão de soluções locais para a crise, junto com a classe trabalhadora e movimentos sindicais. "Governador Roberto Requião, eu sugiro que na sua pessoa e liderança se estabeleça um fórum, no modelo deste, para estabelecermos uma nova ordem no Brasil", pediu.
Cientista político afirma que crise nasceu do modelo de bancos centrais - 09/12/2008 14:41:15 O jornalista, sociólogo e cientista político mexicano Lorenzo Carrasco, afirmou durante sua apresentação, nesta terça-feira (9), no seminário internacional Crise - Rumos e Verdades, que a convulsão financeira atual decorre do próprio modelo de bancos centrais, especialmente a partir da criação, em 1913, do Federal Reserve System, nos Estados Unidos. "Todo sistema de bancos centrais fracassou, aí está o problema. Com as mudanças geopolíticas que virão, quem vai continuar a conduzir o crédito na organização mundial, serão os mesmos?", questionou.
Carrasco sugeriu que os Estados resgatem do sistema bancário privado a prerrogativa de emissão primária de crédito, para fomentar a geração de empregos e ativar a economia. Nessa situação, o sociólogo imagina que a maioria dos contratos de derivativos deveriam ser cancelados e tornados ilegais. Derivativos são instrumentos financeiros, derivados de um ativo real. Há hoje derivativos de ativos como ações, commodities (produtos agrícolas, minerais etc.), câmbio, juros e mais uma série de instrumentos mais "sofisticados" criados pelo mercado. Assim, se definem pagamentos futuros baseados no comportamento dos preços de um ativo de grande negociação no mercado.
A essência dos derivativos consiste na fixação do valor futuro dos ativos em uma determinada negociação e sua finalidade inicial é a de ser uma ferramenta de hedge tanto para quem está comprando, como para quem está vendendo, de acordo com o caso. Um produtor de soja quando vai iniciar seu plantio não sabe em que patamar de preço estará o produto na época da colheita, muitas vezes o preço da soja cai nesse período e o valor auferido com a venda da colheita é até insuficiente para cobrir seus custos.
Carrasco resgatou as idéias do francês Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), como exemplo de contraposição ao sistema de crédito baseado na iniciativa privada. "Ele defendia que o regime de crédito deve ser a função principal do Estado. Isso não é marxismo, é justamente a resposta a uma sociedade hegemônica de cunho colonialista", afirmou.
A ruptura dos acordos de Bretton Woods, em 1971, que levaram à desregulamentação do sistema financeiro internacional e seu crescente descolamento dos setores produtivos, agravou os problemas econômicos. "O que estamos vendo é uma sucessão de bolhas financeiras - dos petrodólares, dívida externa, junk bonds, imóveis (Japão), internet, imóveis (subprime-EUA) e a mãe de todas as bolhas, os derivativos", lembrou. Como resposta a esse processo, o sociólogo propôs, concretamente, a centralização do câmbio, controle do fluxo de capitais e a proteção das cadeias produtivas nacionais essenciais para o consumo, o emprego e a produção.
ESTADOS UNIDOS - Carrasco analisou a história do papel dos Estados Unidos na organização mundial. "É preciso lembrar que os americanos surgiram como nação com uma proposta industrializadora, que se contrapunha ao projeto colonial inglês. No entanto, a morte de Roosevelt, em 1945, abriu caminho para a Guerra Fria, que dividiu novamente o mundo em duas áreas de influência coloniais", disse. Carrasco lembrou também que as idéias dos pais fundadores norte-americanos são atualmente eliminadas dos seus currículos escolares.
Os Estados Unidos, segundo o mexicano, tentam manter sua hegemonia atual a partir de três frentes: poder militar, domínio das finanças internacionais e capacidade de moldagem do pensamento predominante entre a população. "No Afeganistão e no Iraque, os EUA estão vendo que está sendo impossível, pela força militar, impor sua vontade. A crise financeira nos mostra o colapso do segundo ponto, e também na capacidade de influência cultural estamos vendo diminuição da influência americana", argumenta Carrasco.
"A própria visão de homem, vigente na sociedade, é algo que tem profundas implicações no modo como nos organizamos. As pessoas não são mais cidadãos ou membros de nações, mas objetos de mercado. É incentivada a idéia da cobiça.

G 23.Votem nos pobres.

Votar nos pobres.
A opção preferencial pelos pobres é, no seu âmago, muito radical. Optar pelos pobres é dar-lhes, acima de tudo voz.
Se nós queremos mudanças no país, temos que radicalizar nas atitudes, pois a repetição das mesmas atitudes resulta sempre nos mesmos resultados. Durante séculos nós escutamos o discurso dos melhores. Aprendemos que a escolha dos “melhores”, os mais dotados, os mais capazes, os mais ricos, os mais cheios de sucessos empresariais ou sociais, era o caminho e a solução, sempre mais segura. Mas as coisas se repetem e a sociedade muda muito pouco, há uma resistência dos jogos sociais, que resultam em pobres cada vez mais pobres e ricos (poucos) cada vez mais ricos. Geralmente os mais capazes na sociedade são os mais hábeis nos jogos de expropriação da mais valia do trabalho alheio.
Os gratuitos opositores aos meus textos tentaram me apresentar como um fracassado. Não digo que não seja verdade, sou homem e muitos dos meus sonhos não pude realizar. Como tenho mente ágil e criativa: mente verdadeiramente inquieta; tenho muito mais projetos que a maioria das pessoas, e, portanto, proporcionalmente, maior numero de fracassos. Para realizar o numero de idéias que tenho, teria que ter escravos trabalhando para mim, e não quero isso.
Essa atitude, denunciadora de meus fracassos, me levou a concluir que na minha vida pessoal ter voz tem sido a coisa mais importante para recuperar meu equilíbrio emocional, e a base para retomar meus projetos vitais. Se for verdadeiro para mim também é para os pobres.
Lula o Presidente, nos têm dado uma lição muito eficaz. No seu último discurso em Curitiba, vi outro Lula, e vi esperança nos pobres e nos resultados de suas gestões.
Então, mudar atitudes é ato de coragem. Votar nos pobres, nos realmente pobres, nos impotentes, nos que carregam por muitos anos a cruz dos insucessos, é mudar o paradigma social. Você deve se perguntar: em quem eu votarei? E responder também em quem não votaria, e o porquê dessas escolhas. Depois votar naqueles que você não votaria.
Percorrer sempre o mesmo caminho, leva ao mesmo lugar sob as mesmas circunstâncias, mudar o caminho, é ampliar a realidade pessoal e social. Nem sempre se chega ao mesmo destino, mas se conhece coisas e pessoas novas, alteramos o leque de problemas sociais, o que exige novas e criativas soluções e assim se atinge novos objetivos sociais.
Vejam que quando os inimigos de Requião festejam aquilo que ”eles” chamam do fim da “Era Requião”, eles pretendem substituí-la pela era que o antecedeu, ou seja, nada muda de fato, porque o paradigma de oposição ao Requião se traduz pelo enigma “J'aime Dias de Richa”, ou seja, a aliança Jaime e irmãos Dias com as suas “rixas e rachas”.
Se você for ousado experimente também com a prefeitura. E depois com o Governo.
Tenha coragem. Comesse pela Câmara municipal. Votem naqueles que tem menos chance de sucesso. Comesse por ai, votem nos pobres, eles tem soluções geniais, originais, vinculadas ao trabalho, não ao dinheiro, e aos negócios públicos, que é apenas fruto viciado do trabalho dos homens todos apropriado por poucos homens de “sucesso”.
Mudanças no sistema é conseqüência de radicais mudanças de atitude. Não tema, se eles forem incompetentes, serão também incompetentes para roubar. Se forem ingênuos, não tema, os sábios também são cegos e erram. Se eles não conhecem a vida, não tema, todos nós nascemos assim, e aprendemos. Quando meu pai começou a me ensinar a dirigir, alertou-me para a responsabilidade, e o saber avaliar a conseqüência de minhas atitudes ao volante e na vida. Eu aprendi na presença de meus irmãos mais velhos. Os pobres também precisam aprender a dirigir e expressar seus interesses. Você dirá, mas eles, como todos, querem ficar ricos ora, mas é por isso mesmo que vocês devem, então, dar-lhes a chance. Não é o que vocês precisam? Não é a melhora que vocês querem? Caso contrário, os ricos serão eternos nas suas riquezas, e na sua exploração dos pobres.
Isso é perigoso, dar chances aos pobres e trocar os ricos do mundo? É, mas mantê-los eternamente no poder também tem sido perigoso, pois eles estão tão longe da realidade dos pobres que planejam seus negócios sem considerar as pessoas, mas apenas, somos nós, todos nós, peças que deverão necessariamente consumir o fruto de seus negócios e mantê-los, como se fossemos escravos, em suas riquezas e fantasias.
Wallace Requião de Mello e Silva.

