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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Discurso de Posse em 2002 ( segundo Mandato).

Paranaenses.

Pela segunda vez, pela vontade do povo, assumo o Governo do Paraná.
E venho novamente para mudar.
O voto dos brasileiros, o voto dos paranaenses foi uma clara, irretocável manifestação pela mudança. Toda a minha campanha e todo o meu programa de governo tiveram como centro a proposta da mudança. Mudança de prioridades, mudança de estilo.
E assim vai ser.
Hoje, os olhares dos brasileiros voltam-se para o Planalto Central.
Quero acreditar que este primeiro de janeiro não seja apenas o primeiro dia de um novo ano, e sim o dia inaugural de um novo tempo. O primeiro dia da reconstrução de uma sociedade sem fome, sem desemprego, sem miséria, sem exploração, sem a ofensa e a humilhação da exclusão. O primeiro dia da construção da mais bela das utopias que o homem sonhou. A utopia de um país fraterno e feliz.
Quero acreditar que hoje seja o primeiro dia da recriação.
É claro, nada se faz ou se desfaz em um passe de mágica. Tantos séculos de domínio de determinados interesses não se desmoronam com o sopro do nosso entusiasmo, com o nosso grito, com a nossa vontade de mudança.
É apenas, pode ser apenas, o primeiro dia da recriação.
As tarefas das transformações são imensas. Incrustaram-se em nossa sociedade tantos privilégios. Tantas distorções fizeram-se usos e costumes. É tão gigantesco o abismo da desigualdade. É tão cruel a realidade da exclusão. É tão empedernida quanto encarquilhada pelo tempo a insensibilidade das elites, eternamente presa de um egoísmo mesquinho, que não vê, que não ouve, que não sente.
É preciso que as nossas elites finalmente transformem-se em cidadãos brasileiros. Integrem-se à realidade nacional e deixem de ver o país do alto de seus privilégios. Pode parecer duro afirmar e desconfortável ouvir, mas parte das elites descende diretamente dos que reprimiram os movimentos nativistas, enforcaram Tiradentes, sufocaram os movimentos libertários, impuseram ao país o crime hediondo da escravatura, afastaram por séculos o povo do centro das decisões, parasitaram primeiro a Colônia, depois o Império, por fim a República. Deram o golpe de 64 e chegaram até mesmo a financiar a repressão aos que resistiam à ditadura.
Qual o resultado disso tudo? Ei-lo escancarado à nossa frente no Índice de Desenvolvimento Humano com que a ONU busca medir a realidade social dos países. O nosso IDH classifica o Brasil ao lado, por exemplo, de um dos mais miseráveis países da Terra, o Paquistão, e abaixo da conturbada Venezuela. Se o nosso IDH médio já é baixo, ele despenca a níveis aterradores quando medimos apenas a situação dos pobres brasileiros e a comparamos com a situação dos pobres de outros países. Quando isso acontece, igualamo-nos aos países africanos, envoltos, estraçalhados pelas guerras tribais, dizimados pela AIDS, presos ainda à exploração colonial. São com esses pobres, que nos causam tanto horror quando os vemos na televisão, são com eles que os nossos pobres podem ser comparados.
E o que mede o IDH? Mede o acesso à educação, a distribuição de renda, a vida média da população. Meu Deus, “Senhor Deus dos desgraçados”, é tão difícil assim elevar as condições de vida de nossa população tendo como referências apenas essas três básicas, simples iniciativas?
O que as nossas elites precisam, o que os nossos governos precisam, é um choque de cidadania para abrir os olhos a uma realidade tão cruel mas tão ao nosso alcance de modificá-la, de transformá-la.

Contudo, não existe dificuldade que sobreponha, vergue ou desanime a vontade de mudar. A nossa vontade e a nossa decisão de mudar.
O Paraná, como parte do Brasil, vê aqui refletida a dura e sofrida realidade nacional. Não somos ilha, não escapamos dos efeitos destruidores das políticas neoliberais que, nesses últimos oito anos, tornaram ainda mais agudos os já seculares problemas sociais.
Mudança no Brasil, mudança no Paraná.
Há doze anos, quando assumi pela primeira vez o Governo do Paraná, falava dos caminhos que me haviam trazido até aqui. Dizia que aqueles caminhos tiveram como ponto de partida a casa de meu povo. Aqueles caminhos passaram pela roça, pelas fábricas, pelos bairros pobres das grandes cidades, pelo interior abandonado, pelas filas do desemprego, pelas escolas, pelos escritórios, pelas igrejas.