Pornografia e homossensualidade, uma hipótese.

A construção da homossensualidade pela pornografia.
O texto que trago aqui necessitará de um aprofundamento. Seria necessária para sua melhor compreensão uma leitura previa de alguns livros. A Psycnologie Récreative do autor Russo C.Platonov. “Como alterar o comportamento Humano” de H.R.Beech, e “Manipulação de Comportamento” de R.Vance Hall.
Esses autores trazem uma boa base sobre a ciência da reflexologia, absolutamente necessárias para compreender o que direi, ainda que superficialmente nesse texto.
Vamos começar pelo fisiologista russo Pavlov de onde deriva a ciência dos reflexos condicionados. Esse autor descobre que a apresentação do som de uma campanhinha concomitantemente com um pedaço de carne, fazia um cão salivar. Com o estabelecimento do reflexo condicionado, o autor prova que podemos retirar a carne, e o cão salivará apenas ouvindo a campanhinha. Ora, se apresentamos dois ou três estímulos concomitantemente, também ocorrerá o mesmo fenômeno, e a base natural, a carne ou o alimento, será em diferentes medidas substituído pelo condicionamento dos reflexos e, portanto das secreções hormonais e seus efeitos.
Uma leitura sobre os hormônios sexuais, e suas secreções endógenas e exógenas, também seria necessária para a compreensão desse texto. Na adolescência, ou no fim da infância, inicio da puberdade, a natureza amadurece a sensualidade natural, produzindo níveis hormonais, compatíveis e necessários para o amadurecimento sexual em uma base hetero sexuada (instintiva). Essas secreções podem ser comparadas à saliva do cão, e elas têm sempre um estimulo natural, instintivo, que visa ou a defesa e manutenção da vida individual, ou a procriação da espécie, o que significa em ultima analise o mesmo principio; a manutenção da vida.
A pornografia é um estimulo artificial complexo ( condiciona muitos estímulos ao mesmo tempo) e forma um complexo condicionado, que pode, sob certas circunstancia em personalidades tímidas, submissas, ou fortemente reprimidas construir o redirecionamento instintivo, fazendo aparecer a excitação sensual numa base antinatural, ou seja, construindo a homossensualidade.
Veja, que no sexo, que é a arte do sentir, em primeiro momento a pulsão sexual natural e heterossexual, depois, e somente depois, o vivenciar o próprio erotismo em desenvolvimento pratico, mas que no caso da pornografia (arte do olhar) que desvaloriza o sentir, introduzem-se vários estímulos contraditórios. Isso também pode ser introduzido pelo relacionamento com a mãe, nas suas complexas relações de amor e ódio. (Modelo Relacional de Lorenz).
Numa descoberta sexual, vivida a dois, o sentir predomina. Na observação da pornografia, o PRAZER, base do reforço condicionável, pode ser gradativamente aproximado do homossexualismo pela apresentação de imagens. Suponha que a criança se masturba com essas fotos como estimulo. A figura masculina, que não estaria presente, exceto a sua própria, na descoberta da relação sexual natural, se introduz agora artificiosamente, como imagem casada, subliminar, do prazer. Ora o garoto, passa sem o perceber, a sentir prazer na exposição das figuras masculinas e femininas. Assim, com o tempo, o pervertido autor das imagens, introduz a figura de duas mulheres, ou dois homens com uma mulher ou, duas mulheres com um homem; em relação promiscua. A semente esta não só plantada, mas em desenvolvimento ate a apresentação escancarada do homossexualismo. Se o garoto não tiver uma experiência heterossexual satisfatória ele começará, aos poucos (sensibilização sistêmica) a reorientar o seu complexo condicionado. O mesmo vale para as meninas. Essas sucessivas apresentações já bastante estudadas pelas técnicas da dessensibilização sistemática, e pelas múltiplas técnicas de combate às fobias, por exemplo, nos dão uma pista para compreensão do fenômeno. É, portanto, possível construir a homossensualidade e também desconstruí-la. Já quando a pratica se estabelece, não só como homossensualidade, mas agora como homossexualidade, o tratamento exige algo mais de atenção ao nível dos símbolos (justificativas morais) criados e internalizados.
Wallace Requião de Mello e Silva.

Ele também foi Jornalista.

O Pai do Governador Requião, que é advogado e jornalista, foi médico, Prefeito de Curitiba, Vereador em 1949, e jornalista. Foi co-fundador da Tribuna de Vitoria, no estado do Espirito Santo Brasil. Exerceu a medicina em Minas Gerais, na cidade de Ipanema; em Colatina, ES; em São Paulo capitai. em Jundiaí, SP.em Curitiba, PR.;em Antonina, PR; em Joinville, SC. Foi Inspetor Sanitario das Minas de Carvão do Paraná e Santa Catarina.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Leitores Russos.

No momento o maior numero de leitores de nosso Blog vêm da Rússia. Registramos novos leitores no Líbano e na Tunísia, sejam muito bem vindos;




Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

Perguntar não ofende. ( Bomba de Neutrons)

Perguntar não ofende. Que papel poderia ter, além de proteger riquezas a Agua em uma implosão de uma bomba de neutrons? `Pergunto aos fisicos. Embora as datas não ajudem essa tese, nunca se sabe se as informações são verdadeira. Então perguntar aos doutos, não ofende.

A bomba de nêutrons geralmente é creditada ao Judeu norte-americano Samuel Cohen do Laboratório Nacional de Lawrence Livermore em 1958, ele era amigo  e o empregador de Herman Khan, esse o autor do grande lago amazonicom e o principal estrategista de defesa dos EUA.
Alguem ja disse que a bomba de Neutrons é o retrato perfeito e mais cruel do capitalismo, pois mata as pessoas e fica com os bens delas, no caso amazonico mataria não só os seus habitantes mas também animais e insetos esterilizando a área para uma voraz exploração econômica. Ingenuamente podemos dizer que o lago submergia e protegia essas riquezas.
Eduardo Galeano, autor uruguaio, diz em seu livro “ Veias abertas da America Latina” que estrangeiros compravam areas contiguas formando um cinturão que separa a Amazonia Legal dos demais territórios brasileiros. À pagina 151, segunda edição, 1978 ele nos diz: “ O testemunho do Gabinete do Ministério das Forças Armadas, recolhido em relatório assinalou: o interesse do proprio governo dos Estados Unidos em manter, sob seu controle, uma vasta porção de terras para sua posterior utilização ulterior, seja para exploração de minerais, particularmente os radiativos seja como base de uma colonização dirigida.
Mais abaixo:  O Conselho de Segurança Nacional afirma: “Causa  suspeita o fato de que as áreas ocupadas, ou em vias de ocupação, por elementos estrangeiros, coincidam com regiões que estão sendo submetidas a campanha de esterilização de mulheres brasileiras por estrangeiros”. De fato nos diz o Correio da Manhã: Mais de vinte agremiações religiosas protestantes dos EUA estão se fixando e ocupando a Amazonia, localizando-se nos pontos mais ricos em minerais radiativos, ouro e diamantes”.( pagina 152). Eu estou aguardando um depoimento gravado de um operario da Petrobras na Amazonia, que diz: “Fiquei albergado um bom tempo com esse missionarios. No inicio eles pareciam inofensivos, mas com o tempo, seja pelas conversas, ou mesagens de radio, descobria-se que eram geologos, fisicos, botanicos, etc. Impressionante, pois nunca viiamos um unico cientista brasileiro entre eles”
A Bomba de Neutron ( wikipédia)
Só afeta seres vivos e deixa as construções intactas.
Inicialmente contrária pelo Presidente John F. Kennedy, a sua prova foi autorizada e levada a cabo em 1963 em uma instalação de testes subterrânea em Nevada.[1] O seu desenvolvimento foi adiado subseqüentemente pelo Presidente Jimmy Carter em 1978 . O Presidente Ronald Reagan reiniciou a produção em 1981.[2]

A França testou uma bomba de nêutrons no Atol de Moruroa em 24 de junho de 1980. O "Cox Report de 1999" informou que a China poderia produzir bombas de nêutrons,[8] e que Israel desenvolveu bombas de nêutrons em 1996.


Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

Estórias para “Boi Dormir”

Estórias para “Boi Dormir”
A procura de um pai para um filho indesejado.

Inteligente e bela, ela saiu de casa com tudo planejado. Ele a esperava no portão. Iria, em tese, procurar uma pessoa doente em um município visinho.
Peugeot 307 automática, bancos em couro, luxo que agradava ao rapaz, aos poucos dissuadiu o rapaz da procura pela doente. Habilidosa foi em nome de como seria interessante ver os lugares onde haviam morado anos atrás, para mostrar ao rapaz como houvera prosperado, dirigiu-se para o outro lado da cidade. Mostra isso, mostra aquilo... e a manhã acabou.
Vamos almoçar disse. Tem um lugar que eu freqüentava que nunca mais visitei. Bom almoço. Ele bebeu uma garrafa de vinho, e se ele a permitisse lhe empurrava mais uma. Ela olhava para ele com olhos atentos, interessados, e não parava de piscar. Quem pagou a conta? Ela.
Dirigindo vagarosamente, dobrou a direita e a esquerda e sem aviso entrou no motel. Ele esboçou um não faça isso.
Suíte simples, ela disse. Virou para ele e completou: Obrigada por aceitar meu convite. Que convite?... Ele pensou. Lá dividiram mais duas garrafas de vinho. Hotelzinho equipado, confortável, cheio de truques erótico. Tudo corria como ela queria. Ele bêbado haveria de esquecer o preservativo. Mas ela não contava com o inesperado: a impotência do rapaz. A rapariga se encheu de brios, afinal planejara muito bem tudo. Depois de uma insistência de três horas, irritada e frustrada mordeu o ombro do rapaz... segundo ela para marcar território. Ele envergonhado nada dizia. Eram seis e quinze da tarde, e ela com pressa usou dessa desculpa: Vamos rápido, se não terei que pagar mais uma diária. Ela pagou a conta. E pé no fundo. Dirigia como uma louca, apressadamente. O segredo: sua bela carruagem poderia virar abóbora. O carro era da patroa.

Entrevistado pelo jornaleco “Estórias para Boi Dormir”, ele humilde disse: “Acho que ela queria um pai para um filho indesejado. Em alguns meses saberemos”.






Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

Sugestão:

Sugestão: 
Se possível quero sugerir a leitura de " Cidades Mortas" de autoria de Monteiro Lobato, 1923, editora Monteiro lobato&C.




Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Os internacionalistas.