Vinha de uma longa caminhada e recolhera no percurso os sonhos de uma vida melhor. Trazia impressa na alma e marcada no coração a esperança de um Paraná renovado, seguro, desenvolvido, bom para todos.
Dizia que o caminho que me trouxera até aqui não passara pela casa dos poderosos, pelos escritórios dos negocistas, pelas ante-salas dos interesses anti-populares e anti-nacionais. Pelos corredores dos favores.
Dizia também que o caminho que me havia trazido até aqui passara pela casa de meus pais, do meu pai Wallace e de minha mãe Lucy, de quem assimilei os ensinamentos de honra, honestidade, seriedade e o compromisso com os mais humildes. E à minha mulher, Maristela, e aos meus filhos, Mauricio e Roberta, jurava ser digno desse legado.
Hoje, doze anos depois, novamente pela vontade do povo, volto ao Governo do Paraná. E para chegar aqui, refiz o percurso.
E foi novamente longa caminhada.
Caminhei com aqueles 21% dos paranaenses que hoje, segundo o IBGE, vivem abaixo da linha da pobreza. Mais de dois milhões de irmãos nossos à margem da vida.
E é por isso que entre as prioridades do nosso governo está o combate à pobreza, a erradicação da fome, a re-inclusão daqueles que o modelo neoliberal expeliu da sociedade. Por isso que o nosso governo vai fazer opção preferencial pelos pobres, combatendo a fome, re-incluindo aqueles que o modelo neoliberal expeliu da sociedade. É por isso que o nosso governo vai distribuir leite para as crianças, fornecer água e luz de graça, criar frentes emergenciais de trabalho, desenvolver programas de capacitação profissional, criar programas para garantir a presença dos filhos das famílias mais pobres na escola.
Caminhei com os desempregados. Senti com eles o pão amargo do desespero. Apertei mãos calejadas, ansiosas por trabalho.
Por isso que vamos desencadear no Paraná o maior programa de geração de empregos do nosso país. Vamos reduzir o preço da energia para atrair empresas do Brasil e do mundo ao nosso estado, criando milhares de novos empregos, gerando rendas e bons salários. As pequenas empresas terão isenção absoluta de impostos estaduais. Vamos implantar o programa do Primeiro Emprego e o programa de incentivo à contratação de pessoas com mais de 40 anos. Vamos desconcentrar os investimentos industriais, distribuindo-os de forma equilibrada por todo o estado do Paraná. Os estrangeiros continuam bem-vindos, no entanto nenhuma multinacional vai receber incentivos ou benefícios que não possam ser dados igualmente aos empresários paranaenses. Antes de tudo, a nossa gente.
Caminhei com os agricultores, especialmente com os pequenos agricultores. Sofremos com eles o estado de abandono em que se encontram. Vimos a importância capital da agricultura familiar. Vimos como a agricultura e a agroindústria, adequadamente incentivadas, podem gerar instantaneamente milhares de empregos.
É por isso que vamos trazer de volta todos os programas que fizeram a agricultura paranaense tão forte, produtiva e exemplar. É por isso que vamos garantir preço mínimo e seguro de safra aos cultivares estratégicos; o financiamento com equivalência em produto; a ampliação da extensão rural, especialmente em direção dos pequenos e médios produtores; a promoção e o estímulo para criação de pequenas agroindústrias; o fundo de aval para livrar os nossos agricultores das garras sufocantes do juro bancário.
Nesta caminhada, nesta longa caminhada, passamos pelas cidades do nosso interior. Vimos tantas delas perdendo população, assistindo apreensiva a fuga dos seus jovens, famílias desfazendo-se, espalhando-se à busca de uma vida melhor.
Por isso vamos fazer a vida melhor em todos os cantos do Paraná. As pessoas têm que viver bem e ser felizes onde nasceram e foram criadas, onde têm seus filhos, onde estão seus laços, onde estão as suas raízes. O emprego, a saúde, a educação, a segurança, o desenvolvimento pessoal, a realização de sonhos devem ir ao encontro das pessoas lá onde elas escolheram viver.
Caminhamos pelas cidades, por todas as cidades, e sentimos o medo nas ruas, nas casas, experimentamos a forte sensação que a insegurança traz às famílias. Convivemos com o desespero das tantas vítimas da violência e do crime organizado.
É por isso que eu próprio assumo, nestes primeiros momentos, o comando da Segurança Pública, para duas tarefas inadiáveis. Primeiro limpar a polícia, extirpar sua banda podre, promovendo e valorizando os bons policiais. Paralelamente, implantar uma nova política de segurança, trazendo de volta a polícia aos bairros, às ruas, à porta das casas e das escolas, integrando-a com a população. O Paraná, tenho certeza, vai ser novamente um estado seguro, tranqüilo, e as famílias serão libertadas do medo.