O novo boom da exploração mineral e o Brasil


A exaustão de muitas minas antigas juntamente com o crescimento da economia mundial e, principalmente, da China está forçando as mineradoras à um novo ciclo de exploração mineral.
Para podermos entender um boom exploratório como o que se inicia, evitando a repetição dos erros passados,  é importante revermos os conceitos e a história.
A exploração mineral no Brasil
Nas últimas décadas o Brasil passou por várias fases exploratórias distintas. Todas ditadas pelo mercado mundial e pelas suas expectativas. A evolução foi drástica. Mudaram as commodities , a metodologia, a tecnologia, os enfoques, a estratégia e a eficiência. Independente dessa imensa evolução ainda é necessário o mais importante: o ser humano que irá digerir e transformar  todos estes parâmetros em uma descoberta: o exploracionista.
Carajás e o seu impacto na exploração mineral brasileira
No nosso país, o grande divisor de águas na exploração mineral foi, sem sombra de dúvidas, a descoberta da Província Mineral de Carajás.
Até então os principais levantamentos brasileiros constituíam-se em projetos de mapeamento geológico direcionados  a embasar os trabalhos exploratórios subsequentes. A busca de petróleo na Amazônia, a descoberta de manganês na Serra do Navio, do estanho de Rondônia e da bauxita do Trombetas são os fatores determinantes que pavimentaram a descoberta maior que só ocorreu 1967.
Foi lá, em Carajás,  que a história mudou.
Nesta época, década de 60, as multinacionais americanas, como a Union Carbide e a US Steel, haviam invadido a Amazônia em busca de manganês. Foi um caso clássico de serendipity que  até hoje é discutido nas fogueiras dos acampamentos.
A US Steel, comandada pelo excepcional Gene Tolbert, chegou primeiro ao topo da Serra e a descoberta da maior jazida de ferro de alto teor do planeta foi feita.
Poucos anos depois, por intermédio de uma empresa, fruto direto de Carajás, a Terraservice, o Brasil ingressou na fase exploratória tecnológica e que, pela primeira vez, vimos a aplicação de métodos exploratórios regionais que combinavam a geologia, a geoquímica de sedimentos de corrente e a geofísica aérea. Por incrível que pareça as primeiras anomalias significativas de cobre e ouro em  Carajás, efetuadas por essa metodologia exploratória, são as mesmas que geraram os depósitos de ouro e cobre do Igarapé Bahia, Salobo, Alemão e Sossego (estes três últimos ainda não entraram em produção).
Era o acerto da equação mais importante na exploração mineral: o homem certo no lugar certo usando o método certo.
A Terraservice, que alguns anos mais tarde se transformaria em Docegeo, foi a primeira grande empresa de exploração mineral do Brasil e, provavelmente, uma das maiores e melhores do mundo naquela época.
A empresa, criada pelo mesmo Gene Tolbert de Carajás, para ser o braço exploratório da CVRD nasceu gigante, ambiciosa e vencedora. O próprio Tolbert pessoalmente entrevistou e contratou a maioria de um dos mais seletos grupos de consultores e de geólogos de exploração que o Brasil viu. A idéia era, simplesmente ambiciosa, atacar a Amazônia, o Centro-Oeste, o Centro e o Nordeste.
Tudo ao mesmo tempo.
Para realizar tal feito foram contratados, a peso de ouro, os consultores Australianos, Peruanos e Americanos cujo principal papel seria o de implantar o maior e mais avançado programa exploratório que o país havia visto, transferindo o know-how para  a equipe brasileira que seria, em 3 anos, a base da Docegeo. 
Em pouquíssimos anos o País se transformou e a década de 70 viu a melhor fase da exploração mineral brasileira. Assim como no Canadá de hoje, a exploração mineral simplesmente entrou em ebulição.
De um lado o Governo, por meio do DNPM, da CPRM, Radam e da Petrobras e do outro a Docegeo, as grandes multinacionais como a Shell, INCO, De Beers, Anglo American e outras dezenas de empresas mineradoras se digladiavam em busca de novas anomalias e novas descobertas em todo o território nacional. O geólogo de exploração era uma commodity rara e muito bem paga.
Foi quando o Brasil teve o seu território coberto por imagens de Radar e por mapeamentos geológicos regionais enquanto o Governo criava projetos pioneiros de geoquímica-geofísica e geologia em cooperação com o países como o Canadá. Tempos áureos.
Os booms exploratórios
Era a fase dos metais básicos. O mundo precisava de cobre, chumbo, zinco e níquel para alimentar as suas indústrias.
Até então já havíamos visto booms similares mas que nunca haviam atingido de forma tão marcante o Brasil.
O interessante é que a exploração mineral, na época, era feita somente pelas major companies. No após guerra a exploração consistia de levantamentos geológicos seguidos de detalhamentos e sondagens. Era um processo voltado para a descoberta dos grandes depósitos aflorantes. A medida que o mercado mundial se tornava mais voraz e exigente e que os corpos aflorantes escassearam, a exploração mineral começou a se sofisticar. Afinal já não haviam tantos grandes depósitos a espera do martelo do geólogo para serem descobertos. Foi quando iniciaram-se os programas de base os grass roots. Estes programas contavam com a geoquímica de sedimentos de corrente e com a geofísica aérea como ferramentas para melhor discriminar e detectar as anomalias tão fundamentais.
Na época as grandes exploradoras eram empresas como a Kennecott, a Anaconda e a Western Mining. A Kennecott havia basicamente desenvolvido métodos geoquímicos exploratórios voltados para a descoberta de porphyry coppers nos EUA, Canada e na Nova Guiné. Por outro lado novas descobertas estavam sendo realizadas no Canadá, a partir da geofísica aérea.
Os principais booms exploratórios podem ser sintetizados conforme abaixo:
  • De 1950-60 a busca do urânio.
  • De 1960-77 busca por metais básicos.
  • De 1977-hoje a busca pelo ouro.
  • De 1990-hoje a busca pelos diamantes.
  • De 2003...retomada da exploração mineral para cobre, níquel, ouro, diamantes, zinco, ferro, alumínio, manganês.
A tecnologia acima da geologia
Como vimos o  Brasil foi catapultado ao primeiro mundo da exploração mineral no início da década de 70. A partir deste momento não existiram avanços tecnológicos ou métodos exploratórios que não tenham sido usados exaustivamente no nosso País.
Nesta fase muitos começaram a acreditar que era possível achar depósitos minerais sem a geologia básica. Segundo esta ótica bastava um computador repleto de dados geoquímicos, geofísicos, gráficos e de imagens de satélite para gerar todas os alvos e a estratégia do programa. Foi quando o geólogo tinha que encaixar, de qualquer forma, o seu projeto em um modelo pré-existente.
A situação foi levada a extremos e os absurdos se repetiram de empresa a empresa. Os trabalhos publicados, quase todos, mostram um geólogo de exploração preocupado em provar que o seu projeto era do tipo A ou B. Se o projeto não se enquadrasse em um modelo existente de interesse da empresa o projeto era, geralmente, bombardeado pelos experts de plantão e descartado.
Esta tendência levou as grandes empresas a perder centenas de milhões de dólares ao apostar as suas fichas na tecnologia em descompasso com o homem. Os novos softwares geram literalmente incontáveis novos alvos que se superpõem formando um oceano de anomalias que tragam o orçamento, os recursos e, frequentemente, a criatividade dos seus geólogos de exploração.
O tratamento de dados, hoje, faz a equipe de exploração ter que lidar com camadas de geologia, geoquímica e de geofísica superpostas a imagens de satélites tratadas e filtradas. A cada novo parâmetro adicionado ou modificado nesta equação são várias as "anomalias" que aparecem ou desaparecem. A situação é tão drástica que geralmente consegue paralisar a grande maioria dos geólogos de exploração que acabam ficando reféns dos gráficos e mapas coloridos.
São poucos aqueles que ainda conseguem focalizar o mais importante: a geologia que está por trás das cores e números.
Como a major é uma empresa conservadora por definição é natural que este conservadorismo se reflita também na chefia dos programas de exploração. O somatório final é, quase que invariavelmente, o insucesso. Todos fazem exatamente o previsível que, quase sempre, tem a concordância da maioria.
Ocorre que na exploração mineral a maioria está quase sempre errada. A descoberta de um novo depósito mineral está sempre relacionada a uma visão totalmente nova e revolucionária. Descobrir outros depósitos similares qualquer empresa pode fazer. Afinal, depois de Colombo, qualquer um pode colocar o "ovo de pé".
A história mostra que são poucas as pessoas equipadas com essa capacidade de visão e abstração que é fundamental  ao sucesso de um programa exploratório.
Saber identificar os exploracionistas deveria ser uma das principais funções da chefia.
A exploração mineral, por mais fechada e hermética que possa ser,  nunca consegue manter os seus segredos do mercado. Um bom exemplo é o da tecnologia de exploração para kimberlitos férteis a partir de minerais indicadores. Por anos a De Beers escondeu, até dos seus geólogos locais, uma série de parâmetros exploratórios que acreditavam se constituir em uma das grandes vantagens competitivas da empresa. Estes gráficos e dados são guardados a sete chaves e utilizados somente pelos analistas do core. Com o tempo outras empresas como a Rio Tinto também desenvolveram programas exploratórios e metodologias próprias que, também, foram consideradas segredos de estado e que pareciam a solução para qualquer programa exploratório.
As junior companies
A história mostra que essas "vantagens tecnológicas" nem sempre se refletem em dinheiro para os acionistas. No caso do diamante estes métodos não impediram que as duas maiores exploradoras de diamantes do mundo a De Beers e a Rio Tinto de gastassem bilhões de dólares sem absolutamente nenhum sucesso palpável.
Quem mudou a história recente dos diamantes não dispunha dessa tecnologia e nem de grandes equipes  e sofisticados  computadores. O Chuck Fipke, trabalhando praticamente só, movido pela sua inteligência, persistência e por um aguçado espírito exploratório descobriu no Canadá os kimberlitos que hoje fazem a alegria dos investidores. Após a descoberta de Fipke as majors tiveram que reinventar os seus programas e "receitas de bolo", comprar aquilo que poderia ser comprado e começar uma nova fase exploratória.
São homens como Fipke ( Lac de Gras), Lowell ( Pierina) ou Bob Friedland (Turquoise Hill, Voisey's Bay) que re-escreveram a história da exploração mineral.
Eles e as  junior companies são responsáveis por mais de 30% de todas as descobertas feitas a partir de 1975.  O fenômeno junior cresceu fomentado pelo boom das bolsas canadenses da década de 90. Somente em 1998 a fraude da BreX (6 bilhões de dólares) conseguiu por um fim ao explosivo cenário causado pelas junior companies no mundo da exploração mineral.
Depois da BreX o mercado ficou mais exigente e os investidores se voltaram para a bolha de tecnologia, as empresas .com .
As junior companies serviram para mostrar ao mundo as enormes fraquezas das majors companies na exploração mineral. A eficiência dos programas exploratórios das grandes empresas é baixíssima e a história está aí para provar.
As principais histórias de sucesso datam da década de 70 quando ainda se fazia exploração mineral com o "pé no chão e a mão no martelo". Foi nesta época que as empresas como a CRA e a Western Mining descobriram os principais depósitos australianos e que a Terraservice/Docegeo descobriu a maioria dos depósitos e anomalias de Carajás.
Nas décadas de 80 e 90 o mundo viu as majors afundarem bilhões de dólares em programas exploratórios quase sempre infrutíferos. De outro lado começaram a aparecer pequenas empresas com pequenos orçamentos e grande sucesso. Algo estava errado. Como um Davi pode bater vários Golias  sistematicamente em várias batalhas tão distintas?
O exploracionista
A resposta óbvia está nas características intrínsecas do gerenciamento de uma grande mineradora e de uma pequena. A diferença está no homem e não no orçamento. Os programas de exploração de sucesso sempre tem em comum um tipo de homem que está no timão: o exploracionista. Ele é um visionário, com grande experiência e coragem, que navega com muita facilidade nas várias áreas da geologia e que consegue como ninguém traduzir as evidências, que outros tem dificuldade de ver ou entender, em uma descoberta.
As grandes empresas se tornaram grandes após uma fase exploratória de sucesso. Com o sucesso na exploração vieram as minas e a necessidade de empregar profissionais com perfis muito diferentes dos perfis de um exploracionista.
Os novos chefes são responsáveis por grandes orçamentos e estão muito mais preocupados com cash-flows e retornos sobre os ativos existentes do que na estória impalpável e improvável que um geólogo de exploração possa estar contando. Estes dirigentes de grandes empresas são, em sua imensa maioria, burocratas conservadores totalmente incompatíveis com os riscos e a imponderabilidade da exploração mineral. De uma forma geral eles entendem muito bem os mecanismos das aquisições, das fusões e joint ventures e quase nada da exploração mineral. Naturalmente os novos chefes se cercaram de clones que tentam imitá-los e às suas habilidades e conhecimentos em detrimento de outras virtudes mais importantes mas agora desprezadas. Nas grandes empresas os geólogos passaram então a saber tudo sobre cash-flows, rate of returns, EVA e, cada vez menos sobre spinifex,  gossans, ou outros parâmetros fundamentais da arte exploratória. Os geólogos destas empresas podem falar sobre Kuroko sem nunca ter estado no Japão, mas a maioria é incapaz de distinguir um boxwork de pirrotita de um de calcopirita. O resultado dessa tendência foi o insucesso de quase todos os programas exploratórios mundiais conduzidos pelas grandes mineradoras. As excessões são poucas e quase desprezíveis quando considerarmos os investimentos efetuados.
Impulsionados pela mesmice das grandes empresas os verdadeiros exploracionistas começaram a criar asas e voar por intermédio de sua própria empresa. Uma junior company.
Os resultados desta nova estratégia não se fez esperar: a maioria das grandes descobertas da última década foram feitas por junior companies e não pelas majors.
A competência das juniors e incompetência das majors na exploração mineral é um assunto polêmico e gerador de debates acirrados. No entanto o que parecia ser uma simples constatação estatística passa a ter um suporte inesperado, das próprias major companies. As grandes mineradoras , a cada dia que passa, começam a reconhecer as suas limitações e passam a apoiar a exploração feita pelas pequenas empresas. Essa mudança de estratégia  coloca na devida perspectiva as áreas tão diferentes quanto exploração mineral e mineração.
Desta forma a junior, mais flexível e dinâmica, passa a ser financiada por uma grande empresa ou pelo público ou ambos, acumulando  tão somente as funções inerentes à exploração mineral.
A fórmula é altamente interessante para todos e empresas como a Rio Tinto, por exemplo, já investem milhões de dólares nesta associação com pequenas exploradoras minerais (mais).
O novo boom
O ano de 2004 inicia com o prenúncio de um novo boom exploratório. Este parece ser mais sólido que os anteriores e está sendo causado pelo reaquecimento da economia mundial do pós 11 de setembro de 2001. Somente em 2003 a maior potência do planeta, os EUA, cresceram mais de 7%. Por outro lado a China, a maior concentração humana do planeta está, também, crescendo em ritmo alucinante.
Os chineses passaram os japoneses e americanos e tornaram-se, em poucos meses, os maiores importadores mundiais de ferro e cobre (mais). Se o país continuar a crescer neste ritmo, em menos de dez anos, será uma das maiores, se não a maior, economia do planeta passando os EUA como o mais importante consumidor global.
Não há melhor motivo para aquecer as turbinas da exploração mineral. As minas de metais básicos estão no limite máximo de produção, tentando, sem êxito, suprir a voracidade do mercado. Como nos últimos 20 anos a prospecção para cobre-chumbo-zinco-níquel e outros metais básicos foi simplesmente reduzida a zero,  substituída pela procura de ouro e de diamantes, praticamente não existem novos depósitos minerais destas commodities entrando em produção no futuro próximo.
As honrosas exceções ficam por conta de Turquoise Hill na Mongólia, Phoenix em Nevada, Rosario no Chile e Sossego em Carajás. estas minas não terão a capacidade de suprir a demanda aquecida e a queda da produção das minas em exaustão.
No Brasil a situação é quase confortável para a CVRD que deverá colocar em produção vários depósitos de cobre e possivelmente ouro e níquel nos próximos anos.
Por incrível que pareça os nossos depósitos de níquel laterítico (Onça, Puma) e todos os depósitos que a CVRD poderá colocar em produção nos próximos anos (Sossego, Salobo, Cristalino, Alemão, Vermelho, S.J. do Piauí) são descobertas direta ou indiretamente na década de 70 pela Terraservice/Docegeo ou pela INCO.
Suportado pela China e pelo crescimento da economia mundial o ano de 2004 se prenuncia como um forte divisor de águas. Neste ano veremos as majors focarem no desenvolvimento e expansão de projetos existentes e nas aquisições e fusões. As juniors deverão ter os seus projetos financiados pelas bolsas canadenses e, cada vez mais, pelas majors.
O grande diferencial de 2004 não será de caráter qualitativo, mas sim quantitativo. O que vai mudar em relação aos anos anteriores será a velocidade e o ritmo de instalação de novos projetos e dos novos negócios.