Estivemos nos hospitais, nos prontos-socorros, nos postos de saúde, nos ambulatórios, e vimos o descaso, a falta de respeito, o despreparo, a indiferença. Estivemos nas filas dos que suplicam por um exame, precisam de internamento, não têm dinheiro para comprar remédios. Acompanhamos as ambulâncias que todo dia, toda hora, trazem do interior para as grandes cidades doentes que centenas de municípios não têm como tratar.
Vamos regionalizar o sistema, vamos transformar as Santas Casas em hospitais regionais. Vamos fortalecer e expandir o programa Médico da Família, em parceria com os municípios. Vamos fortalecer e expandir a rede de postos de saúde e ambulatórios 24 horas. Vamos, como em nosso governo anterior, atuar fortemente em ações preventivas, na melhoria das condições do saneamento, entendendo que aqui está um dos nós que sobrecarrega todo o sistema de saúde. Garantia de atendimento, garantia de exames, garantia de internamento, garantia de remédios, esses são os nossos compromissos com a saúde.
Nesta caminhada que nos trouxe até aqui passamos pelas escolas. Estivemos nas salas de aula com as nossas crianças e os nossos jovens. E vimos que lá se gesta, cria e amolda o Paraná, não apenas o do nosso futuro, mas o do dia de hoje mesmo. E vimos que as tantas deficiências da nossa escola podem comprometer esse futuro. Vimos também a dedicação comovente dos nossos professores, mas vimos como eles têm sido tratados com tanta indiferença e insensibilidade.
É por isso que vamos fazer, estamos prontos e preparados para fazer, aqui no Paraná, a maior revolução na educação pública que este país já viu. Começaremos devolvendo a dignidade aos nossos mestres. Eles terão de volta sua auto-estima e condições para o exercício pleno de uma das mais sagradas e veneráveis profissões, a de professores, mestres de nossos filhos.
Estivemos nos bairros pobres de nossas cidades. Visitamos os barracos onde se amontoam, em condições infra-humanas, tanta gente. Estivemos sob a lona preta dos sem-teto. Visitamos a pequena casa alugada. Conversamos com as famílias que todos os meses deixam de comer, de vestir, de comprar remédios para pagar o aluguel. Compartilhamos o drama dos 350 mil trabalhadores rurais volantes que vivem nas periferias urbanas em condições de habitação tão precárias.
É por isso que o nosso governo trará de volta os eficientes programas habitacionais que já colocamos em prática no estado. Voltará o programa Casa da Família, para dar aos paranaenses uma casa digna, confortável, e com prestações que nunca ultrapassarão os 20% do salário mínimo. Serão mais de 200 mil unidades entre casas populares, lotes urbanizados, auto-construção, casas rurais, habitações indígenas e regularização de lotes ocupados. Já fizemos, sabemos como fazer, faremos de novo.
Nesta caminhada passamos pelas nossas universidades e reafirmamos o nosso compromisso com o fortalecimento de sua autonomia, garantida em lei, para que elas possam oferecer um ensino gratuito e da melhor qualidade.
Pelo caminho que me trouxe até aqui parei várias vezes para conversar com os funcionários públicos. E dividimos com eles as preocupações com o arrocho salarial, com o congelamento dos vencimentos, com o desprestígio das funções e com o descaso.
É por isso que vamos devolver aos nossos funcionários a auto-estima, o orgulho de serem servidores públicos e vamos sentar com eles para discutir de forma franca e aberta, como é de meu feitio, as formas mais adequadas para repor, progressivamente, tudo aquilo que foi perdido, desgastado e suprimido nesses últimos anos.
E como foi um compromisso assumido, vamos cumprir a decisão de reabrir o IPE e o Hospital da Polícia Militar.
Novamente, vamos devolver à administração pública a mais absoluta transparência, envolvendo a sociedade na fiscalização da ação governamental, dando a ela condições e meios para que essa fiscalização seja feita com todo o rigor.
É por isso que vamos tornar público todos os contratos de concessões e protocolos, e vamos fazer com que todos os atos da administração pública do Paraná estejam integralmente, em tempo real, na Internet, bem como publicados no Diário Oficial do Estado, que também vai estar na Internet.