Vamos limpar os martelos e arregaçar as mangas, que o novo boom está aí e não espera aos retardatários!






Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

A Amazônia e os países industrializados.

O capitalismo internacional não esta nas mãos dos EUA, nem nas mãos de americanos. Leia esse interessante texto até o fim, você aprenderá muito.




A AMAZÔNIA E A COBIÇA DO IMPERIALISMO
A Amazônia é um fato territorial sul-americano que, cobiçada como celeiro de riquezas, transpõe os limites do Pacto Amazônico (firmado em 3 de junho de 1978) e da América do Sul, transformando-se em fato geopolítico, logo espaço de intromissão imperialista. (A crise colombiana e a intervenção dos EUA não deixam dúvidas quanto a isso.) A principal nação a ser afetada pela cobiça imperialista é o Brasil, detentor da maior parte dela. Mas é exatamente este fato territorial, cuja virtualidade espacial e econômica pode nuclear a fundação de uma potência no hemisfério sul, o elemento central sobre o qual se voltam os interesses estratégicos do imperialismo norte-americano. Compactua com ele a avidez da Europa ocidental e do Japão, na doce ilusão de dividirem a riqueza amazônica, como se a superpotência lhes permitisse tamanha ousadia, para além das sobras supérfluas. (Talvez lhes conviesse mais que a Amazônia continuasse sul-americana e clandestina). Mas a estratégia norte-americana é outra. Aos EUA não convém confrontar-se com uma possível potência rival no espaço das Américas; este espaço eles o tem como exclusividade sua. Claro, não está em disputa um deserto inútil. Disputa-se um esplêndido território, cuja riqueza pode prolongar a supremacia mundial da Norte-América. A energia existente no subcontinente meridional é vital ao grande irmão. A posse colonial e a fragmentação territorial. Eis a estratégia do imperialismo para os seus espaços periféricos. A Amazônia e a América do Sul se enquadram nesta terrível lógica.
Para este fim serve a ideologia da Amazônia como patrimônio da humanidade; serve, também, a contínua ameaça – às vezes velada, às vezes explícita – da sua internacionalização. Para este propósito, criam-se mitos verdadeiros e fatos falsos. Ou falseiam fatos e justificam mitos, numa preparação dirigida da opinião pública, cooptada por uma mídia devidamente condicionada. Nesta onda, surfam "intelectuais" alienados. Tal se dá com as questões indígena e ambiental, com o narcotráfico e com a estória da "Amazônia pulmão do mundo", desvirtuando-lhe o sentido e o alcance, numa pretensa ignorância da função oxigenadora dos oceanos e mares..
Territorialmente a Amazônia corresponde a 1/20 da superfície terrestre, 2/5 do continente sul-americano, e mais da metade do território brasileiro. Além do Brasil, ela incorpora a Bolívia, a Colômbia, o Equador, a Guiana, a Guiana Francesa, o Peru, Suriname e a Venezuela. A Amazônia brasileira, que incorpora os estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins, o oeste do Maranhão e o norte do Mato Grosso, se considerada nos seus aspectos geodésicos e políticos, mede mais de cinco milhões de km², com uma população que não chega aos 20 milhões. Mas, esposando aqui a opinião do Almirante Gama e Silva, a verdadeira Amazônia brasileira tem cerca de 4,048 milhões de quilômetros quadrados, sendo 3,648 milhões ocupados por vegetação natural, e o restante ocupado por rios, lagos e usos institucionais ou diversificados.
A Amazônia possui 1/5 da água doce do planeta, 1/3 das florestas latifoliadas. Ambicionada a sua diversidade biológica. É o maior banco genético da Terra. Não se tem ainda conhecimento pleno da quantidade de espécies vegetais e animais que nela existem. Já se computaram milhares de espécies vegetais e uma quantidade maior ainda de espécies animais. Além da floresta, ela inclui matas de várzea, campos e cerrados. Calcula-se em mais de um trilhão de dólares o valor da madeira de lei que dela se pode extrair, valorizadas no mundo inteiro, principalmente com a previsão, para as próximas décadas, do esgotamento das florestas tropicais da Ásia e da África. Existe na Amazônia mais de 100 espécies de madeiras nobres. Apenas 10% são conhecidas no exterior. No entanto, na Amazônia, uma ocupação racional e cientificamente planejada encontrará uma natureza favorável à rápida regeneração da floresta. Na imensidão das suas águas, a produção pesqueira atual retira mais de 180 mil toneladas por ano. Isto numa Amazônia ainda praticamente inexplorada, permitindo estimar-se em mais de 300 mil toneladas/ano esse potencial.
Na Amazônia, está uma das maiores reservas mundiais de minerais estratégicos, cujo valor não se pode ainda dimensionar. Ouro no Pará, no Amazonas, em Roraima e no Amapá; ferro no Pará (serra dos Carajás), no Amapá, no Amazonas; sal-gema no Amazonas e no Pará; manganês no Amapá, no Pará e no Amazonas; bauxita no Pará (Oriximiná, no rio Trombetas e em Tucuruí), além de calcário, casseterita, gipsita, linhita, cobre, estanho, nióbio, tântalo, zircônio, criolita (usada como fundente na eletrólise do alumínio), caulim, diamante, chumbo, níquel. De vários destes minérios, o Brasil possui as maiores jazidas do mundo, estando, nos demais entre as maiores reservas.
Resumindo: sobre o rico potencial amazônico, não faltam hoje estudos sérios. Desta forma, passo batido sobre o seu potencial petrolífero e sobre a existência de material radioativo, para a combustão nuclear, como o tório. Contudo, não posso omitir três questões que as julgo estratégicas para a geopolítica do século XXI: a era dos carboidratos que substituirá a era dos hidrocarbonetos, esta já em processo de declínio acelerado; a imensidão amazônica como o maior "vazio" geográfico que, apesar do clima quente e úmido, pode ser imediatamente ocupado, somando-se a isso o fato, nada desprezível, de que a Amazônia dispõe de quase 2,5 milhões de km² de terras propícias para a agricultura – 8% das disponibilidades mundiais. (Estudo sobre a produção mundial de alimentos, promovido pelo Governo dos EUA em 1967 – "The World Food Problem"); e a localização estratégica como núcleo de integração da América meridional, tanto para a unidade política da América Latina, quanto para a centralização de um poder imperial em novo processo colonial do subcontinente.
Todavia, para impedir a biopirataria e a exploração predatória de grupos clandestinos ou consentidos e de empresas estrangeiras lá instaladas, (mais de duas dezenas, quase todas asiáticas), cuja ação devastadora é cinicamente ignorada pelo Governo, os brasileiros precisam ocupar racionalmente a Amazônia, através de um planejamento estratégico, metódico, para obstar, não só a sua devastação, mas, também, para impedir que ela escape ao seu domínio. Povo que não sabe usufruir da riqueza que possui, acaba vendo-a devastada e surrupiada por estranhos.
Ninguém desconhece a grande dependência que os países desenvolvidos têm do petróleo. Embora as reservas mundiais, hoje estimadas em um trilhão de barris, possam garantir o abastecimento, ao ritmo atual de consumo, por mais quatro ou cinco décadas, independentemente de novas descobertas, a verdade é que a maior parte destas reservas não se localiza no território dos países centrais. Os EUA já importam aproximadamente 60% do petróleo que consomem. No ritmo atual, as reservas ainda existentes no seu subsolo terminarão na próxima década, passando a depender totalmente do petróleo importado, ainda que, no futuro, este combustível perca importância graças ao desenvolvimento tecnológico, rumo a novas fontes de energia.
Porém, não apenas de petróleo depende o desenvolvimento dos países ricos. Eles têm uma dependência, praticamente vital para continuarem ricos e formosos, de uma enorme quantidade de minérios, sem os quais a sua economia industrial desmorona.
A dependência dos países, assim chamados, desenvolvidos.
Minérios/Blocos EUA UE Japão
em %
 
 
 