É por isso, também, que vamos brigar com firmeza para anular o pacto de acionista feito entre a Sanepar e seus sócios privados. Entre as tantas distorções deste pacto, uma delas me deixa especialmente estarrecido: a que define como objetivo da Sanepar a maximização dos lucros de seus acionistas. Não se concebe que uma empresa pública, especialmente uma empresa voltada ao saneamento, à elevação da saúde e da qualidade de vida da população, tenha como objetivo dar lucros, e que para isso tenha que aumentar as tarifas, diminuir os investimentos, cortar serviços, suspender o fornecimento aos eventuais inadimplentes. Esta concepção do serviço público vai ser anulada, junto com o pacto, em nosso governo.
Na caminhada que nos trouxe até aqui passamos - quantas vezes! - pelo abuso dos pedágios. Nas praças de pedágio vimos caminhoneiros, agricultores e motoristas deixarem lá o sustento da família, o lucro do negócio, parte significativa da produção, das safras.
É por isso que vamos manter, sem hesitação, o compromisso de campanha: ou preço das tarifas do pedágio reduzem-se drasticamente ou o pedágio acaba. O abuso vai ter fim.
Não se trata de uma posição populista ou vezo doutrinário e sim do simples fato de que a economia paranaense não suporta o abuso das tarifas.
O caminho que nos trouxe até aqui passou pela minha casa. Foi em um momento crucial que recebi de meus filhos a argumentação decisiva para que aceitasse a candidatura ao Governo do Paraná. Em uma carta, às vésperas da convenção do PMDB, meus filhos Mauricio e Roberta quase que me impuseram o dever da candidatura. Entre uma tranqüila e consagradora reeleição ao Senado e a dura batalha pela conquista do Governo do Paraná, e a ainda mais dura tarefa de repor o Paraná nos trilhos, Mauricio e Roberta consideravam que o meu dever era com os paranaenses. Durante a campanha toda, especialmente em seus momentos mais críticos, quando às dificuldades materiais somavam-se os ataques vis, caluniosos, sórdidos dos adversários, era aquela carta do Maurício e a opinião da Roberta que me davam forças.
Mauricio, Roberta, minha esposa Maristela, paranaenses, não vou decepcioná-los. Combatemos o bom combate e vencemos a primeira batalha. Agora vamos travar o combate das mudanças.
Paranaenses,
Se há doze anos tomava posse ainda sentindo o travo amargo da derrota de Luis Inácio Lula da Silva, no segundo turno das eleições de 89, batido pela perigosa aventura collorida, que a nossa monocromática elite bancara para impedir mudanças, assumo hoje o Governo do Paraná no mesmo dia em que Lula toma posse e abre para o Brasil perspectivas jamais sonhadas de transformações.
Sou antes de tudo um otimista. Acredito, tenho fé que, de fato, vivemos hoje o primeiro dia do redescobrimento do Brasil. E tenham certeza os paranaenses de que as mudanças que anunciamos na campanha eleitoral e que aqui reafirmamos, vão acontecer. Porque esta é a vontade de todos. Porque o Brasil vai mudar e o Paraná, com certeza, estará na liderança, na vanguarda dessas mudanças.
Temos tudo para que isso aconteça. O paranaense é criativo, trabalhador, sério. A nossa terra é generosa, produtiva. Os nossos empresários são empreendedores. Os nossos trabalhadores são determinados. Temos, enfim, todas as premissas indispensáveis às transformações desejadas.
Sei quais e quantas são as dificuldades, quais e quantos interesses vamos contrariar, quantos privilégios vamos cortar. Nada nos assusta. Nada tememos. A minha força nasceu do voto, da vontade soberana dos paranaenses e nada haverá de contrapô-la ou frustrá-la. Foi do nosso povo que recebemos as armas para o combate e o mandato para fazer da sua vontade, lei.
Encerro este pronunciamento trazendo o meu agradecimento e a minha homenagem aos companheiros desta jornada. O nosso agradecimento ao Partido dos Trabalhadores, na pessoa do Padre Roque Zimmermann. Ao PPS e ao PV, na pessoa do nosso amigo Rubens Bueno. Ao PL, na pessoa do valente guerreiro Pastor Oliveira. E a todos aqueles que, sem impor condições, reivindicar vantagens ou cargos, desprezando de forma franca e olímpica as misérias das negociações políticas brasileiras, vieram para a campanha e trouxeram com eles a certeza da vitória. Meu agradecimento e um abraço fraterno nos companheiros do PMDB do Paraná, que estiveram comigo nessa longa, difícil, mas vitoriosa caminhada.
Viva o Paraná. Viva o Brasil que desperta. Viva o presidente Lula. Viva o primeiro dia de um novo tempo.
Muito obrigado.

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