Nióbio
100
100
100
Manganês
98
100
100
Alumínio
91
97
100
Tântalo
91
100
100
Estanho
82
80
85
Zinco
57
57
48
Mica
100
83
100
Cobalto
97
100
100
Cromo
91
97
99
Platina
91
100
98
Níquel
70
87
100
Tungstênio
52
87
75
Antimônio
51
91
100
Cobre
13
80
80
Fosfatos
01
99
100
Vanádio
42
100
100
Chumbo
13
44
47
Molibdênio
--
100
99
Como representante da Trilateral, em 1979, Henry Kissinger, evidenciava essas carências: "Os países industrializados não poderão viver à maneira como existiram até hoje, se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não-renováveis do planeta. Para isso, terão que montar sistemas mais requintados e eficientes de pressões e constrangimentos, que garantam a consecução de seus objetivos."
Eis porque a Amazônia transformar-se-á, no século XXI, numa das principais regiões do planeta, cuja exploração sustentará um novo ciclo de desenvolvimento.
Até a definição das fronteiras brasileiras, concluída no início deste século, França e Inglaterra procuraram ampliar seus espaços na Amazônia às custas do Brasil. Porém, notório foi o interesse dos EUA no século XIX, em razão mesmo da sua política expansionista que incorporou pelas armas partes do México e comprou da Rússia o Alasca. Famosa foi a campanha deflagrada por um oficial da Marinha norte-americana, o Tenente Matthew Fontaine Maury, que, afirmando ser a Amazônia parte do complexo geográfico formado pelo Golfo do México, como uma extensão natural do Mississipi, defendia que a América meridional devia transformar-se numa dependência dos EUA. "O mundo amazônico" – pregava o Tte. Maury, que chefiava o Serviço Hidrográfico da Marinha norte-americana – "é o paraíso das matérias primas, aguardando a chegada de raças fortes e decididas para ser conquistado científica e economicamente." Como conseqüência dessa campanha, em 1853, o Governo dos EUA enviava ao Congresso uma mensagem com uma referência à Amazônia: "uma região que, se aberta, à indústria do mundo, ali se achariam fundos inexauríveis de riquezas." Não faltaram, então, pressões sobre o Império para que este abrisse o rio Amazonas à livre navegação internacional. O Imperador não cedeu. A Guerra civil norte-americana retirou, na ocasião, a questão amazônica da pauta expansionista dos EUA.
Na década de 40, a tentativa de criação de um Instituto Internacional da Hiléia Amazônica, inspirado pelo professor Berredo Carneiro e que seria integrado basicamente pelas nações sul-americanas com interesses diretos na Amazônia, para estimular a sua exploração científica, inviabilizou-se na luta ideológica que o envolveu, tendo então sido visto como um instrumento de internacionalização do território amazônico.
Vinte anos depois, foi a vez do Hudson Institute lançar o projeto dos "Grandes Lagos" para a produção de energia elétrica e para a navegação. Segundo o Cel. Manoel Teixeira Pires, este projeto iria representar uma autêntica variante ao canal do Panamá para ser utilizado pelos EUA. Na época, o governo brasileiro frustrou o projeto.
Com o fim da guerra fria, as pressões retornaram. Em 1989, numa reunião do G-7, à qual o Pres. Sarney compareceu como convidado, foi ele instado a ceder direitos para que os países ricos pudessem explorar economicamente a Amazônia. Se a concessão fosse dada, a posse dos recursos acabaria traduzindo-se na posse do território.
Em 1989, o então senador e hoje candidato à Presidência dos EUA, afirmava solenemente: "Os brasileiros pensam que a Amazônia é deles. Não é. Ela pertence a todos nós." Mais recentemente, a mesma afirmação reproduziu-a outro senador (Kasten), que acrescenta: "assim como o ozônio, as chuvas, o oxigênio, etc., a Amazônia deve pertencer a todos." Em 83, Margareth Thatcher havia sido mais enfática: "Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas." Também Mitterand, em 89, afirmava: "O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia." Até Gorbatchev, em 1992, julgou-se com o direito de afirmar: "O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes." John Major, então primeiro-ministro da Inglaterra: "As nações desenvolvidas devem estender os domínios da lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas de ecologistas internacionais a que estamos assistindo, o passado e o presente, sobre a região amazônica, estão deixando a fase propagandística, para dar início a uma fase operativa que pode definitivamente ensejar intervenções militares diretas sobre a região."
Mais grave porém, porque está diretamente ligado aos interesses do imperialismo estadunidense, cuja estratégia é a incorporação colonial "definitiva" da América Latina ao seu contexto geopolítico, são as afirmações do Gal. Patrick Hugles, chefe do Órgão Central de Informações das Forças Armadas norte-americanas: "Caso o Brasil resolva fazer uso da Amazônia, pondo em risco o meio ambiente nos Estados Unidos, temos que estar prontos para interromper este processo imediatamente." Ao que a senhora Madeleine Allbright complementa: "quando as questões são de meio ambiente, não existem fronteiras." E a história nos ensina: quando um Estado poderoso precisa de um pretexto para intervir em outro Estado, qualquer pretexto serve. Esta lógica confere com a estratégia do Pentágono, divulgada pelo The New York Times (10/3/92), cujo objetivo é impedir o surgimento de uma potência militar fora da OTAN. Em 1995, o Chefe do estado-maior Conjunto, Gal. Collin Powell, recomendava a preservação da capacidade militar norte-americana em nível tal que desencorajasse o surgimento de qualquer adversário que pudesse desafiar o poderio norte-americano. E reservava uma posição subalterna para as forças armadas dos países latino-americanos.
Ora, opiniões são simples manifestações de pensamentos. Nem sempre se transformam em fatos. Mas, o imperialismo possui uma lógica que não pode ser ignorada: para os EUA continuarem hegemônicos e manterem o seu gigantesco potencial bélico, a energia interna do seu território já não basta. Eles precisarão absorver a energia das nações que lhes são subalternas. Enquadra-se nisto a América do Sul e, naturalmente, a Amazônia.
A British Petroleum/Brascan é o maior grupo estrangeiro que atua na Amazônia, detendo 174 mil km², ou 13% do subsolo reservado da Região Amazônica. Território equivalente aos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina. Um estudo do CNPq mostra a presença de empresas multinacionais na exploração mineral, concentradas na "chamada área reservada", controlando cerca de 40% do subsolo dessa área da Região Amazônica, equivalendo a 367 mil km². 98% desta área está em poder de apenas 17 grandes grupos, ou seja, suficientemente poderosos para influenciarem as decisões políticas nacionais e para terem na sua retaguarda seus respectivos Estados nacionais.
Não vou falar das centenas de ONGs que atuam na Amazônia, sob os mais diferentes pretextos e interesses – menos os dos brasileiros, evidentemente. (Como diria o Pe. Antônio Vieira: eles não querem o nosso bem; eles só querem os nossos bens). Citarei apenas o Conselho Mundial de Igrejas Cristãs (1981): "A Amazônia total... é considerada por nós como um patrimônio da humanidade. (...) É nosso dever (...) esgotar todos os recursos que, devida ou indevidamente, possam redundar na defesa, na segurança e na preservação desse imenso território e de seres humanos que o habitam e que são patrimônio da humanidade, e não patrimônio dos países cujos territórios pretensamente dizem lhes pertencer."
E tem brasileiro que incorpora essa lorota, sem se perguntar: por que a nossa Amazônia deve ser "patrimônio da humanidade", e não a Terra toda, hoje monopolizada economicamente por três ou quatro centenas de corporações mundiais e "privatizada" como patrimônio de alguns poucos milhares de indivíduos poderosíssimos, sobrepostos aos bilhões de homens e mulheres que mal vegetam ? Por que só o território amazônico deve ser internacionalizado, e não o território dos EUA que controlam a economia do mundo e concentram a maior parte da sua riqueza? Por que não o território culto da Europa ocidental, berço do imperialismo contemporâneo? No atual sistema de dominação mundial, a quem beneficiaria uma "pretensa" internacionalização da Amazônia?
A questão colombiana, onde a presença dos Estados Unidos já é notória, traz-nos à lembrança – com o sinal trocado – o ocorrido há 150 anos na China, com a chamada Guerra do Ópio, quando a Inglaterra, atendendo aos traficantes ingleses que monopolizavam aquele comércio, atacou a China, e, com duas guerras saqueou o "celeste império", abrindo-o para o livre comércio do Ocidente, sobretudo para o imperialismo inglês estabelecer a sua base em Hong Kong. Na ocasião, a rainha Vitória teria declarado que, se estivesse no lugar do Imperador da China, também proibiria o tráfico de ópio. Porém, era fundamental que a Inglaterra defendesse o "livre comércio", sem o qual ela não sobreviveria, atribuindo-se à rainha a seguinte conclusão: "o país" – europeu, evidentemente – "que tivesse sob seu controle a China, não só controlaria todo o Oriente, como tornar-se-ia a nação hegemônica do século XIX". As palavras podem não ter sido exatamente estas, mas a história corresponde a elas.
Ora, correndo, embora, o risco da comparação exagerada, ouso afirmar que a potência que tiver sob seu controle a Amazônia, terá não apenas o domínio de toda a América meridional, como obterá dela os recursos naturais para sustentar-se como a hegemonia absoluta do século XXI.
Os que tencionam alienar a Amazônia, que preço lhe atribuiriam? Alguns patriotas convictos declaram que ela é parte inseparável do Brasil, logo ela é inalienável. O seu preço custaria o sangue dos que tentarem disputá-la.
No entanto, não preservaremos brasileira a nossa parte amazônica, se não preservarmos o Brasil como nação independente, capaz de transformar-se numa potência singular, núcleo forte de uma integração democrática dos povos latino-americanos.
(Encerro recomendando a leitura da coletânea publicada pelo Núcleo de Estudos Matias de Albuquerque – "Amazônia" –, publicação valiosa sobre aquele rico território brasileiro e sul-americano.)
Antônio Rezk
MHD – Movimento Humanismo e Democracia









Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.
Contrabando de material radiativo.


O General  Riograndino Kruel, afirmou em uma comissão parlamentar de inquérito que a cifra de contrabando de material que contem urânio e tório ultrapassa 1 milhão de toneladas.
Jornal Correio da Manhã, 39 de junho de i968, citado por Eduardo Galeano.


Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

Peter Black, o navegador.

O Grande Navegador Peter Black.
Herói na Nova Zelândia e conhecido no mundo inteiro foi vitima de uma história que ninguém quer contar ou assumir. Ele pretendia navegar o Rio Amazonas equipado com equipamento de comunicação de alta tecnologia. Pretendia mostrar a Amazônia para o mundo, em língua estrangeira. Seria sem divida uma testemunha viva dos ilícitos que ocorrem na região, principalmente o contrabando de material radioativo, que em 1968 já superava um milhão de toneladas. Não se tratava de um jornalista brasileiros que escreveria em um jornaleco qualquer e seria contestado pelas quatro grandes redes de TV, diante de um povo abúlico. Era alguem com força midiática internacional. O Exercito tentos dissuadirem-lo dessa navegação. Eu me pergunto por qual motivo? Depois que li tudo, comparando datas, sem poder provar, eu escrevo como um desabafo: A morte de Peter Black foi encomendada.
Depois de sua morte, os jornais explodiram com noticias de pirataria nos rios amazônicos: Com dois objetivos.
1)         Fazer crer que sua morte foi casual;
2)         Desencorajar qualquer outro navegador que pretendesse dar continuidade ao projeto.
Com o passar dos anos, já não se fala em pirataria no Amazonas, nem alguma estratégia de segurança para coibi-la foi implantada, o que mostra que ela era se não inexistente, ao menos inócua.
Algum dia alguém haverá de ter a coragem de reabrir o caso.

G23.





Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

A Vice-Presidência Amaônica.

A Vice Presidência Amazônica.
Parece-me impossível hoje que alguém se apresente como candidato a presidência e não tenha um projeto para o desenvolvimento demográfico e econômico de mais da metade do Brasil.
Nosso ideal seria a transferência da Presidência da Republica para Manaus, por exemplo. Mas essa questão, em nossa opinião haveria de iniciar na Escola Superior de Guerra, como iniciou a transferência da capital do Rio para Brasília. Porém hoje a imensa, se não a totalidade dos generais são maçons como me ensinou o coronel Roberto Monteiro de Oliveira ( ex.chefe do SNI da Amazônia), e eles, portanto embora se digam nacionalistas defendem interesses da maçonaria em primeiro lugar, interesses que todos sabem não são propriamente nacionalistas, mas internacionalistas, com raízes, para mim já bem claras.
Então trago uma nova proposta que poderia ser viabilizada pelo Congresso Nacional. A Vice Presidência da Republica se transfere para a Amazônia e aplica seus esforços nas questões dos estados amazônicos, sob tutela e chancela do Presidente da Republica em Brasília. Muitas maneiras podem ser criadas para a escolha dos candidatos a Vice, e uma delas poderia ser o conhecimento, ou a origem, ou ate o domicilio eleitoral na região. Coisas para serem amadurecidas.
O patrimônio natural da Amazônia, aos meus olhos, supera toda a riqueza dos demais estados do Brasil. Não podemos governar de costas para essa realidade. Tirar o Vice Presidente do ostracismo histórico, e coloca-lo na liderança das soluções do Brasil Amazônico, pode ser o grande passo que o Brasil dará para o seu desenvolvimento e para a construção de sua independência.

G23. 





Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.

O Parlamento Itinerante Amazônico.

O Parlamento Itinerante Amazônico.
Cada um dos nove estados amazônicos tem sua Assembléia Legislativa. Pois bem, a idéia que trago é reunir todos os deputados dos estados amazônicos em um dos estados, cada mês em um estado. Em nove meses todos os deputados dos estados amazônicos terão percorrido toda a região amazônica. Esses deputados do Parlamento Itinerante Amazônico não votam nenhuma lei, mas propõe aos deputados federais, e aos Ministérios, questões e soluções que podem gerar leis, ou programas de governo.
Como funciona. Uma equipe do ministério do Planejamento, por exemplo, ou de mais de um Ministério, vai à frente levantando dados, problemas, ouvindo as populações, o governo e os próprios deputados daquele estado. Eles têm um mês para fazer isso. Elegidos os temas, reunem-se todos os deputados dos nove estados e debatem, pois quase todos os temas são de interesse comum. De cada reunião um resumo em carta ( Carata de Roraima por exemplo, ou Carta do Acre) leva as reivindicações à Câmara Federal, Ao Senado, aos Ministérios, e a Presidência da Republica. Esse giro dificulta a manipulação dos dados, amplia o conhecimento dos deputados sobre a região, esclarece diferenças entre estados, informa atividades econômicas, denuncia atividades estrangeiras, e ilícitas e trás luz a Nação Brasileira sobre a sempre misteriosa Amazônia Legal. O giro se repete nos quatro anos de mandato, avaliando a cada ano, os avanços.
A Idéia é simples. Barata em termos de benefícios possíveis, inclusive proporcionando vários intercâmbios comerciais e ou culturais entre os estados da região. Idéia para ser desenvolvida.

G 23




Hoje temos 11 Blogs, alguns podem ser acessados diretamente nessa página, clicando onde esta escrito, ACESSE CLICANDO ABAIXO, logo depois do Perfil, na margem esquerda. Muito obrigado pela visita.